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"Assim como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros"

(Jo 13, 34)

 
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JOVENS COM VALOR 

Jovens, jovens… 

Todos falam dos jovens e de jovens: por razões diferentes.
Eu, que há mais de cinquenta anos trabalho com jovens, e para jovens, (para eles e com eles fundei há trinta anos um movimento que tem por nome Juventude Alegria de Maria - JAM - também gosto muito de falar dos jovens e de jovens.

Nesta página venho falar de JOVENS COM VALOR,
que os há, muitos e mais do que nós pensamos.

Ai se nós nos aproximássemos mais dos jovens, se nós os escutássemos, se nós lhes déssemos a mão em tantas iniciativas lindas e arrojadas que eles tantas vezes começam…

Se os amparássemos mais nos seus legítimos desejos e anseios…

Convido os jovens a lerem estes exemplos de jovens como eles. Mas convido também os adultos a que leiam, que meditem, que fiquem a admirar e a respeitar mais os valores, a força e o querer dos jovens, quando bem orientados e apoiados.

 

 

 
Jovem sindicalista Imprimir e-mail

Mundo operário, evangelização, Cristo, religião, compromisso

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Vivíamos seis em duas divisões. Que poderia fazer em tão pouco espaço ao voltar da fábrica? A tarde entretinha-me a percorrer as ruas, de um lado para o outro.
Tinha dezassete anos. Detinha-me nos largos da minha terra a conversar com as raparigas, via algum filme, tomava uns copos no bar.
Foi precisamente enquanto assim vivia que senti uma chamada. Um jovem que tinha a ajuda de uma coisa a que chamava JOC disse-me certo dia: «Roger, convido-te para a nossa Assembleia-geral». Ali vi alguns jovens que tomavam a palavra; eram rapazes operários, como eu. Era inacreditável. Diziam que era possível mudar as coisas na nossa vida de operários. Utilizavam palavras que eu entendia perfeitamente. Naquela tarde uni-me à luta operária. Diga-se, ainda, que ali se respirava um ambiente sagrado. Havia cânticos que me impressionaram. «Orgulha-te, operário. Sem ti, que seria do mundo?». Os cânticos falavam do amor mais forte do que o ódio, dizendo que era necessário construir um mundo melhor. Palavras verdadeiras, mas como seria possível pôr os jovens em movimento, só com palavras? «Avante, jocista!» Não havia dúvida que era preciso seguir em frente!
Comecei a ser assíduo às reuniões e um dia filiei-me. Quando viram o meu emblema na oficina começaram a atacar-me, o que já era de esperar. Não me atacavam pelo problema dos operários mas sim pela religião, pelos padres. Então aqueles ataques fizeram surgir dentro de mim várias questões sobre a palavra JOC (Juventude Operária Cristã). Era necessário que eu entendesse melhor por que razão a JOC apelava a Cristo. Quando me diziam na oficina:
«Tu andas atrás dos padres», eu replicava: «Não, eu ando é com os jovens trabalhadores». Certo dia, porém, disse-lhes sem hesitações: «Eu sigo a Cristo!». Foi inesperado.
Pedi aos jocistas o livrinho que eles tinham e a que chamavam evangelho. Quando comecei a lê-lo prometi que a minha vida ia mudar. Aceitei ir a uma reunião muito especial, a um retiro. Foi inesquecível. À tarde falavam-nos de Cristo; depois recomendavam-nos que falássemos nós próprios com Ele, quando estivéssemos sozinhos. Eu sabia que na nossa classe operária Cristo não era conhecido; eu, porém, conhecia-O, ouvia-O falar no Evangelho. Ao ler as suas palavras: “Agora chamo-vos amigos”, compreendi que Ele me dizia: “Roger, eu chamo-te meu amigo”.

 

 

 
Um casal… como as outras? Imprimir e-mail

Amor, confiança, fidelidade, firmeza, providência, simplicidade

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Vocês estão loucos! Sem trabalho, sem dinheiro, sem casa!
— Não vês que só tens vinte anos?
— Mas se vocês ainda estão a estudar!
— E se tiverem um filho?
Tínhamos vinte e três e vinte anos. Será que nessa idade se é demasiado jovem para casar? A nossa vontade não brotava do desejo momentâneo. Tinha crescido com os anos, desde que descobríramos, ainda adolescentes, que qualquer coisa de especial nos unia. Cresceu à medida que aprendemos, à nossa custa, que o verdadeiro amor não nos tira a liberdade; quando falávamos horas a fio sobre os nosso conflitos e as nossas diferenças; quando enfrentávamos longas separações, aprendendo a dar valor à riqueza da fidelidade no amor; também quando rezávamos juntos e reuníamos coragem para perdoar e esquecer ou quando optámos pela castidade, porque acreditávamos que o sexo precisa de maturidade e compromisso para se desenvolver plenamente. Além disso, fomos sempre crescendo, visto que nos preocupávamos mais com os problemas dos outros do que com os nossos.
Tínhamos percorrido esse caminho com bastante esforço; agora a meta, esse caminho comum que construíamos com Cristo, já estava próxima. Mas..., que se está a passar? Que são todos estes obstáculos que nos impedem de cruzá-la? Eram obstáculos tais como a falta de rendimentos fixos, a falta de casa, não ter com que adquiri-la e prepará-la: era a «insegurança» total que detinha a muitos.
Nós, após a primeira surpresa, parámos um momento e olhámos à nossa volta: queremos ser como eles? Já temos o mais importante: confiamos plenamente na providência, O nosso amor passou por provas difíceis e é forte; optámos pela simplicidade. De que precisamos, verdadeiramente? De um tecto. Podemos alugá-lo. Será modesto, mas proteger-nos-á igualmente. Dinheiro para comer. Já temos trabalhado no Verão, certamente nos vão conceder uma bolsa. Sabes? Julgo que com este equipamento podemos cruzar a meta. O risco não nos assusta, porque sabemos que Deus nos ama.
E cruzámos a meta. Casámo-nos há três anos. Tivemos pingas lá em casa e passámos um certo frio durante o Inverno. Renovámos muito pouco o nosso guarda-roupa e a nossa comida era simples, mas fomos imensamente felizes. Travámos amizade com muita gente simples. Terminámos os estudos e a amiga providência divina em breve nos arranjou trabalho.
Embora não saibamos o que nos trará a vida, destes primeiros anos de matrimónio conservamos a fortaleza, a alegria e a esperança, que recebemos como garantia de futuro. Por tudo isso, continuamos a dar graças a Deus.
MARIA GLÓRIA

 

 

 
Arantxa, campeã de ténis e de tenacidade Imprimir e-mail

Vontade, segurança, fé, simplicidade

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Podemos dizer que Arantxa Sánchez Vicário satisfaz todas as expectativas que se têm sobre ela: é bem disposta e saudável, ri-se com a candura e a franqueza da criança pequena a quem acabam de contar uma anedota maliciosa, tem um trato muito fácil e é tão robusta como um gladiador. Além disso, e como todos sabem, é muito simpática, tem um brilho de vitalidade nos olhos e uns pais fantásticos.
— Além de gostar da sua forma de jogar, o que me fascina de verdade em si é a segurança incrível que tem da sua pessoa...
— Sim, sempre a tive, desde pequena; é uma coisa natural e, à medida que se vai crescendo, vai-se amadurecendo mais, não é verdade? Eu sempre soube por que razão ia ganhando, quais eram as minhas qualidades, o que devia ir melhorando; sempre pensei de forma muito positiva, tanto dentro como fora do campo, e além disso sempre tive o apoio da minha família. E verdade, como tu dizes, sempre tive muita confiança em mim mesma, ou seja, estou consciente de faço tudo muito bem e de eu própria me posso ultrapassar nos momentos bons e nos momentos mais difíceis.
— Julgo que se propôs chegar ao primeiro lugar quando tinha treze anos...
— Bom, ganhei o primeiro torneio profissional em 1988 e, então, disse para comigo: hei-de chegar a ser a primeira do mundo, e sempre trabalhei muitíssimo para tentar situar-me entre as cinco melhores, e assim fui subindo pouco a pouco. Neste momento sou a número três e vejo que o meu sonho um dia se poderá tornar realidade, porque já estou bastante perto, não? Sempre tive a mente muito tranquila, sou muito sofredora, tenho trabalhado muitíssimo, aguento tudo e nunca me dou por vencida.
Assim é Arantxa. Porque é esta a sua vida e graças a uma reflexão constante e a arrumar a cabeça dessa forma tão simples, e a reafirmar-se, pôde chegar ao lugar que hoje ocupa, e conseguir prodígios tais como não se deixar afectar pela tensão do ambiente...
— Ouvi dizer que você é muito crente...
— Sim, sou crente, muito religiosa, vou todos os domingos à missa, quer esteja em Espanha, quer no estrangeiro; sou muito praticante e acredito muito em Deus.
- E reza todas as noites antes de se deitar?
- Sim, rezo antes de me deitar e também antes das partidas de ténis, peço sempre a Deus que me ajude, e muitas vezes, quando olho para o céu, é para Lhe dar graças.

