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A Morte
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Não mascarar a morte |
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Devemos viver bem, para morrer bem
Todos passamos ou vamos passar pela experiência da perda de um ente querido, do mesmo jeito que todos sabemos que um dia morreremos.
A vida não nos pertence, assim como os nossos entes queridos não nos pertencem. Somos de Deus. Estamos aqui de passagem; não temos morada definitiva aqui, mas caminhamos para a Jerusalém celeste. O céu é a nossa pátria.
A misericórdia infinita de Deus reserva um lugar para cada um de nós. Ninguém deve temer o dia do Juízo Final. Para muitos, este será o grande momento de redenção perante o mundo, já que foram vítimas de calúnias, injustiças, mentiras e sofrimentos. O Juízo será o momento histórico de reabilitação. Nunca deveríamos ter medo de nos encontrar com o Juiz verdadeiro, que é Deus, porque Ele não é um juiz que me julga: Ele acima de tudo é um juiz que me ama.
Nós experimentamos a morte como herança do pecado. A morte é obra-prima do demónio, conforme está no livro de Sabedoria 2; foi por inveja dele que a morte entrou no mundo, e por isso, sofremos tanto.
Também por isso é fundamental redescobrirmos o sentido cristão da morte. Sem isso é quase impossível a cura dos nossos traumas.
O ser humano foi criado para a imortalidade, por isso, não gosta de reflectir e muito menos conversar sobre a morte, o que não nos livra dela. Muito mais prudente é pensar no assunto, já que a nossa alma é imortal.
Pensar na morte ajuda-nos a preparar melhor para esse grande e inevitável dia. Todos iremos morrer, e logo depois da morte vem o Juízo.
"A morte é terrível para o pecador, mas não para o justo". Pois "o justo, na morte, é como uma árvore que tomba para produzir, na eternidade, frutos ainda mais belos; o pecador é a árvore cortada na raiz para ser atirada ao fogo, conforme ensina a Palavra: “Toda a árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo” (Mt 3,10).
A alma fixa-se no estado em que se encontra. Não escolhemos a hora da morte – mas escolhemos o modo de vida (ou de morte) da nossa alma.
Todos somos predestinados ao Céu – Deus quer a salvação de todos.
Mas Ele não nos obriga a querer o mesmo.
Como “não sabemos o dia nem a hora”, a sabedoria consiste em estar sempre preparados. Somos todos julgados após a morte. É o juízo particular. Penetrando na eternidade, apresentamo-nos diante do rei – e a nossa veste deve ser branca (Mt 22, 1s). Por isso devemos viver bem para morrer bem. Assim, a morte não nos apavora. Em vez de medo, há confiança.
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AS PORTAS DA MORTE |
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Já que somos cristãos, já que sabemos que havemos de morrer e que somos imortais, saibamos usar da morte e da mortalidade: tratemos desta vida como mortais, da outra como imortais.
Pode haver loucura mais rematada, pode haver cegueira mais cega, que empregar-me na vida que há-de acabar, e não tratar da vida que há-de durar para sempre?
Cansar-me, matar-me pelo que forçosamente hei-de deixar, e do que hei-de lograr ou perder para sempre não fazer nenhum caso?
Tanto medo, tanto receio da morte temporal, e da eterna nenhum temor?
Mortos, mortos, desenganai estes vivos!
Dizei-nos que pensamentos e que sentimentos foram os vossos, quando entrastes e saístes pelas portas da morte.
A morte tem duas portas:
uma porta de vidro, por onde se sai da vida; outra porta de diamante, por onde se entra na eternidade.
Entre estas duas portas se acha subitamente um homem no instante da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem adiar, senão entrar para onde não sabe, e para sempre.
Oh que transe tão apertado! Oh que passo tão estreito! Oh que momento tão terrível!
Aristóteles disse que entre todas as coisas terríveis, a mais terrível é a morte.
Disse bem, mas não entendeu o que disse.
Não é terrível a morte pela vida que acaba, senão pela eternidade que começa.
Não é terrível a porta por onde se sai; a terrível é a porta por onde se entra.
Se olhais para cima, uma escada que chega até ao céu; se olhais para baixo, um precipício que vai parar no inferno. E isto incerto!
Mostrou Deus uma visão ao profeta Amós, (que era um homem do campo), e perguntou-lhe o que via.