 

 

 
Carta a Deus escrita por uma jovem estudante Imprimir e-mail

Gratidão, conversão, oração, felicidade

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Deus, se eu soubesse como começar, tudo o resto seria fácil; mas hoje parece-me muito difícil, embora saiba que, se eu começar a carta assim, acabarei por Te contar muitas coisas. Bom, Tu já sabes por onde vou, e conheces-me. Antes de continuar, quero dar-Te graças porque estás sempre à minha espera e eu sei que gostas de mim. No meio deste mundo tão maravilhoso, é bom saber que gostas de mim!... Não me relaciono muito contigo, mas sabes que o desejo. Penso que ninguém tem o exclusivo da verdade, mas todos juntos (todos os homens juntos), se procurarmos com sinceridade, alcançá-la-emos, porque cada pessoa possui um pouco da verdade. Só Tu tens a verdade, porque Tu és a verdade.
Estou certa de que quem julga ter a verdade ainda tem muito que aprender. A minha busca solitária é importante, porque me encontro um pouco mais a mim própria; no entanto, essa mesma busca leva-me a partilhar com os outros. Julgo que, por vezes, o nosso grupo não funciona, embora seja o meio que temos para Te procurar e construir a comunidade. Devemos prosseguir todos juntos, ajudando-nos e respeitando-nos nas parcelas de verdade que tenhamos, e pensando:
«Talvez a sua verdade não seja a minha, mas ajuda-me».
Jesus Cristo, sabes que sou sincera e gostaria de partilhar mais a minha vida contigo, gostaria de Te escutar mais ou, simplesmente, de estar contigo e de saber que Tu estás comigo. Se Eu não soubesse que Te tenho, não saberia que fazer. Sou tão feliz desde que descobri que Tu és a verdade!
Tb no meu grupo, desde que digo o que sinto, me chamam louca, mas se isso é ser louca, viva a loucura! Em minha casa tento superar a minha preguiça, apesar de ser muito preguiçosa.
Não quero esquecer-me de Te dizer que estou muito feliz, porque agora também sinto amor. Sim, sinto amor por todas as pessoas e também pelas que me são mais próximas. Devo pedir-Te perdão pela minha atitude para com os outros e por muito mais coisas que Tu já sabes, porque as viste no meu coração.
Eu quero mudar por Ti, não para me atar a Ti, mas porque Tu me tornas livre, me tornas tão livre! Que maravilha, Jesus Cristo!
Sabes mais uma coisa? Quero ser barro para que Tu me modeles. Se alguma me afastar de Ti, lembra-te que eu Te disse que quero mudar, quero que Tu as o oleiro, que modele o meu coração.
Agora despeço-me; mas, como hei-de despedir-me de Ti, se vais continuar no coração, se todos os meus instantes são teus? Não, não posso despedir-me; Te quero dizer, mesmo que pareça muito romântico: amo-Te, e este «amo-Te» ai mudar a minha vida. Obrigada por Me escutares. Perdoa os borrões, são como da minha vida; então, perdoa a minha vida. Até breve, Senhor.
PATRÍCIA

 

 

 
Salvos do álcool Imprimir e-mail

Alcoolismo, superação, ajuda

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As reuniões abertas dos AA (Alcoólicos Anónimos), em que «não se fazem discursos insuportáveis», mas em que cada um dá a sua própria experiência pessoal e a confronta com a dos outros, levam uns e outros a trocar sugestões para deixarem de beber e para enfrentarem todo o tipo de problemas.
O João é um rapaz alto, moreno, de olhos muito expressivos. Não consegue explicar nada sem mexer continuamente as mãos. Este facto, associado à sua maneira de vestir, confere-lhe um ar solto e alegre. Cármen também é morena; os seus cabelos, atados com uma fita grossa, caem em todas as direcções, como cascata indisciplinada.
— João, porque te tornaste alcoólico?
— Julgo que me tornei alcoólico — fique bem claro que já não sou — porque não reflectia. Comecei por uma imperial, depois por uma caneca... No primeiro ano do secundário apanhei a primeira bebedeira. Tínhamos saído com umas raparigas e, depois de termos passado a tarde com elas, reunimo-nos só o nosso grupo de amigos e começámos a beber cerveja atrás de cerveja. Acabámos todos bêbados. No dia seguinte fiz catorze anos.
— O meu caso foi diferente — diz a Cármen. — Até aos dezoito anos, eu tinha uma imagem de filha-modelo e vivia em conformidade com ela. Cheguei mesmo a ganhar uma bolsa para estudar na Universidade. Quando comecei o curso superior entrou em mim uma espécie de rebelião e comecei a beber nas festas e nos fins-de-semana. Escolheram-me para delegada de turma, mas não correspondia como tal nem estudava absolutamente nada. O álcool atraía-me cada vez mais, porque me fazia esquecer os problemas.
— O álcool domina-nos rapidamente — garante o João — e tudo é pretexto para beber. Eu obtive documentos falsos para demonstrar que era mais velho e assim consegui ter automóvel e tudo... não imaginas — acrescenta com um gesto expressivo. — Comecei a misturar a bebida com a condução e podes imaginar os resultados...
No meu grupo de amigos, medíamos o êxito escolar pelo número de festas a que assistíamos, os casos que tínhamos com raparigas e as vezes que nos embebedávamos. Nos estudos, íamos passando como podíamos. O nosso maior esforço consistia tentar «passar bem», como nós dizíamos.
— Julgo que isso de passar bem — intervém a Cármen — deu cabo de muitos de nós. Os meus pais, ao verem que eu não me concentrava nos estudos, mandaram-me passar o Verão fora, para que assim deixasse alguns grupos de amigos e assentasse a cabeça. Mas isso ainda foi pior, porque na aldeia em que estive, como não tinha diversões, aborrecia-me imenso, passando a ser frequentadora aficionada do bar. Passei assim de beber só aos fins-de-semana a beber todos os dias. O álcool dominou-me por completo. Quando bebia antes das aulas, sentia-me a mais, e tinha vergonha de assistir a elas; apesar disso, depois de viver algum tempo com estes sentimentos, comecei a beber para poder ir às aulas, para aceitar encontrar-me com rapazes e para conseguir ir às festas.
Graças a um amigo — continua Cármen — fui assistir a uma reunião de AA, mas pensei que aquilo não ligava com os meus vinte anos, pois ainda me sentia muito jovem; por outro lado, julgava que sem álcool já não poderia divertir-me, pelo que não voltei lá. Contudo, as tensões, a solidão, o sentimento de culpa, os remorsos e a tristeza iam aumentando à medida que crescia a minha dependência do álcool.
— E uma sensação terrível — comenta João. — O meu estado chegou a um ponto tão desastroso, que os meus pais tiveram de me internar numa clínica e, quando tive alta, passados dois meses, recomecei a beber. Finalmente, chegou o dia em que me convenci de que o álcool era mais forte do que eu, e que precisava de ajuda; foj assim que assisti a uma reunião de AA. A partir de então, há já mais de dois anos, nunca mais bebi um único trago. O que mais me impressionou foi a compreensão demonstrada pelos membros desta associação; ali eu podia mostrar-me tal qual era. Os AA. devolveram-me à Universidade e, desde logo, o meu conceito de «passar bem» mudou completamente. Agora penso de outra maneira.
— A minha experiência é semelhante — reforça Cármen. — Como a minha tristeza e solidão ia aumentando, eu cada vez bebia mais para ficar atordoada e, além disso, levava as minhas amigas a beber cerveja atrás de cerveja, até que um dia percebi, horrorizada, que estava a perder a memória. Foi quando disse para comigo: “Nunca mais volto a beber; no entanto, como sabia que não tinha força de vontade para tanto, recorri de novo aos AA, e aqui estou, e aqui continuo. Agora sou uma rapariga muito diferente, que não quer esquecer essa experiência dolorosa. Passei muito mal. Gostaria de ajudar, sobretudo, os que começam a beber álcool, sem se preocuparem minimamente com o perigo que correm.

 

 

 
Mártires de hoje Imprimir e-mail

Fé, morte, entrega

Uma rapariga chinesa escreve a uma amiga: «Quando receberes esta carta, já estarei na prisão. Tenho de me apresentar na esquadra no dia 14.
Não esqueças essa data memorável... Tive de passar por vários interrogatórios, o primeiro de nove horas, o segundo de três, ontem de cinco. São momentos muito duros.
A minha irmã ficou doente, preocupada comigo, e está no hospital. Reza por mim. Não podes imaginar o meu sofrimento... No dia em que os meus pais viram o meu nome no jornal, entre a lista dos culpados, ajoelharam-se à minha frente, pedindo-me para renegar a minha fé. Então compreendi plenamente pela primeira vez, o que é o sofrimento.
Não tenho nada para te oferecer, a não ser o meu afecto. Ofereço-to, antes de morrer, a ti e às Madres, que foram tão boas comigo. Mesmo que perca a vida, prefiro esta morte à morte eterna, que mereceria se renegasse a minha fé. Canta comigo: Aleluia!»

BERNARDITA

 

 

 
O amor derruba todos os muros Imprimir e-mail

Jovens, compromisso, marginalização, educação, pobreza

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A entrega aos outros com amor derruba todos os muros. Posso dizer que cresci dividido ao meio. Tinha duas escolas: a da minha família, que tentava educar-me para a paz e para o respeito pelo próximo. E a dos meus companheiros da escola e da rua, onde dominava a lei do mais forte.
Fora das aulas eram frequentes as batalhas com pedras entre dois bandos do bairro. Muitos dos meus companheiros os mais frágeis, e os que sentiam a falta de uma presença mais contínua e mais próxima da família, acabavam integrados nos bandos locais, onde as coisas se tornavam mais sérias e se começava a aprender a roubar.
Mais tarde, perto do fim do bacharelato, inscrevi-me na extrema-esquerda. Tentávamos dar uma solução aos problemas que nos afligiam a nós, os jovens. Durante aquele período, eu pensava que a única revolução possível era fazer mudar de ideias os que não pensavam como nós. Sentia-me arrastado por uma corrente juvenil que expressava o seu próprio desacordo. No entanto, notava dentro de mim que as denúncias gritadas pelo megafone não eram suficientes para resolver os problemas dos meus companheiros.
Havia já algum tempo que me tinha afastado da Igreja, embora pertencesse a uma família muito praticante, pelo que, quando uma rapariga me convidou a participar num grupo juvenil da paróquia, aceitei apenas por estar interessado nela.
Foi a primeira pessoa a quem ouvi falar de Deus de forma convincente: pertencia ao Movimento Gen. Deus amava-nos e convidava-nos a fazer o mesmo pelos outros, que viviam ao nosso lado. Contudo, o que mais me impressionou, foi o trabalho concreto que aqueles jovens faziam em favor dos mais pobres.
O primeiro encontro com uma daquelas famílias deixou-me desconcertado. A cena metia dó. O cheiro era insuportável. Um homem, que vivia paralisado na cama, com o único braço que tinha são ameaçava com uma faca a mulher e os cinco filhos. Nenhum dos filhos ia à escola. Andavam sempre ao cartão.
Também eu comecei a recolher papel velho, cartão, trapos e ferro com aquele grupo. Com aquilo que recolhemos começámos a arranjar a barraca. No entanto, o dinheiro que conseguíamos não bastava para cobrir as necessidades destes infelizes. Assim, para aumentar as entradas, comecei a trabalhar com outro amigo num cinema, vendendo bebidas, gelados e guloseimas.
O trabalho de todos tornou possível que, pouco a pouco, as coisas fossem mudando naquela família. Com a assistente social do bairro, conseguimos encontrar uma escola para as crianças, obter uma pensão de invalidez para o marido, e transmitir uma certa serenidade ao drama daquela família.
Sentia-me feliz. Por fim estava a ser útil a alguém. Entretanto, tinha começado a aproximar-me da fé. Voltei também a seguir o Evangelho, que aquela rapariga me tinha proposto, através de um comentário das Sagradas Escrituras, que variava de mês para mês.
Todas as noites — para surpresa dos meus — fechava-me no quarto a ler aquelas palavras que estavam a mudar a minha vida. Pareciam-me novas. Todas elas me incitavam a sair do meu egoísmo e a ir ao encontro dos outros. Sentia-me atraído, de forma especial, pelas pessoas mais necessitadas, pelos últimos, com quem Jesus se tinha identificado; e entre estes, com os jovens.
Comecei a pensar seriamente no meu futuro. Até que, no meio desta busca, me encontrei com um salesiano que me ensinou como podia pôr-me ao serviço dos outros. Compreendi que podia estar ao serviço das pessoas e, em particular, dos jovens, com o estilo de D. Bosco. Foi uma decisão que surpreendeu a todos, sobretudo à minha família.
A primeira experiência foi muito forte. Eu estava a terminar o bacharelato numa escola de um certo prestígio, frequentada sobretudo por jovens ricos. É de imaginar o sacrifício que isto me custava, visto que tinha optado por dedicar a minha vida aos jovens mais pobres. E agora tocava-me trabalhar ao lado daqueles que considerava «filhos do papá», que muitas vezes chegavam à escola com carros impressionantes.
A participação num Genfest foi o que acabou por me abrir o coração de par em par. Fez-me compreender que também aqueles jovens eram «pobres», embora não o fossem de bens materiais. Tinham necessidade de um amor desinteressado, também neles devia reconhecer Cristo.
Assim, da forma radical que o Evangelho requer, tentei aproveitar todas as ocasiões que me eram proporcionada e, em pouco tempo, apercebi-me que entre eles eu tinha sido derrubado o «muro» que nos separava.

Ernesto

 

 

 
Testamento de um jovem Imprimir e-mail

Morte, perdão, oração, guerra

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Ghasibé Kayrouz, jovem cristão libanês, de vinte e dois anos de idade, seminarista, morreu assassinado na noite de Natal entre Balbeck e Nabha, quando se dirigia para a sua aldeia natal, para passar as festas com a sua família. Antes de empreender viagem, teve o pressentimento de que o iam matar, e redigiu uma carta que, mais tarde, viria a ser encontrada em sua casa, em Jammour.
Eis algumas passagens deste emocionante texto de um jovem cristão que sente de perto a morte...

«Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.
Ao começar a escrever este testamento, é como se outra pessoa estivesse a ocupar o meu lugar. Todos, libaneses ou residentes no Líbano, estamos hoje em perigo. Eu sou um deles. Vejo-me assaltado e assassinado no caminho que deveria conduzir-me à minha aldeia de Nabha. E para o caso de este pressentimento chegar a tomar-se realidade, quero deixar algumas palavras à minha família, ao povo da minha aldeia, a todos os habitantes do meu país. A minha mãe e irmãs, digo com toda a certeza: não fiquem tristes ou, pelo menos, não chorem nem se lamentem demasiado. Esta ausência, por muito longa que seja, será sempre curta: voltaremos a encontrar-nos na morada eterna do céu. Não temam: a misericórdia de Deus voltará a reunir-nos.
Tenho apenas um pedido a fazer-vos: perdoai de todo o coração aos que me matarem. Peçam comigo que o meu sangue, embora seja o sangue de um pecador, sirva de fiança pelos pecados do Líbano. Que ele se misture com o sangue de todas as vítimas que já caíram, seja qual for o seu signo ou a sua confissão religiosa; ofereço-o como preço da paz, do amor e da compreensão, que desapareceram neste país e, inclusivamente, no mundo inteiro. Que a minha morte ensine aos homens a caridade; que Deus vos console; cuide de vocês, vos ajude na vida... Não tenham medo. A única coisa que me entristece é que vocês se entristeçam. Rezem, rezem, rezem e amem os vossos inimigos.
Ao meu país, digo o seguinte: os habitantes da mesma casa podem ter pareceres diferentes, mas não se odeiam; podem zangar-se uns com os outros, mas sem se converterem em adversários; podem discutir, mas não se matam. Lembrem-se dos dias antigos, de compreensão e de caridade; deixem que caiam por terra a cólera e os confrontos. Juntos bebemos, comemos e trabalhámos; juntos elevámos a nossa oração ao único Deus; juntos caminhámos para a morte. O meu pai tinha como sócio um muçulmano. Viveram como sócios durante setenta e cinco anos, sem nunca quebrar o seu contrato nem fazer contas.
Lembrem-se disto: há alturas em que é impossível pedir cem libras emprestadas ao próprio irmão e, então, bastar ir ter com algum homem da aldeia, a ele muçulmano, maronita, sunita ou druso, que vos tirará de apuros. Isto não é novidade para ninguém, todos nós o sabemos; no entanto, o pecado cegou-nos.
Cada qual tem de se voltar para a oração, segundo a sua própria fé e a sua própria consciência, para que Deus elimine a cólera e para que os projectos dos poderosos deste mundo sejam reduzidos a pó sobre o solo deste país, que não deve pagar com o seu sangue as suas maquinações.
No céu eu não terei repouso enquanto durar esta situação no Líbano!
Fazei o meu funeral como se fosse o dia da minha ordenação sacerdotal, que seja um dia de enterro ou de tristeza. No que se refere ao meu enterro, que o padre Butros celebre a missa sem assistência numerosa de outros sacerdotes e sem lho comunicar oficialmente. E se Abou-KhaIil pudesse fazer-me o féretro com as tábuas de algumas caixas velhas, sentir-me-ia muito contente. Nada de banquete de enterro. Que as pessoas me perdoem..., não quero tiros nem balas; com efeito, eu sou pó; mas a força de Deus tornar-me-á participante da vida divina…
As pessoas falarão, mas não lhes dêem importância alguma. Mesmo que alimentassem um pouco de piedade, não deixariam de se matar umas às outras e não permitiriam que os lobos fossem melhores do que nós. Como se enganam!».

 

 

 

 
O grandioso do quotidiano Imprimir e-mail

Fé, gratidão, escuta, vida

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Sinto que Deus está no dia-a-dia da minha vida. Devo referir-me ao momento presente, já que a experiência da fé é para mim completamente dinâmica e variável.
Sinto que Deus está presente na minha vida. Não me espera a uma hora fixa, mas simplesmente está em mim e em tudo o que me rodeia, mostrando-Se, ora mais ora menos. No entanto, em cada dia vivo momentos especiais
que vão marcando o meu caminhar. Quando cada manhã vou para o trabalho, seguindo uma estrada maravilhosa, faço trinta quilómetros de acção de graças pelo novo dia, pela vida, pela alegria da luz, porque me sinto privilegiada por poder admirar a beleza do amanhecer e da criação que vai despertando. E o meu tempo de louvor e de adoração.
Durante o dia são as pessoas, no trabalho, na família e nos diversos grupos pelos quais reparto a minha actividade, que me obrigam a ser consequente com aquilo em que acredito. Nunca posso pôr de parte valores como o respeito, a justiça ou a solidariedade. Considero que cada encontro com outra pessoa é muito importante, e não posso referir-me a momentos mais significativos.
E verdade que o pequeno espaço da noite é especial, quando começa a fazer silêncio e revejo o dia que termina, tudo o que recebi, aquilo em que procedi bem e os erros que cometi. É a hora da reconciliação e da paz, mesmo que dure apenas alguns minutos.