Respondeu o profeta:
- Senhor, vejo uma vara comprida e farpada, com que os rústicos alcançamos a fruta e a colhemos das árvores.
Pois essa vara que vês, – diz Deus, – é a morte.
Todo esse mapa do mundo é um pomar. As árvores, umas altas, outras baixas, são as diversas gerações e famílias.
Os frutos, uns mais maduros, outros menos, são os homens. A vara, que alcança os ramos mais levantados, é a morte: colhe uns e deixa os outros.
Ah, Senhor, que essa é a morte como havia de ser, e não como é!
Quem entra a colher num pomar, passa pelos pomos verdes e colhe os maduros. Mas a morte não faz assim; deixa os maduros e colhe os verdes.
E já se colhera só os frutos verdes, colhera frutos:
mas a queixa minha é, que deixa de colher os frutos e colhe as flores.
Alerta, flores, que a Primavera da vida é o Outono da morte! A foice segadora que traz na mão, instrumento é do Agosto e não do Abril.
Arma-se com ardilosa impropriedade a morte: ameaça as espigas, para que se desacautelem as flores.
António Vieira
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Fiquemos atentos às visitas de Jesus! |
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A oração e o sacrifício de alguém por nós, salva-nos. As nossas lágrimas sinceras tocam o coração de Deus. Jesus viu a viúva de Naim, que acabara de perder o seu filho único, e encheu-se de compaixão: "Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e disse-lhe: Não chores! Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: Jovem, eu te ordeno, levanta-te! O que estava morto sentou-se e começou a falar" (Lc 7,13-15).
O Senhor não se cansa de visitar o seu povo constantemente, e nós precisamos de estar atentos às Suas visitas.
O Senhor é um Deus atento às nossas necessidades, até aquelas que para nós, aparentemente, são insignificantes. A única coisa de que precisamos é reconhecer a bondade e a misericórdia do Senhor na nossa vida e deixar-nos vivificar por Ele. Deixemo-nos envolver pela força da ressurreição, para que a nossa vida inaugure já hoje, um tempo novo.
Senhor, eu sei que Tu queres, hoje, dar-me uma nova vida, e eu estou aberto a acolhê-la. Cumpre em mim a tua plena vontade, porque o que tens para mim é o melhor.
Alminhas que já fostes como eu
e eu hei-de ser como vós.
Pedi ao Senhor por mim,
que eu peço ao Senhor por vós.
Rezar 1 Pai nosso e 1 Avé Maria.
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Morte do Rei de França |
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No dia de Natal de 1792, prevendo a morte que em breve lhe ia ser aplicada, Luís XVI, rei de França, redigiu o seu testamento na cadeia:
Eis algumas passagens:
Em nome da Santa Trindade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Hoje, 25° dia de Dezembro de 1792, eu Luís XVI de nome, Rei de França, estando há quatro meses com a minha família na Torre do Templo, em Paris, por aqueles que eram meus súbditos e privado de toda e qualquer comunicação com a minha família, além disso incriminado num processo cujo resultado me é impossível prever, por causa das paixões dos homens, não tendo senão a Deus por testemunha dos meus pensamentos, declaro aqui na sua presença, as minhas últimas vontades e os meus sentimentos:
Entrego a minha alma a Deus, meu Criador, peço-Lhe que a receba na sua Misericórdia, que não a julgue segundo os meus merecimentos, mas sim pelos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se ofereceu em sacrifício a Deus seu Pai por nós homens, mesmo indignos, dos quais eu sou o primeiro. Morro em união com a nossa Santa Madre Igreja Católica, Apostólica e Romana que, por uma sucessão, não interrompida, recebeu os seus poderes de S. Pedro, ao qual Jesus Cristo os tinha confiado.
Creio firmemente e confesso tudo quanto está contido no Credo e nos Mandamentos de Deus e da Igreja, nos Sacramentos e mistérios, tais quais a Igreja Católica os ensina e sempre ensinou...
Peço a Deus que me perdoe todos os meus pecados; procurei escrupulosamente conhecê-los, detestá-los e humilhar-me na sua presença. Não me podendo servir do ministério de um sacerdote católico, peço a Deus que receba a confissão que Lhe fiz e, sobretudo, o meu arrependimento profundo.