Mª TERESA, professora

 

 

 
Alberto Marvelli Imprimir e-mail

Uma figura exemplar para jovens e políticos

«Alberto Marvelli era um jovem e como jovem fez-se santo»; «desta forma, Marvelli recorda-nos que a juventude não é a idade da irreflexão, nem a idade do tempo para queimar e desperdiçar, não é a idade dos caprichos e das diversões».
«A juventude é o tempo mais belo no qual se pode fazer o bem. São Felipe Néri dizia aos jovens do seu tempo: “Felizes vós, jovens, que tendes tanto tempo para fazer o bem!”. Alberto Marvelli tinha compreendido isto e traz aos jovens precisamente esta verdade.
Também era um jovem cristão comprometido em política, onde deixou um sinal de limpeza, de transparência, de dignidade, de correcção, que é uma grande mensagem para os políticos de hoje. Pode-se estar na política e pode-se ser santo, e esta é uma grandíssima mensagem que vem da vida de Alberto Marvelli.
Originário de Ferrara (Itália), onde nasceu a 21 de Março de 1918, Alberto Marvelli era o segundo dos seis filhos de Alfredo, bancário, e Maria, comprometida no associativismo da época – damas da caridade, mulheres da Acção Católica e Oratório salesiano – , cuja figura foi fundamental inclusive no seu crescimento espiritual.
Assim Alberto também participou no Oratório salesiano e na «Acção Católica», onde amadureceu a sua fé com uma opção decisiva: «O meu programa de vida resume-se numa palavra: santidade.
De carácter forte e decidido e amante do Desporto, em especial o ciclismo, Alberto orava, dava catequese e demonstrava zelo apostólico, caridade e serenidade. Elegeu como modelo de vida juvenil Píer Giorgio Frassati (1901-1925).
Terminados os seus estudos universitários em engenharia mecânica em 1941, Alberto teve de se alistar no exército, posto que a Itália estava em guerra – conflito que ele condenou com firmeza – . Foi dispensado. Trabalhou então durante um breve período na empresa de automóveis FIAT de Turim.
Após os acontecimentos que levaram à queda do fascismo e à ocupação alemã do território italiano em 1943, Alberto regressou à sua casa de Rímini. Sabia que a sua missão era converter-se em operário da caridade.
Desenvolveu um grande trabalho de ajuda aos pobres na Segunda Guerra Mundial e foi um dos protagonistas da reconstrução pós-bélica da sua cidade.
Foram tempos nos quais o futuro beato se privava inclusive dos seus sapatos para os dar aos necessitados e deslocava-se constantemente de bicicleta desde a sua cidade aos lugares onde se ocultavam os refugiados para lhes levar alimentos e consolo espiritual, segundo declararam testemunhas no processo de beatificação.
Durante a ocupação alemã, Alberto também conseguiu salvar muitos jovens da deportação. Depois da libertação da cidade em 23 de Setembro de 1945, ao constituir-se a primeira junta do Comité de Libertação, entre os assessores figura o futuro beato, com 26 anos.
Foi-lhe encomendado pôr ordem na concessão de casas na cidade e depois a área da reconstrução, como colaborador do Grupo de Engenheiros Civis. Alberto escreveu: «Servir é melhor do que ser servido. Jesus serve».
Quando em Rímini voltaram a surgir os partidos políticos, inscreveu-se na Democracia Cristã, vivendo o «seu compromisso político como um serviço à sociedade organizada: a actividade política podia ser transformada na expressão mais alta da fé vivida», diz a Santa Sé.
Em 1945 o bispo chamou-o para dirigir os Profissionais Católicos. O seu compromisso sintetizou-se em duas palavras: cultura e caridade. Também fundou uma Universidade popular e abriu um restaurante para pobres, onde ele mesmo os servia e escutava as suas necessidades. Como co-fundador da ACLI («Associação Católica de Trabalhadores Italianos»), formou uma cooperativa para os que se dedicavam à construção.
Demonstrou um autêntico amor à Eucaristia, com a qual mantinha uma relação contínua. Daí tirava forças «para realizar o seu trabalho de redenção e libertação, capaz de humanizar a face da terra», ressalta a Santa Sé.
Ao anoitecer de 5 de Outubro de 1946, enquanto se dirigia de bicicleta a um comício eleitoral - era um dos candidatos à eleição da primeira administração comunal -, um caminhão militar atropelou-o, matando-o. Alberto Marvelli tinha então 28 anos. Toda a Itália chorou a sua morte.

 

 

 

 
Zeferino Namuncurá – O filho dos pampas Imprimir e-mail

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Zeferino era filho do “Senhor dos Pampas”, o grão cacique dos Araucanos.
Aos onze anos, o pai colocou-o na escola do governo, em Buenos Aires. Queria fazer dele o futuro defensor dos Araucanos. Zeferino, porém, ficou insatisfeito e o pai transferiu-o para o colégio salesiano Pio IX. Ali, a graça, transformou um coração ainda não iluminado pela fé numa testemunha heróica de vida cristã. Demonstrou logo um grande interesse pela escola, gostava muito de rezar, apaixonou-se pelo catecismo e tornou-se simpático para os colegas e superiores. Dois acontecimentos lançaram-no na direcção de metas mais altas: a leitura da vida de S. Domingos Sávio, do qual se tornou fervoroso imitador, e a Primeira Comunhão, quando fez um pacto de absoluta fidelidade ao seu grande amigo Jesus. Desde então, este menino, que achava difícil “ficar na fila” e “obedecer ao toque da campainha”, tornou-se um modelo.
O clima de família que se vivia no colégio salesiano fez com que gostasse muito de Dom Bosco. E começou a nascer nele o desejo de ser salesiano sacerdote para evangelizar a sua gente: “Quero estudar para ajudar o meu povo”.
Escolheu S. Domingos Sávio como modelo, e durante 5 anos, através do esforço extraordi-nário tornou-se ele mesmo um outro Domingos Sávio.
Empenhava-se na maneira de rezar, na caridade, nos deveres quotidianos. Este jovem que achava difícil "pôr-se na fila" ou "obedecer ao sino", tornou-se aos poucos um verdadeiro modelo. Como queria Dom Bosco, era exacto na realização dos deveres de estudo e de oração. Era o árbitro no recreio: os colegas obedeciam-lhe no jogo. Impressionava a lentidão com que fazia o sinal da cruz, como se meditasse em cada palavra; com o seu exemplo corrigia os colegas ensinando-os a fazê-lo devagar e com devoção.
Um dia, Zeferino, que era aspirante, foi visto a saltar em cima de um cavalo. E perguntaram-lhe: “Zeferino, do que é que gostas mais?”. Esperavam uma resposta relativa à equitação, mas ele, segurando o cavalo respondeu: “Do que mais gosto é de ser sacerdote”, e continuou a corrida. Ficou doente de tuberculose. Tiveram que o internar num hospital, onde faleceu em 11 de Maio de 1905, deixando atrás de si um caminho de luz, pureza e alegria inimitáveis.
Os seus restos mortais encontram-se agora no Santuário de Fortín Marcedes – Argentina, e o seu túmulo é meta de contínuas peregrinações porque é grande a fama de santidade de que goza entre o seu povo. Foi declarado Venerável em 22/6/1972.
No dia 11 de Novembro, foi beatificado pelo Cardeal D. Tarcísio Bertone.

 

 

 
De médico a sacerdote, Pere Tarrés Claret Imprimir e-mail

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Médico espanhol de origem catalã que se fez sacerdote, apóstolo e formador de jovens:
Já desde jovem estudante e médico «percorreu os caminhos da santidade», e como sacerdote «dedicou-se a uma intensa actividade pastoral e trabalhou, em particular, na formação da juventude da Acção Católica.
Também assessor eclesiástico da associação, Pere Tarrés Claret foi «um grande educador, diz quem o conheceu, que sabia ensinar a amar», reconhece a Acção Católica Italiana.
Originário da cidade de Manresa, onde nasceu a 30 de Maio de 1905, Pere Tarrés Claret era filho de um casal fiel e exemplar formado por Francesc (mecânico de profissão) e Carme. Ele tinha mais duas irmãs.
De carácter alegre e aberto, amante da natureza e contemplativo - descreve a Santa Sé -, Pere habitualmente ajudava numa farmácia cujo dono o animou a prosseguir os estudos, que tinha cursado com os escolápios e os jesuítas.
Graças a bolsas de estudo pôde entrar na Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona. Enquanto residia nesta cidade, participou no Oratório de São Felipe Néri.
Foi membro da Federação de Jovens Cristãos da Catalunha com grande zelo apostólico e tanto na Federação como na Acção Católica desempenhou cargos simultaneamente.
«Para Pere o segredo da vida espiritual dos militantes está na devoção eucarística e no amor filial à Mãe de Deus», afirma a biografia distribuída pela Santa Sé. Com 22 anos, e com aprovação do seu director espiritual, Pere fez voto de castidade.
Em 1928, depois de ter concluído a carreira de Medicina, estabeleceu-se definitivamente em Barcelona. Com o seu colega, o doutor Gerardo Manresa, fundou o sanatório-clínica de Nossa Senhora da Mercê nessa mesma cidade.
Manteve-se «exemplar na caridade e na vida de piedade» durante o exercício da sua profissão médica. Pere jamais perdeu esta «alegria contagiosa» que lhe permitia tratar com respeitosa familiaridade os enfermos».
Durante o agitado período da guerra civil espanhola, refugiado em Barcelona, levava a comunhão escondida atendendo heroicamente numerosos feridos, e não perdeu a ocasião de manifestar a sua fé.
Em Janeiro de 1939 voltou a sua casa e ingressou no Seminário de Barcelona nesse mesmo ano. Foi ordenado sacerdote a 30 de Maio de 1942.
Múltiplas actividades pastorais lhe foram encomendadas em pouco mais de oito anos de presbítero. Entre estas, foi vice-assistente diocesano em Barcelona dos jovens da AC e assistente do centro paroquial das mulheres e das jovens da AC da paróquia de São Vicente de Sarriá.
«Nas diferentes obras apostólicas a ele encarregadas não faltaram dificuldades que o fizessem sofrer, mas ele soube responder com atitudes evangélicas de caridade, prudência e fortaleza, semeando desde a cruz a terra do seu apostolado», aponta a Santa Sé.
Em 1945 escreveu no seu Diário que se sentia «submerso no oceano do apostolado, como havia sonhado por tanto tempo, com o mesmo fogo e entusiasmo que, desde leigo, sentiu pela Federação» de Jovens Cristãos.
Diagnosticado de um linfossarcoma linfoblástico, viveu a sua enfermidade com uma atitude de total abandono em Deus e oferecendo a sua vida pela salvação dos sacerdotes.
Passados três meses, a 31 de Agosto de 1950 Pere Tarrés Claret morreu na clínica que havia fundado.

 

 

 
A misericórdia de Deus fez-me um missionário Imprimir e-mail

A Samaritana, Pedro, Mateus, Agostinho

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Todos conhecemos a Samaritana de que nos fala a Bíblia. É uma personagem bíblica, que nem mesmo o nome nós sabemos, mas a Bíblia diz é que ela era uma samaritana.
Naquela época como sabemos, os judeus e samaritanos não se misturavam, mas Jesus rompeu esta barreira e aproximou-se daquela mulher. No desenrolar da história, Jesus acaba por dizer àquela mulher que ela já tivera cinco maridos e naquele momento o que tinha não era dela. Jesus fez isto com amor, com misericórdia. Só o acto de se aproximar daquela mulher que era desprezada, já era evangelização. Naquele gesto Jesus já estava a evangelizar.
A forma como Jesus acolheu e conversou com aquela mulher transformou a sua vida. Aquela mulher nunca mais foi a mesma.
Ela deixou tudo e foi a correr pela cidade a dizer que encontrou um homem que a conhecia profundamente. Disse às pessoas que era um judeu diferente, um judeu que contara toda a sua vida sem que ela lhe dissesse nada.
Naquele momento ela transformou-se numa missionária. Foi evangelizada e saiu a evangelizar!
Ao longo da história grandes pecadores se tornaram grandes missionários, e grandes santos.
Olhemos para a vida de Santo Agostinho. Quanta farra aquele homem viveu, quantas mulheres passaram na sua vida como um objecto, e hoje ele é um grande exemplo para um povo. O seu pensamento naquela época foi de grande contribuição para a Igreja.
Se te consideras um grande pecador, eu tenho que te dizer que podes ainda ser um grande missionário no Reino de Deus. Aqueles que estavam do lado de Jesus eram grandes pecadores. Olha para Pedro, Mateus e tantos outros. Olha para São Paulo, era um grande perseguidor da Igreja.
Então, meu amigo, não percas tempo! Torna-te um grande missionário onde vives. Não é preciso muita coisa para ser um missionário, apenas coragem e dar testemunho.
Testemunhar é levar as pessoas a experimentar o que experimentaste e experimentas: Jesus!
Eu hoje, sou seminarista, e no próximo ano serei ordenado sacerdote. Mas a minha vida tem sido totalmente longe de Deus. Cresci no meio de bebidas, farras, drogas etc. Como aquela samaritana, eu experimentei o amor de Deus, e hoje vivo uma opção onde procuro ser inteiramente de Deus. A partir desta experiência tornei-me um missionário, não poderia ser diferente. Não há como me calar diante deste grande amor. Há seis anos que deixei a namorada, pais, irmãos, amigos para espalhar o amor de Deus, para ser missionário.

E tu? O que andas a fazer da tua vida? Se um dia a misericórdia de Deus te alcançou, permite que ela alcance outros através de ti. Isto é ser missionário: ser a boca, os braços, as pernas e a misericórdia de Jesus.

Vale a pena ser missionário! Não há alegria maior. Como é gratificante ver pessoas a perdoar, a sair da droga, da prostituição e voltar para a Igreja.
Como é gratificante ver famílias a ser refeitas através do nosso testemunho.

 

 

 
Jovem testemunha como conciliar a fé e a razão Imprimir e-mail

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"O meu nome é Fabiano Landim e sou estudante de Direito da Faculdade Farias Brito, em Fortaleza - Brasil.
A Universidade é meio por excelência da edificação do saber no qual se forjam os novos profissionais do milénio. No longo caminho que percorremos com vistas à profissionalização, deparamo-nos, consequentemente, com a responsabilidade de arquitectar nosso próprio futuro, com as expectativas que temos de nós mesmos e da sociedade que espera de nós algo de bom, algo de grande.
Para o cristão o arquitectar esse futuro deve estar enraizado nos valores fundamentais da vontade de Deus, manifestada pelas Sagradas Escrituras, o Magistério da Igreja e pela oração que é o diálogo profundo com Deus. Pela Vontade Divina vale a pena lutar e se lançar por inteiro não obstante os grandes obstáculos que devemos ultrapassar, como autênticos discípulos e missionários de Jesus Ressuscitado.
Através dos estudos universitários, lançamos mão da ciência, na busca pelo conhecimento, que é uma arma para a realização daquilo que desejamos para nós, daquilo que desejamos contribuir para o mundo. Elevamos assim nossa capacidade técnica e intelectual para um novo patamar do qual nos utilizaremos posteriormente da melhor forma: com a ética e a moral cristã. É certo que nos centros académicos encontramos jovens de todas as culturas, de diferentes formações, e isso é bom para a construção de uma nova sociedade. Porém, torna-se um desafio quando nos encontramos rodeados de conceitos que não nos farão felizes e tampouco convém ao exercício ético da nossa profissão. Desta forma, a ciência, que pode ser instrumento para a constituição de um homem novo e uma sociedade nova, passa a ser uma perigosa arma de destruição e negação da verdade caso não seja bem manejada. Os centros académicos representam em sua essência lugares de emancipação do intelecto, de orientação e revelação da profissão e é exactamente aí nesse ambiente, por vezes hostil à nossa fé, o lugar onde somos chamados, em nossa juventude, a ser autênticas e corajosas testemunhas de Jesus Cristo, O Ressuscitado que passou pela Cruz, com a mesma parresia dos primeiros discípulos.
É indispensável citar as mentalidades que nos rodeiam, tais como o mundanismo que simboliza a ganância desenfreada dando ares de que a riqueza pode satisfazer a todos os nossos anseios e necessidades, caindo no materialismo sem rédeas; o relativismo que quer confundir a nós sobre os conceitos absolutos da fé e da moral cristãs, sobre a verdade de Cristo. Em nome de uma falsa liberdade justifica-se todo conceito e comportamento enquanto na verdade ameaçam constantemente a nossa liberdade autentica e nossa escolha fundamental pelo Evangelho.
Posso falar de maneira particular sobre uma mentalidade, que se vem alastrando entre os jovens e famílias do meu estado, o Ceará: a escolha da profissão motivada pela busca da riqueza. Dá-se preferência aos cursos que levam às profissões mais rentáveis às custas do ideal e da vocação pela qual anseiam e indiferentes às necessidades da sociedade e da humanidade. Que tipo de sociedade teremos no futuro? Uma sociedade que luta para estar no rol dos ricos? Que aumente o fosso entre ricos e pobres? E quem se voltará para o pobre? Nós universitários esqueceremos os pobres, os fracos? A nossa escolha deve ser baseada nesse diálogo profundo com Deus, perscrutando o Seu coração e Sua vontade. Essa caminhada pode parecer um deserto muitas vezes, mas é fato que “Deus quer ardorosamente abrir uma vereda no deserto e assim formar um povo”, um povo que actue nas mais diversas áreas, como na política, nas ciências exactas e humanas e em todos os meios nos quais a humanidade e a vida do próprio homem possam ser enriquecidas. A escolha fundamental por Cristo Ressuscitado não deve ser um momento apenas, (talvez esquecido na nossa adolescência) mas (uma constante crescente) em todo o percurso no qual estamos.
Inseridos num mundo que valoriza cada vez menos a Cristo, onde as incertezas de um futuro bom nos põe em dúvidas constantes sobre a verdade da fé, (nós, universitários católicos) somos aqueles em que Deus põe Sua confiança e deseja que ajamos. A universidade é tempo de inúmeras graças que nós podemos aproveitar sem nos desviarmos do Caminho da Verdade. É tempo de amizades profundas que durarão anos, tempo de escolhas fundamentais das quais nos felicitamos nos tempos que virão. E o bom, nesse tempo, é a escolha renovada da vontade de Deus, isso é grandioso.
O tempo passado na Universidade funciona como uma forja, uma fornalha, que é regida por nós, com a Graça de Deus. Não podemos deixar que o nosso futuro seja subvertido pelo toque de uma cultura que reage contra a verdade e a liberdade. E o remédio para nós é o anúncio explícito de Cristo, o amor-perfeito, que traz a mais perfeita felicidade, a mais concreta alegria, ainda que com tribulações. Estaremos no centro da vontade de Deus quando O fizermos conhecido e amado (também no meio universitário), com gratidão por ter sido Ele quem nos amou primeiro. Enfim, tornaremos plena a nossa vida e serão imensuráveis os nosso actos, tão grandes actos como os dos santos da nossa Igreja, e tão pleno o nosso sim como o de Maria verdadeira Arca do Conhecimento.

 

 

 
Carta de amor à noiva é prova do martírio de um jovem espanhol Imprimir e-mail

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Bartolomé Blanco Márquez é um dos mais jovens membros do grupo de 498 mártires que o Papa Bento XVI beatificou no dia 28 de Outubro de 2007 no Vaticano. Católico comprometido, este leigo de quase 22 anos de idade escreveu a poucas horas de morrer uma comovedora carta à sua noiva Maruja, que se conta como testemunho do seu heróico martírio.

A sua história
Bartolomé nasceu em Pozoblanco em 25 de Novembro de 1914. Órfão desde criança, foi criado por alguns tios e trabalhava de carpinteiro. Foi assíduo aluno do colégio salesiano de Pozoblanco e ajudou como catequista. Aos 18 anos de idade foi eleito secretário da Juventude Masculina de Acção Católica em Pozoblanco.
Nesta cidade foi encarcerado em 18 de Agosto de 1936, quando estava de licença durante o serviço militar que prestava em Cádiz. Em 24 de Setembro foi levado para a prisão de Jaén, onde se encontrou com quinze sacerdotes e outros leigos fervorosos. Aí foi julgado, condenado à morte e fuzilado em 2 de Outubro de 1936.
Durante o julgamento sumário, Bartolomé marcou a perseverança da sua fé e professou com integridade inquebrável as suas convicções religiosas. Não pediu que lhe trocassem a pena capital imposta e perante o tribunal comentou sem se alterar que se ficasse vivo continuaria a ser um católico militante.
As cartas que escreveu na véspera da sua morte aos seus familiares e á sua noiva Maruja constituem uma prova fidedigna da sua fé.
"Seja esta a minha última vontade: perdão, perdão e perdão; mas indulgência, que quero que vá acompanhada de lhes fazer todo o bem possível. Assim, peço-lhes que me vinguem com a vingança do cristão: fazendo muito bem a quem tem tentado fazer-me mal", escreveu às tias e primos.
No dia da sua execução deixou a cela com os pés descalços, para se parecer mais a Cristo. Beijou as suas algemas, surpreendendo o guarda que lhas pôs. Não aceitou ser fuzilado de costas. "Quem morre por Cristo, deve fazê-lo de frente e com o peito descoberto. Viva Cristo Rei!", exclamou e caiu crivado de balas junto a uma árvore.