Peço a Deus que aceite a firme resolução em que estou, se para isso me conceder vida, de me servir logo que for possível do ministério dum sacerdote católico, para confessar todos os meus pecados e receber o sacramento da Penitência.
Peço a todos aqueles a quem porventura ofendi por inadvertência (pois não me lembro de ter feito conscientemente qualquer ofensa a ninguém) ou a quem talvez tenha dado maus exemplos ou escândalos, que me perdoem o mal que crêem eu ter-lhes causado; peço a todos que têm caridade que unam as suas orações às minhas para alcançar de Deus o perdão dos meus pecados.
Perdoo de todo o meu coração àqueles que se tornaram meus inimigos sem que eu lhes tenha dado qualquer motivo para isso. Peço a Deus que lhes perdoe como também àqueles que por um falso zelo ou por um zelo mal entendido me fizeram muito mal...
Recomendo ao meu filho que tenha em vista a dívida sagrada que contraí com os filhos ou parentes daqueles que morreram por mim e também daqueles que caíram na desgraça pela fidelidade que me dedicaram.
Se muito sensivelmente me amarguraram a ingratidão e deslealdade de pessoas às quais não fiz outra coisa senão benefícios, a eles ou aos parentes ou amigos, também, por outro lado, tive a consolação de experimentar a dedicação e interesse que muitas pessoas gratuitamente me demonstraram. Peço-lhes que aceitem os meus agradecimentos...
Termino declarando diante de Deus e, prestes a comparecer perante o seu tribunal, que não me acho culpado de nenhum dos crimes que me são atribuídos».
Como este cristianíssimo rei, devemos preparar-nos para a morte com a recepção dos sacramentos, sobretudo da Confissão ou Reconciliação.
Deste momento supremo, dependem a nossa felicidade ou desgraça eternas.
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CRISTO VIVO NA FAMÍLIA |
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Disse Jesus: “Dão grande prazer ao meu Coração os que a Ele se consagrarem e renovarem esta consagração com frequência”.
EXEMPLO
Estava tudo preparado para a entronização na Sexta-feira seguinte. A casa era rica. Na segunda-feira porém o chefe de família adoeceu repentinamente e de doença grave.
O doente, depois de receber os Sacramentos, diz à esposa: «Vou morrer e não quero sair desta casa sem deixar quem me substitua.» A senhora ouviu e guardou no seu coração as palavras do marido, o seu testamento.
É Sexta-feira. No caixão está o corpo do falecido chefe da família. Cercam-no os amigos. Alguns momentos antes da saída do enterro, entra na sala onde repousa o cadáver do marido, a viúva que traz uma imagem do Sagrado Coração e diz: «meus senhores, desejo cumprir a última vontade do meu marido." Coloca então o quadro do Coração de Jesus nas mãos do falecido que repousa no caixão, pede aos presentes que a acompanhem na oração do Credo e no acto de consagração. A Imagem é em seguida tirada e convenientemente entronizada no lugar de honra da sala. Tomando de novo a palavra, a viúva diz: «Agora podeis levar este cadáver. Levai-o. A ocupar o seu lugar, fica nesta família, Cristo vivo.»
A convivência com Cristo no lar é encantadora: por ela a família merece prémio, e que prémio!?
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A protecção da Virgem Santíssima |
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Santo Afonso Maria de Ligório escreve: «No Natal, na Páscoa e festas solenes da Santíssima Virgem, Ela desce ao Purgatório acompanhada por muitos anjos e livra muitas almas daquelas penas».
"Contaram a uma senhora da alta sociedade que o seu filho tinha sido assassinado, e que o assassino se havia refugiado no seu palácio. Lembrou-se a pobre mãe de que também a Santíssima Virgem perdoara aos que crucificaram o seu filho; em lembrança das dores da Virgem perdoou generosamente ao refugiado. Não contente com isso, mandou dar cavalos, dinheiro e roupa ao criminoso, para que se salvasse pela fuga. Apareceu então a esta senhora o seu filho, dizendo que não só se salvara, como também fora livre do purgatório pela Mãe de Deus, por causa do perdão generosamente concedido ao inimigo. De contrário, ter-lhe-ia sido muito longo o purgatório, mas que naquele momento ia entrar no Céu".