Texto completo da carta escrita à noiva Maruja
"Prisão Provincial. Jaén, 1 de Outubro de 1936.
Maruja da minha alma:
A tua lembrança me acompanhará à tumba e enquanto houver um batimento do coração no meu coração, este palpitará de carinho para ti. Deus quis destacar estes afectos terrestres, enobrecendo-os quando os amamos nele. Por isso, embora nos meus últimos dias Deus seja a minha tocha e o meu desejo, não impede que a lembrança da pessoa mais querida me acompanhe até à hora da morte.
Estou assistido por muitos sacerdotes que, qual bálsamo benéfico, vão derramando os tesouros da Graça dentro da minha alma, fortificando-a; vejo a morte de cara e na verdade te digo que nem me assusta nem a temo.
A minha sentença no tribunal dos homens será a minha maior defesa diante do Tribunal de Deus; eles, ao querer me denegrir, enobreceram-me; ao querer me sentenciar, têm-me absolvido, e ao tentar perder-me, salvaram-me. Entendes-me? Está claro! Posto que ao me matar me dão a verdadeira vida e ao me condenar por defender sempre os altos ideais de Religião, Pátria e Família, abrem-me de par em par as portas dos céus.
Os meus restos serão inumados num nicho deste cemitério de Jaén; quando ficam poucas horas para o definitivo repouso, só quero pedir-te uma coisa: que em lembrança do amor que nos tivemos, e que neste instante se acrescenta, tem como objectivo principal a salvação da tua alma, porque desta maneira conseguiremos reunir-nos no céu para toda a eternidade, onde nada nos separará.
Até então, pois, Maruja da minha alma! Não esqueça que do céu te vejo, e procura ser modelo das mulheres cristãs, pois no final da partida, de nada servem os bens e gozos terrestres, se não acertarmos a salvar a alma.
Um pensamento de reconhecimento para toda a tua família, e para ti todo meu amor sublimado nas horas da morte. Não me esqueça, minha Maruja, e que a minha lembrança te sirva sempre para ter presente que existe outra vida melhor, e que o consegui-la deve ser a máxima aspiração.
Sê forte e refaz a tua vida, és jovem e boa, e terás a ajuda de Deus que eu implorarei no seu Reino. Até à eternidade, pois, onde nos continuaremos a amar pelos séculos dos séculos. Bartolomé".

 

 

 
O Papa Bento XVI fala de Boécio e Cassiodoro Imprimir e-mail

Boécio e Cassiodoro foram dois escritores eclesiásticos que viveram numa das épocas mais atribuladas do Ocidente cristão, em particular na península italiana.

Boécio,

nascido em Roma por volta do ano 480, da nobre estirpe dos Anícios, entrou ainda jovem na vida pública, alcançando aos 25 anos o cargo de senador. Fiel à tradição da sua família, ele comprometeu-se na política, certo de que era possível harmonizar as linhas fundamentais da sociedade romana com os valores dos novos povos. E neste novo tempo de encontro de culturas, considerou como missão própria reconciliar e unir estas duas culturas, a clássica e romana, com o nascente do povo ostrogodo. Deste modo, foi muito activo na política, inclusive sob Teodorico, que nos primeiros tempos o estimava muito.

Apesar desta actividade pública, Boécio não descuidou os estudos, dedicando-se em particular a aprofundar os temas do tipo filosófico-religioso. Mas escreveu também manuais de aritmética, geometria, música, astronomia: tudo com a intenção de transmitir às novas gerações, aos novos tempos, a grande cultura greco-romana. Neste âmbito, ou seja, no compromisso por promover o encontro das culturas, utilizou as categorias da filosofia grega para propor a fé cristã, buscando uma síntese entre o património helênico-romano e a mensagem evangélica. Precisamente por isso, Boécio foi qualificado como o último representante da cultura romana antiga e o primeiro dos intelectuais medievais.

A sua obra mais conhecida é o «De consolatione philosophiae», que compôs na prisão para dar sentido à sua injusta detenção. Havia sido acusado de complô contra o rei Teodorico por ter defendido um amigo num juízo, o senador Albino. Mas não se tratava de um pretexto: na verdade, Teodorico, ariano e bárbaro, acreditava que Boécio era simpático ao imperador bizantino Justiniano. Processado e condenado à morte, foi executado quando tinha apenas 44 anos.

Por causa da sua dramática morte, ele pode falar também a partir da sua experiência ao homem contemporâneo e sobretudo às numerosas pessoas que sofrem o mesmo por causa da injustiça presente em boa parte da «justiça humana». Nesta obra, na prisão, busca consolo, busca luz, busca sabedoria. E diz que soube distinguir, precisamente nesta situação, entre os bens aparentes – na prisão estes desaparecem – e entre os bens verdadeiros, como a autêntica amizade, que na prisão não desaparecem.

O bem mais elevado é Deus: Boécio aprendeu – e nos ensina – a não cair no fatalismo, que apaga a esperança. Ele nos ensina que não somos governados pelo destino, mas pela Providência, e esta tem um rosto. Com a Providência pode-se falar, porque a Providência é Deus. Deste modo, inclusive na prisão, resta-lhe a possibilidade da oração, do diálogo com Aquele que nos salva. Ao mesmo tempo, inclusive nesta situação, ele conserva o sentido da beleza da cultura e recorda o ensinamento dos grandes filósofos antigos, gregos e romanos.

A filosofia, no sentido da busca da verdadeira sabedoria, é, segundo Boécio, o verdadeiro remédio da alma (Livro I). Por outro lado, o homem só pode experimentar a autêntica felicidade na própria interioridade (Livro II). Por isso, Boécio consegue encontrar um sentido ao pensar na própria tragédia pessoal à luz de um texto sapiencial do Antigo Testamento (Sabedoria 7, 30-8, 1) que ele cita: «... sobre a Sabedoria não prevalece o mal. Ela estende-se com vigor de um extremo ao outro do mundo e governa o universo com bondade» (Livro III, 12: PL 63, col. 780).

A assim chamada «prosperidade dos malvados», portanto, converte-se em mentirosa (livro IV), e manifesta a natureza providencial da fortuna adversa. As dificuldades da vida não só revelam até que ponto esta é efémera e breve, mas que se demonstra inclusive útil para encontrar e manter as autênticas relações entre os homens. A fortuna adversa permite, de facto, distinguir os amigos falsos dos verdadeiros e dá a entender que não há nada mais belo para o homem que uma amizade verdadeira. Aceitar fatalistamente a condição de sofrimento é algo totalmente perigoso, acrescenta o crente Boécio, pois «elimina na sua própria raiz a possibilidade da oração e da esperança teologal, que constituem a base da relação do homem com Deus» (Livro V, 3: PL 63, col. 842).

Na prisão, ele escreve: «Lutai, portanto, contra os vícios, dedicai-vos a uma vida de virtude orientada pela esperança, que eleva o coração até alcançar o céu, com as orações alimentadas de humildade. A imposição que haveis sofrido pode mudar, se vos negais a mentir, na vantagem enorme de ter sempre ante os olhos o juiz supremo que vê e que sabe como as coisas realmente são» (Livro V, 6: PL 63, col. 862).

Cada detido, independentemente do motivo pelo qual tenha acabado na prisão, intui como é dura esta particular condição humana, sobretudo quando é embrutecida, como aconteceu com Boécio, pela tortura. Mas é particularmente absurda a condição daquele, como Boécio, a quem a cidade de Pavia reconhece e celebra na liturgia como mártir na fé, que é torturado até a morte pelo único motivo das suas próprias convicções, políticas e religiosas. Boécio, símbolo de um número imenso de detidos injustamente de todos os tempos e de todas as latitudes, é de facto uma porta objectiva para entrar na contemplação do misterioso Crucifixo do Gólgota.

Cassiodoro

Marco Aurélio Cassiodoro foi contemporâneo de Boécio. Calabrês, nascido em Squillace por volta do ano 485, morreu muito ancião em Vivarium, por volta do ano 580. Procedente também de um elevado nível social, ele se dedicou à vida política e ao compromisso cultural como poucos outros no Ocidente romano do seu tempo. Talvez os únicos que poderiam se igualar a ele neste duplo interesse eram o já recordado Boécio, e o futuro Papa de Roma, Gregório Magno (590-604).

Consciente da necessidade de não deixar no esquecimento todo o património humano e humanista acumulado nos séculos de ouro do Império Romano, Cassiodoro colaborou generosamente, nos mais elevados níveis de responsabilidade política, com os povos novos que haviam atravessado as fronteiras do Império e se haviam estabelecido na Itália. Também foi modelo de encontro cultural, de diálogo, de reconciliação. As vicissitudes históricas não lhe permitiram realizar seus sonhos políticos e culturais, que buscavam criar uma síntese entre a tradição romano-cristã da Itália e a nova cultura gótica. Aquelas mesmas vicissitudes o convenceram sobre o carácter providencial do movimento monástico, que ia se afirmando nas terras cristãs. Decidiu apoiá-lo, dedicando a isso todas as suas riquezas materiais e as suas forças espirituais.

Teve a ideia de confiar precisamente aos monges a tarefa de recuperar, conservar e transmitir às gerações futuras o imenso património cultural dos antigos, para que não se perdesse. Por isto fundou Vivarium, um cenóbio no qual tudo estava organizado de maneira a que se estimasse como extremamente belo e irrenunciável o trabalho intelectual dos monges. Estabeleceu também que os monges que não tinham uma formação intelectual não se dedicariam só ao trabalho material, da agricultura, mas também à transcrição dos manuscritos para que deste modo ajudassem na transmissão da grande cultural às futuras gerações.