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O Escapulário do Carmo |
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I – No dia 16 de Junho de 1251 Nossa Senhora aparecendo a São Simão Stock, Superior Geral da Ordem do Carmo, disse-lhe:
"Todo o que morrer com este escapulário será livre do fogo eterno. É um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial protecção".
As graças do escapulário são:
1. Especial protecção de Nossa Senhora durante a vida.
2. Morte na graça de Deus, isto é, a salvação.
Escreveu o Papa Pio XII a 11 de Fevereiro de 1950: "Não é coisa de pequena importância tratar-se da aquisição da vida eterna, segundo a tradicional promessas da Virgem Santíssima. Trata-se, com efeito, da empresa mais importante e do meio mais seguro de a levar a cabo".
II – "O Padre Leblanc, jesuíta, visitava uma noite o dormitório dos alunos dum Colégio de Tolosa, França. Com surpresa vê um rapaz de joelhos junto à cama.
- Porque não estás ainda deitado? - perguntou.
- Entreguei o meu escapulário ao porteiro para mo consertar e ainda não mo veio trazer. Não me atrevo a deitar-me com medo de morrer esta noite, sem o meu escapulário.
- Não tenhas medo, deita-te. Amanhã terás o teu escapulário. Agora, dorme descansado.
- Ó Senhor Padre, não me posso deitar. Pode ser que morra esta noite. E, pronunciando estas palavras, chorava com não sei que pressentimento.
O sacerdote, impressionado com tão piedosas disposições, desceu à portaria, tomou o escapulário e levou-o ao estudante que o beijou devotamente e o pôs ao pescoço. Deitou-se logo, invocando o nome de Maria.
No dia seguinte, o padre Leblanc faz a costumada visita para averiguar se todos os rapazes estavam levantados. Vê ainda deitado aquele aluno. Aproxima-se da cama, abana-a. O estudante não responde, estava morto, apertando entre as mãos o seu escapulário.
Feliz dele por ter expirado com este sinal de predestinação."
O Purgatório faz parte do Reino de Maria. Lá se encontram também alguns dos seus filhos que, em dolorosos transes, esperam o nascimento para a glória eterna. S. Vicente Ferrer, S. Bernardino de Sena, Luís de Blois e outros, declaram explicitamente que Maria é Rainha do Purgatório.
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TENHO PRESSA |
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Um sacerdote brasileiro conta o seguinte: No 1º de Novembro, festa de Todos os Santos, encontrava-me na capela, nas margens do rio Maroim, no estado de S. Catarina. O dia era de calor. O horizonte ia-se cobrindo de nuvens escuras, ameaçando chuva. O vento assobiava, quando veio a correr para mim um jovem, que me disse:
A tempestade aproxima-se. Moro a três quilómetros de distância. Tenho pressa de voltar para casa. Amanhã, é dia de finados. Desejava comungar pelas almas do purgatório. O Senhor padre não poderá confessar-me? Tenho pressa.
- Pois, sim, meu filho!
O rapaz confessou-se na capela e correu, em seguida, para casa, procurando escapar ao furacão. No dia seguinte, na comemoração dos Fiéis Defuntos, este jovem encontrava-se na missa. No fim, acompanhou a procissão ao cemitério e regressou satisfeito para sua casa. Passando à beira do rio, escorregou numa pedra e caiu para dentro da água, de onde foi retirado cadáver. No dia 3 de Novembro, procedeu-se ao enterro.
A terra acolheu os restos mortais do jovem que teve pressa em se confessar pela última vez, em preparação para a morte repentina e inesperada.
O Evangelho avisa: Estai preparados; a morte vem como um ladrão, quando menos se espera: «Estai vós também preparados, porque à hora em que menos pensais é que vem o Filho do Homem». Lc 12,40.
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O homem que nunca teve tempo para Deus |
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Em criança quiseram ensiná-lo, mas alguém se opôs: «É muito cedo para pensar em Deus. Ainda não compreende nada».
Quando criança, acharam bem mandá-lo à catequese, mas alguém disse: «É muito criança para pensar em Deus».
Na juventude, foi convidado para um grupo de jovens. Estava entretido com a namorada e alguém respondeu por ele: «Está muito apaixonado para pensar em Deus».
Como homem casado, a esposa pedia-lhe que fosse à Missa aos Domingos, mas ele respondia: «Estou muito ocupado para pensar em Deus».
Houve pregações na aldeia. Quiseram convidá-lo, mas os amigos responderam: «Deixem-no. Está muito cansado para pensar em Deus».
Uma vez, ocupado com negócios, convidaram-no a fazer a Confissão Pascal. Ele, porém, respondeu: «Estou muito preocupado para pensar em Deus».
Quando já era idoso, convidaram-no a fazer uma revisão da sua vida. Os netos objectaram: «Está muito velho para pensar em Deus».
Ao ser levado para o cemitério, podemos dizer: «Agora é tarde para pensar em Deus».
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O que a Igreja ensina sobre a morte |
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Nada há a temer, o caminho é seguir Jesus
Não passaríamos pela morte como ela é hoje se não houvesse o pecado
A Igreja ensina que, em consequência do pecado original, o homem deve sofrer "a morte corporal, à qual teria sido subtraído se não tivesse pecado" (Gaudium et Spes, 18; Gn 2,17).
Não passaríamos pela morte como ela é hoje se não houvesse o pecado.
A Igreja reconhece que "é diante da morte que o enigma da condição humana atinge o seu ponto mais alto" (idem). São Paulo ensina que "o salário do pecado é morte" (Rom 6, 23); é dele que advém todo o sofrimento da criatura humana; mas que para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também da sua Ressurreição (Rom 6, 3-9).
Embora o homem tivesse uma natureza mortal, Deus destinava-o a não morrer. "Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e fê-lo à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demónio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demónio prová-la-ão". (Sab 2, 23).
A morte foi, portanto, contrária aos desígnios de Deus criador e entrou no mundo como consequência do pecado; e será o "último inimigo" do homem a ser vencido (1Cor 15,26).
A realidade inexorável da morte deve recordar-nos de que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade (...) antes que o pó volte à terra de onde veio, e o sopro volte a Deus que o concedeu" (Eclo 12, 2.7).
Mas a morte foi transformada por Cristo. Jesus, o Filho de Deus, sofreu Ele também a morte, própria da condição humana; assumiu-a num acto de submissão total e livre à vontade do seu Pai. A obediência de Jesus transformou a maldição da morte em bênção (Rom 5, 19-21). Por isso, graças a Cristo a morte cristã tem um sentido positivo.
São Paulo disse: "Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro" (Fl 1, 21).
"Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos" (2Tm 2, 11).
O Catecismo da Igreja Católica ensina que "A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Baptismo, o cristão já está sacramentalmente 'morto com Cristo' para viver uma vida nova; e, se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma este 'morrer com Cristo' e completa, assim, a nossa incorporação a ele no seu acto redentor" (§1010).
Deus chama o homem a si na sua morte. São Paulo estava certo disso:
"O meu desejo é partir e estar com Cristo" (Fl 1, 23); então, o cristão deve transformar a sua morte num acto de obediência e de amor ao Pai, a exemplo de Cristo (Lc 23, 46). Santa Teresinha dizia: "Não morro, entro para a vida."
A visão cristã da morte é expressa de forma privilegiada na liturgia da Igreja: "Senhor, para os que crêem em Vós, a vida não é tirada, mas transformada.
E, desfeito o nosso corpo mortal, é-nos dado, nos céus, um corpo imperecível."
A morte encerra o "tempo de graça e de misericórdia" que Deus oferece a cada um para realizar a sua vida terrestre segundo o projecto divino e para decidir o seu destino último. Não há reencarnação; ensina a Igreja que: Quando tiver terminado "o único curso da nossa vida terrestre" (LG, 48), não voltaremos mais a outras vidas terrestres.
"Os homens devem morrer uma só vez" (Hb 9,27).
Pela morte, a alma é separada do corpo, mas na ressurreição Deus restituirá a vida incorruptível ao nosso corpo transformado, unindo-o novamente à nossa alma (cf. Cat. §1016).
Que é "ressuscitar"? Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que a sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida ao seu corpo glorificado.
Deus na sua omnipotência restituirá definitivamente a vida incorruptível aos nossos corpos unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus (Cat. §997).
Todos os homens que morreram ressuscitarão. "Os que tiverem feito o bem sairão para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento.” (Jo 5, 29; cf. Dn 12,2).