E isso sem que fosse em detrimento algum do compromisso espiritual monástico e cristão e da actividade caritativa pelos pobres. No seu ensino, distribuído em várias obras, mas sobretudo no tratado «De anima e no Institutiones divinarum litterarum», a oração (C. PL 69, col. 1108), alimentada pela Sagrada Escritura e particularmente pela meditação assídua dos Salmos (cf. PL 69, col. 1149), tem sempre um lugar central como comida necessária para todos.

Este douto calabrês introduz assim a sua «Expositio in Psalterium»: «Rejeitadas e abandonadas em Ravena as solicitudes da carreira política, caracterizada pelo sabor desgostoso das preocupações mundanas, tendo desfrutado do Saltério, livro caído do céu como autêntico mel para a alma, lancei-me avidamente como um sedento para escrutá-lo e deixar-me penetrar totalmente por essa doçura saudável, depois de me ter saciado das inumeráveis amarguras da vida activa» (PL 70, col. 10).

A busca de Deus, orientada à sua contemplação – escreve Cassiodoro –, continua sendo o objectivo permanente da vida monástica (cf. PL 69, col. 1107). Contudo, acrescenta que com a ajuda da graça divina (cf. PL 69, col. 1131.1142), pode se desfrutar melhor da Palavra revelada, utilizando as conquistas científicas e culturais «profanas» que os gregos e os romanos possuíam (cf. PL 69, col. 1140). Cassiodoro dedicou-se pessoalmente aos estudos filosóficos, teológicos e exegéticos sem particular criatividade, mas prestando atenção nas intuições que considerava válidas nos demais. Lia com respeito e devoção sobretudo Jerónimo e Agostinho. Deste último, dizia: «Em Agostinho há tanta riqueza que me parece impossível encontrar algo que já não tenha sido tratado abundantemente por ele» (cf. PL 70, col. 10).

Citando Jerónimo, exortava os monges de Vivarium: «Não alcançam a palma da vitória somente aqueles que lutam até derramar o sangue ou que vivem na virgindade, mas também todos aqueles que, com a ajuda de Deus, vencem os vícios do corpo e conservam a recta fé. Mas para que possais vencer com a ajuda de Deus mais facilmente os estímulos do mundo, permanecendo nele como peregrinos em contínuo caminho, buscai antes de tudo a saudável ajuda sugerida pelo primeiro salmo, que recomenda meditar dia e noite na lei do Senhor. O inimigo não encontrará, de facto, nenhuma entrada para vos assaltar se a vossa atenção está ocupada em Cristo» («De Institutione Divinarum Scripturarum», 32; PL 69, col. 1147).

É uma advertência que também podemos considerar como válida para nós. Vivemos, de facto, também nós, num tempo de encontro de culturas, de perigo de violência que destrói as culturas, e no qual é necessário o compromisso para transmitir os grandes valores e ensinar às novas gerações o caminho da reconciliação e da paz. Encontramos este caminho orientando-nos para o Deus com rosto humano, o Deus que se nos revelou em Cristo.

 

 

 
QUE GRANDE LIÇÃO DE VIDA!!! Imprimir e-mail

Apresento a seguir a vida de um jovem chamado Nick Vujiicic, que não tem braços nem pernas.

Cada vez me convenço mais que a grandeza humana está na alma, e não no corpo; ela foi criada à imagem e semelhança de Deus. Não se deve desprezar o corpo, mas é preciso valorizar muito mais a alma.

Esta é a crise da humanidade de hoje: colocou o corpo sobre a alma, esmagando-a; por isso o homem hoje é infeliz. Aprendamos com Nick o que é ser feliz. Penso que Deus às vezes permite esta “tragédia” com um jovem tão bonito, para nos ensinar a não reclamar da vida e sempre darmos graças a Deus pelo que temos, somos e podemos fazer.

“O meu nome é Nick Vujicic e agradeço a Deus por ser usado como testemunho para tocar milhares de corações em todo o mundo. Nasci sem os membros, e os doutores não têm qualquer explicação médica para isto. Como deves imaginar enfrentei muitos desafios e obstáculos.”

“Os meus pais são Cristãos. Eles não tiveram tempo para se preparar para o meu nascimento. Todos choraram o meu nascimento, e se perguntaram porque é que Deus permitiu que aquilo tivesse acontecido com a minha família, sendo que a minha mãe me deu uma irmã e um irmão normais.”

“Todos achavam que eu não sobreviveria. Quando fiz 15 anos passei a dedicar a minha vida a Deus. Hoje tenho 23 e terminei o meu curso universitário de comércio, formando-me em planeamento financeiro e contabilidade.”

“Também dou palestras de motivação. Tenho muitos objectivos… quero ser independente financeiramente até fazer 25, quero ter um carro adaptado para mim, e quero escrever muitos livros… Estou a escrever o meu primeiro livro ’sem braços, sem pernas, sem preocupações’.

Nick Vujicic

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José Kowalski Imprimir e-mail

José Kowalski

nasceu em Rzeszów, Polónia, no dia 13 de Março de 1911,
sétimo de nove filhos.
Os seus pais, católicos praticantes, eram agricultores,
proprietários de um modesto sítio.

Depois da escola primária, inscreveram-no no colégio salesiano de Oswiecim (Auschwitz). José distinguiu-se logo pelo empenho no estudo e no serviço, e pela alegria sincera. Enamorou-se literalmente do carisma salesiano e do seu Fundador, do qual procurou seguir o exemplo em tudo: empenho na animação alegre das festas religiosas e civis, presença apostólica junto dos colegas e, em particular, o primado da vida espiritual.

Desde jovem estudante deu início à redacção de um diário, que nos transmite a devoção a Maria Auxiliadora e à Eucaristia:

"Ó minha Mãe, eu devo ser santo porque é este o meu destino. Ó Jesus, ofereço-te o meu pobre coração. Faz com que eu nunca me afaste de Ti e que permaneça fiel até à morte: antes morrer do que Te ofender, nem mesmo com um pequeno pecado. Quero ser um salesiano santo, como o foi o meu pai Dom Bosco".

Recebeu a ordenação sacerdotal em Cracóvia no dia 29 de Maio de 1938. Cuidava na paróquia de um coro juvenil e ocupava-se dos jovens mais difíceis. A Polónia foi ocupada, mas os salesianos continuaram o trabalho educativo. Esta foi a razão principal da dramática prisão em 23 de Maio de 1941: a Gestapo capturou o P. Kowalski com outros onze salesianos, que trabalhavam em Cracóvia.

Foi internado primeiramente na prisão de Montelupich na mesma cidade; no dia 26 de Junho, foi transferido para o campo de concentração de Auschwitz, recebendo o número 17.350. No lager dedicou-se secretamente ao apostolado: confessava, celebrava missas, recitava o terço, fazia conferências escondidas, reforçando nos companheiros de prisão a vontade de lutar pela sobrevivência. Sofreu violências, vexações e humilhações.

Descoberto com o terço recusou-se a pisar sobre ele, acelerando assim o martírio, que se deu em Auschwitz no dia 4 de Julho de 1942. O seu corpo foi lançado no depósito de excrementos, e depois queimado no crematório do campo. Os seus conterrâneos começaram a venerar a sua memória, crendo que o seu sacrifício tinha fecundado as vocações polacas.

O Papa João Paulo II beatificou-o em Varsóvia no dia 13 de Junho de 1999.

 

 

 
É preciso ser o que Deus quer! Imprimir e-mail

Quero partilhar o que o Senhor por meio do Seu Espírito Santo tem feito na minha vida e no meu ministério, e espero do fundo do coração que esta partilha vos possa ajudar a uma abertura maior à novidade de Deus por que renova todas as coisas no seu Espírito.

Eu venho de uma experiência de conversão profunda, tendo passado 5 anos da minha adolescência e início de juventude no mundo das drogas, de uma sexualidade pervertida. Isto aconteceu até ao dia em que tive um encontro pessoal com Jesus há mais ou menos 14 anos atrás.

A partir deste encontro pessoal com Jesus deixei tudo o que vivia no mundo e mergulhei numa vida em Deus, e comecei com todo o fervor a “buscar as coisas do alto”. Deus conduziu-me a uma vida austera, a uma decidida busca da vivência radical do Evangelho e da sua palavra, onde tudo se fazia novo a cada dia e sentia o Espírito do Senhor conduzir-me em cada passo que dava.

Abri-me à novidade de Deus, e comecei a perceber que o próprio Senhor pela moção do Espírito me foi conduzindo à Sua plena vontade para a minha vida – ser sacerdote da Igreja. Não foi fácil aceitar o convite, pois tinha projectos pessoais para a minha vida e muitos sonhos que aos poucos fui percebendo não ser os sonhos de Deus e nem muito menos os projectos do Senhor para mim: “Sei muito bem do projecto que tenho em relação a vós. É um projecto de felicidade, não de sofrimento: dar-vos um futuro, uma esperança”. (Jr 29, 11). Tomo este texto do profeta Jeremias, na sua carta aos exilados, para testemunhar que ao me abandonar ao projecto do Senhor para a minha vida, pude experimentar a plenitude da felicidade, descobri então, o meu lugar na Igreja – ser Padre!

Sempre fui ousado, e hoje tenho experimentado os frutos desta ousadia no meu ministério. Tenho apenas um ano e quatro meses de Padre, e tenho visto o Senhor fazer coisas tremendas por meu intermédio, não porque eu seja bom, mas porque me abandono todos os dias nas suas mãos e desejo ser melhor e ser usado pelo Senhor. Tenho visto conversões, milagres, vidas renovadas e restauradas pelo meu sim. Recordo-me das palavras de Santa Catarina de Sena, também usadas por João Paulo II: “Se fordes o que deveis ser, poreis fogo no mundo”. O que mais quero hoje é ser o que devo ser, ou seja, assumir toda a unção que é prometida por Jesus no meu ministério sacerdotal, colocar-me sempre à disposição do Espírito Santo para Ele fazer em mim e através de mim o que Ele quiser e não o que eu quero, ser cada dia mais conduzido pelo Espírito e pela palavra de Deus.