Cristo ressuscitou com o seu próprio Corpo: "Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!" (Lc 24, 39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma nele "todos ressuscitarão com o seu próprio corpo, que tem agora", ensinou o IV Concílio do Latrão, (DS, 801); porém, este corpo será "transfigurado em corpo de glória" (Fl 3,21), em "corpo espiritual" (1Cor 15,44).
Quando será a ressurreição? O Catecismo responde: Definitivamente "no último dia" (Jo 6, 39-40.44.54;11,24); "no fim do mundo" (LG, 48).
A ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo (§1001).
A "Imitação de Cristo" ensina-nos: "Em todas as tuas acções, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesses de morrer hoje. Se a tua consciência estivesse tranquila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã?"
E S. Francisco de Assis, no "Cântico das Criaturas", rezou assim: "Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal."
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Somente de passagem |
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Um turista americano foi á cidade do Cairo, no Egipto, para visitar um famoso sábio. Chegou e ficou surpreendido ao ver que o sábio morava num quartinho, muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão os seus móveis? – perguntou o turista. E o sábio, bem depressa, perguntou também: - E onde estão os seus?...
- Os meus? Surpreendeu-se o turista. Eu estou aqui só de passagem!
– Eu também…concluiu o sábio.
A vida na terra é somente uma passagem… no entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes.
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso há momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
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Pessoas célebres diante da morte |
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“Durante os poucos dias que passei na prisão entre a vida e a morte, recebi de Deus a fé”
Diante da morte, este momento singular e decisivo, o homem torna-se mais sério e mais honesto; parece que nesta hora a realidade supera o orgulho alimentado durante a vida. Muitos ateus, na hora da morte, em poucas palavras, negaram tudo o que viveram ou ensinaram em vida.
Vejamos o que muitos ateus disseram próximo da morte.
Engels principal propagandista do ateísmo, voltou a reconhecer Deus: “A vida tem que ser devolvida Àquele que morreu na cruz por todos os homens” (Atheismus – ein Weg. P. 170).
Lenine, no fim da sua vida pediu perdão por todos os seus erros a Deus, ao mundo:
“Cometi um grande erro. A sensação de viver perdido num oceano de sangue derramado por inumeráveis vítimas, persegue-me. Mas já não podemos voltar atrás. Para salvar a Rússia tínhamos precisado de homens como são Francisco de Assis. Dez homens como ele e ter-la-íamos salvo” (Prof. Möbius. Bildpost und Pilger).
Sinoviev, presidente da Internacional Comunista e colaborador de Lenine, exclamou antes de morrer: “Escuta, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Deus”. (R. Wurmbrand, Antwort auf Moskaus Bibel. Seewis, 1984. P. 47).
Hans Frank, alemão, ministro do Governo nacional-socialista de Hitler, disse antes de ser executado: “Aceito a morte como expiação pela grave injustiça cometida por nós. Mas espero que a misericórdia divina ainda nos possa salvar” (Prof. Möbius. Bildpost und Pilger).
J. V. Ribbentrop, ministro alemão dos Negócios Estrangeiros do Governo nacional-socialista, disse antes de morrer: “Espero poder ainda ser salvo e obter misericórdia graças ao Sangue redentor de Cristo” (H. Weesling. Was seid ihr traurig).
Heinrich Heine (1797-1856), o grande blasfemo, conhecido de Marx e Moses Hess, reconhece honestamente antes da sua morte: “A velha lira despedaçou-se na rocha que se chama Cristo! Esta lira, dominada por um espírito maligno, celebrou festas maliciosas. A lira, que apelou à revolta, que cantou a dúvida, a blasfêmia, a queda. Oh Senhor, oh Senhor, eu ajoelho-me, perdoa, perdoa-me as minhas canções”.
A empregada de Karl Marx, depois da sua morte, revelou o seguinte:
“Era um homem temente a Deus. Quando esteve gravemente doente, rezava sozinho no seu quarto, à luz de muitas velas e punha uma espécie de fita em volta da testa” (S. M. Rii, Karl Marx Master of Fraud, Nova Iorque, 1962. p. 2).
Marx um dia disse: “Tenho a certeza de que perdi o céu por culpa própria. A minha alma que antes pertencia a Deus, está destinada ao inferno. Ah, a eternidade é o nosso tormento, o nosso martírio eterno.” (D. blasse Maid, Seg. ME. Vol I-1. P. 55-57).
Mao Tse Tung, dirigente comunista da China, declarou em 1971 a um jornalista britânico:
“Em breve vou comparecer diante de Deus”. Em 1936 Mao adoeceu gravemente e como Membro do Comité Central do Partido Comunista “pediu para ser baptizado. Foi uma freira católica que o baptizou”(Antw.auf Mosk.Bibel (Nr. 35). P. 47).
Jaroslavski, presidente do Movimento Ateu Internacional pediu, já no seu leito de morte, a Stalin: “Queimem todos os meus livros!”. “Olhem, vejam os Santos! Ele já está há muito tempo à minha espera. Ele está aqui! Queimem os meus livros!” (Antw.auf Mosk.Bibel (Nr. 35). P. 47).
L. Pachmann, campeão de xadrez checo, marxista, secretário do Sindicato Central, detido em 1969: “Durante os poucos dias que passei na prisão entre a vida e a morte, recebi de Deus a fé” (D. Weg u.d. Wahrheit u.d. Leben, ed. pelo Inf. zentr. Ber.der. Kirche. p. 11).
“O único mérito no conhecimento da verdade consiste na disponibilidade da alma de não querer resistir a aceitar uma verdade eterna, que já não luta contra a sua revelação. Num momento de tal importância abre-se o caminho que nos leva à verdadeira felicidade”.
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SE ME AMAS, NÃO CHORES! |
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Se conhecesses o mistério imenso
do céu onde agora vivo,
este horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!
Estou já absorvido no encontro de Deus,
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o seu amor,
uma enorme ternura,
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo,
pensa nesta casa onde, um dia,
estaremos reunidos para além da morte,
matando a sede na fonte inesgotável
da alegria e do amor infinito.
Não chores,
se verdadeiramente me amas!
Santo Agostinho
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O mundo não pensa na morte |
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Precisamos de ter cuidado com a vida que levamos
No dia 2 de Novembro celebramos o Dia dos Fiéis Defuntos. Um dia no qual muitas pessoas vão ao cemitério rezar pelos entes queridos que já partiram deste mundo.
Mas, este dia, bem como a celebração de exéquias, algum velório ou enterro, é um momento propício para reflectir não somente na morte, mas na vida através da morte. Pois… tal vida…tal morte. A doutora da Igreja, Santa Teresa de Lisieux, mais conhecida por Santa Teresinha do Menino Jesus, dizia que a morte é o fim de todo o ser humano e que, por isso, precisamos de tomar cuidado com a vida que levamos. Dizia ela:
“Os amigos que tínhamos eram muito dados ao mundo, e usavam as suas tretas para conciliar, demasiadamente, as alegrias da terra com o serviço de Deus. Não pensavam bastante na morte e, no entanto, veio a morte visitar grande número de pessoas minhas conhecidas, jovens, ricas e ditosas!” (“História de uma Alma” – pag. 87-88).
Somos tentados, a todo o instante, a acreditar que a nossa vida se resume a conquistar riquezas, fama e poder aqui na terra. Ou que podemos conciliar uma vida de serviço a Deus e a busca das riquezas terrenas. Santa Teresinha continua a sua reflexão afirmando: “E vejo que debaixo do sol tudo é vaidade e aflição de espírito […] que o único bem consiste em amar a Deus de todo o coração e ser pobre de espírito aqui na terra […]”.
Assim, como Santa Teresinha nos ensina, precisamos amar a Deus de todo o coração, e a partir daí, pensar sobre qual é o nosso projecto de vida. Projectamos a nossa vida para o Reino dos Céus ou para alcançar as riquezas aqui na terra? Pensemos mais na nossa morte e em como vale a pena viver bem…para morrer bem.
O nosso projecto de vida precisa de ser o Reino dos Céus, pois, vivendo o céu aqui na terra, continuaremos a vida, ressuscitados com Jesus, no Reino de Deus, nos Céus, pois somente Cristo tem o poder de vencer a morte! Aleluia!