Só posso dizer-te: deseja do fundo do teu coração fazer a experiência com o Espírito Santo, abre-te aos dons e ministérios que o mesmo Espírito Santo concede de graça, e deixa que o próprio Senhor te leve a ser o que deves ser. Não tenho dúvidas que a tua casa não será a mesma; a tua família não será a mesma; o teu casamento não será o mesmo; os teus amigos não serão o mesmo; a tua escola e faculdade não serão os mesmos; a tua vida vai ser transformada e tu serás instrumento do poder de Deus por onde passares. O mundo precisa de ver este lindo espectáculo, Satanás precisa de ser derrotado pela nossa entrega ao Senhor e pela nossa abertura ao Espírito Santo, aos seus dons, carismas e frutos. Deus conta comigo e contigo!

Sê tu assim também! Assim vamos permitir que o Espírito Santo renove a face da terra!

Pe. Roger Luís

 

 

 
Jovem com paralisia cerebral aprovada no exame da Ordem dos Advogados Imprimir e-mail

Uma jovem de 26 anos com paralisia cerebral surpreendeu ao ser aprovada numa das provas mais difíceis do país: o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O seu nome é Flávia Cristiane Fuga. Ela vem de um parto complicado que deixou sequelas. As dificuldades foram superadas ao longo da vida. Com o apoio dos pais, a menina, sempre sorridente, procurou viver da maneira mais normal possível. Na escola, sempre obteve as melhores notas.
Hoje, ela é mais uma vez o orgulho da família: formou-se em advocacia e é a primeira portadora de paralisia cerebral de São Paulo a passar na prova da OAB e a obter carteira de advogada. Nas provas que fez, apenas 3%, dos quase 18 mil inscritos, foram aprovados. Agora, Flávia tem autorização para actuar como advogada em qualquer parte do País.
O computador também não é barreira para ela. Um programa especial permite que Flávia domine os recursos da máquina.
A nova advogada vai trabalhar com o pai, que também é advogado. Com o auxílio do computador, Flávia irá advogar em serviços que dispensam o uso da voz.

 

 

 
Uma jovem sem pernas Imprimir e-mail

 Moçambique:  

Uma jovem sem pernas“andava” 4 kms para ir à missa 

Uma jovem não olhava a esforços para participar na missa: arrastava-se pelo chão, com a ajuda dos braços, 4 quilómetros, todos os domingos, para ir à missa.

Umas religiosas conseguiram a compra de uma cadeira de rodas para a jovem, chamada Olívia, de 25 anos, que a estreou no dia do seu baptizado.

Antes de ter a cadeira de rodas, «a areia do caminho queimava-lhe as palmas das mãos na época de maior calor», mas ainda assim ia gatinhando para a eucaristia, «dando um testemunho de superação e de fé heróica».

As religiosas encontraram-se com Olívia num caminho da localidade africana, após «verem ao longe que algo se movia rente ao chão». Elas constataram, para sua surpresa, que era uma jovem. Esta jovem deficiente também tem a ajuda do pároco de Chissano, que atende pastoralmente «um território muito extenso e com infinidade de fiéis com graves necessidades».

Para preparar Olívia para receber o sacramento do Baptismo, o sacerdote enviou de forma periódica uma catequista a casa dela. 

 
Eduardo, um jovem cristão íntegro Imprimir e-mail

EDUARDO, um jovem cristão íntegro

Foi um jovem simpático, feliz, alegre, foi um cristão íntegro 

Chamo-me Eduardo. Terminei o meu Curso em Madrid. Tive a sorte de ter nascido de uma família eminentemente cristã. Assim fui educado e assim tenho crescido.

Sinto-me muito feliz com a minha fé. Tento ser cristão a sério, não gosto de meias tintas. E não me é fácil viver a fé no ambiente actual e na Universidade.

Cada manhã rezo. Rezo e tento que a minha oração seja um verdadeiro encontro com o Senhor. Os meus problemas, as minhas esperanças, inquietudes e alegrias, passo-as pelo filtro da oração, e isso faz-me muito feliz e enche-me. Desse estupendo momento tiro a força para todo o dia, para me enfrentar com o mal e a apatia, a mediocridade; luto e noto como o Senhor me ajuda a vencer as tentações.

Naturalmente vou à Missa todos os dias. É o melhor que me acontece. Preciso da Eucaristia. Cristo é tudo para mim. Que seria eu sem Ele? Só Ele tem palavras de vida eterna. Eu quero-O. Em cada Eucaristia Ele torna-se presente, vem até mim, protege-me, dá-me esperança, olha para mim com bondade e amor.

Sinto-me doente, penso que bastante mal. Estão-me a fazer diversas análises no hospital e penso que isto agrava-se. Confio em Deus e peço-Lhe que se faça segundo a Sua vontade. Eu, é o que rezo.Nesta altura estou internado, os meus pais e irmãs têm vindo ter comigo. Encontram-me muito tranquilo. Todos sabemos que estou muito mal, por isso digo-lhes que, se morrer, a primeira coisa a fazer é rezarem por mim.Quero que a passagem seja fácil e que o Senhor não seja duro no juízo, que Se manifeste como um Pai bom. Penso que no Céu de certeza que será como numa grande reunião, encontrarei gente muito boa, a Virgem Maria e os Santos.

A minha mãe não se separa de mim nem um instante. Que momentos, Senhor, tenho passado com ela! Falamos de tudo. Os meus pais e eu temos muita confiança e também falamos das coisas de deus, é fácil para nós. Eles ensinaram-me a rezar e a amar. Agora que sei que estou doente, tento prepará-los para o golpe forte da minha morte. Não tenho salvação. Eu vou encontrar-me com Deus, mas eles permanecerão aqui sofrendo, a separação é dolorosa, porque a fé não tira a dor.Há dias em que me encontro com vontade de falar e aproveito:Para a viagem é preciso estar sempre pronto. Da mãe da terra, até à Mãe do Céu.

Lá do Céu vou estar muito próximo de ti, mãe; verás que vantagens vais ter com um filho junto de Deus.Quando eu morrer, chore como uma mulher forte da Bíblia, conformada com a vontade de Deus. Desejo a saúde, mas se o Senhor a tira, fico também contente.É preciso procurar Deus. Ele é tudo. Esta doença é, como dizia S. Teresa, “uma má noite numa má pousada”.A misericórdia de Deus é muito grande. Esta força não é minha. É de Deus.Enterrai-me nu, como o Senhor. Colocai uma cruz sem Cristo, que é a minha. Ficai serenos, é a vontade de Deus.

Tenho 23 anos e vou morrer. Senhor, tende misericórdia de mim, pobre pecador. O último sorriso é para a Virgem Maria.

 
Afonsa, a primeira santa indiana Imprimir e-mail

Santa Afonsa da Imaculada Conceição

A canonização da primeira santa indiana, Afonsa, no dia 12 de Outubro, em Roma, teve uma ressonância especial no seu país natal.

No momento de ser canonizada no Vaticano, a santa reuniu mais de 50 mil cristãos naquele dia, hindus e muçulmanos em torno do seu túmulo, em Bharananganam, Kerala, na ÍNDIA.

Nascida em 19 de Agosto de 1910, na aldeia de Kudamaloor, Anna Muttathupadathu perdeu a sua mãe quando era ainda muito jovem. Apesar dos intentos da sua tia, que a criou de forma muito estrita, para a dissuadir, ela insistia desde muito jovem em entrar num convento.

Depois de se mutilar voluntariamente para escapar ao matrimónio, a sua tia autorizou-a a entrar nas clarissas, onde tomou o nome de irmã Afonsa da Imaculada Conceição. Ali permaneceu, sofrendo graves e dolorosas doenças, mas demonstrando sempre uma grande compaixão, até à sua morte prematura em 1946, aos 36 anos.

A sua fama de santidade não demorou em atrair multidões cada vez mais numerosas, de todas as confissões, que iam recolher-se em oração diante do seu túmulo.

Curas milagrosas conduziram a modesta religiosa à beatificação, em 1986.

Foi canonizada no dia 12 de Outubro de 2008 por Bento XVI.

 
UM SANTO DE CATORZE ANOS Imprimir e-mail

No dia 20 de Novembro de 2005 foi beatificado José Luís Sanches del Rio, um jovem de 14 anos que morreu mártir na perseguição religiosa mexicana dos chamados “cristeros”.
Por decisão do Papa Bento XVl, José Luís Sanchez del Rio foi beatificado juntamente com mais12 mártires de Guadalajara, assassinados por ódio à fé, durante o regímen de Plutarco Elias Cálies, no princípio do Século XX.
José Luís nasceu em Sahuayo, em 28 de Março de 1913 e morreu em 1 de Fevereiro de 1928, quando foi martirizado por defender a fé.
O martírio foi presenciado por dois amigos, duas crianças de sete e nove anos. Um deles, que é hoje o famoso P. Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, narra o seguinte no seu livro “A minha Vida é Cristo “:
José Luís foi capturado pelas forças do governo que lhe pediram que renegasse a sua fé em Cristo sob pena de morte. José não aceitou a apostasia.
Então cortaram-lhe a pele das plantas dos pés e obrigaram-no a caminhar até ao cemitério. Ele chorava, gemia de dor, mas não cedeu. De vez em quando paravam e diziam-lhe: se gritares, “morra Cristo Rei”, perdoamos-te a vida. Diz: “Morra Cristo rei”. Mas ele respondeu: “Viva Cristo Rei.” Finalmente José Luís morreu gritando: “Viva Cristo Rei”, enquanto os assassinos disparavam contra ele.

 

 

 
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