O PADRE ANTÓNIO VIEIRA FALA SOBRE A MORTE:
1. “Quem se contenta a se salvar uma só vez, muito se arrisca a não se salvar nenhuma: querer-se salvar na morte, é temer o inferno; salvar-se em toda a vida, isto é amar a Deus. Quem se salva só na morte, quando muito, foge para Deus; quem se salva em toda a vida, este é só o que anda com Deus”.
(Sermão das Exéquias do Conde de Unhão))
2. “O Amor de Cristo para com os homens foi tão grande que não se contentava com dar uma só vida por eles, mas desejou dar muitos milhares de vidas; e como a vida de Cristo era uma só, buscou traçar o seu amor para dar a mesma vida muitas e muitas vezes, que foi o Sacramento e Sacrifício do altar, onde Cristo, sem morrer, está morrendo sempre”.
(Sermão das Exéquias de Dom Duarte)
3. “Morrer de muitos anos, e viver muitos anos, não é a mesma coisa. Ordinariamente os homens morrem de muitos anos, e vivem poucos. Porquê? Porque nem todos os anos que se passam, se vivem. Uma coisa é contar os anos, outra vivê-los; uma coisa é viver, outra durar. Também os cadáveres debaixo da terra; também os ossos nas sepulturas acompanham os cursos dos tempos, e ninguém dirá que vivem. As nossas acções são os nossos dias; por elas se contam os anos, por elas se mede a vida: enquanto obramos racionalmente, vivemos; o demais tempo, duramos”.
(Sermão das Exéquias do Conde de Unhão)
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Só Deus não vai embora |
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Saber lidar com perdas é a nossa busca constante
Uma perda é sempre algo que nos incomoda. Pode ser a perda de uma chave, do autocarro, de dinheiro, de um sonho…. E claro, a perda de alguém.
Saber lidar com perdas é uma busca constante que temos, nesses momentos tentamos nos agarrar a pequenos detalhes, a pequenas desculpas ou a soluções para nos confortar.
A morte tornou-se um tabu na nossa sociedade. Foi confinada aos hospitais, escondida das crianças, apagada das conversas… Numa cultura que valoriza o prazer e o sucesso, ninguém gosta de se lembrar da existência das perdas.
Um dia uma jovem foi ter comigo, tocou-me nos ombros e começou a abrir o coração. Levou-me ao dia em que perdeu a mãe. Assassinada pelo namorado com várias facadas. No primeiro instante, fiquei chocado pelo acto em si, mas depois olhando os olhos daquela menina de 19 anos, que havia 5 anos havia perdido a mãe, vi que não se perde ninguém quando se traz essa pessoa no coração, eternizando a quem amamos. Ela pregou-me o Evangelho quando disse que não guardava rancor do assassino. Evangelho da vida!
Nos olhos daquela menina percebi que a morte em si não tem a última palavra. A vida, sim, tem a última palavra! Palavra de ressurreição! Aquela menina de olhos serenos não se perdeu de si mesma com a perda daquela que a gerou. Mas, guardando-a no coração entrou no mistério de eternidade. Todos vão embora. Só Deus não vai embora. Mas quando guardamos o outro em Deus, este também não vai embora.
De maneira geral, temos muita dificuldade em lidar com perdas. Luto não é só quando morre alguém; sofremos perdas desde que nascemos: perda de emprego, divórcio, mudanças repentinas. Também há fases do desenvolvimento humano que envolvem perdas, por exemplo, para se chegar à adolescência é preciso perder a infância. Estas são questões existenciais que precisamos de enfrentar. Saber lidar com o limite é saudável, não só do ponto de vista humano, mas também do cristão.
Acredito que nos olhos daquela menina que não perdeu a mãe, aprendi que muitos morrem mas estão vivos. É o luto diário que vivemos. Ver os que amamos indo embora ainda estando. Uma perda que dói, pois vemos e não temos!
Mistério da ressurreição dos vivos!
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Hoje vou jantar na mesma mesa com Jesus |
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ESTA NOITE VOU JANTAR NA MESMA MESA COM JESUS
Ela deu um pulo assim que viu o cirurgião sair da sala de operações.
Perguntou: ' Como é que está o meu filho? Ele vai ficar bom? Quando é que eu posso vê-lo?'
O cirurgião respondeu: 'Tenho pena. Fizemos tudo mas o seu filho não resistiu.
Sally perguntou: Porque razão é que as crianças pequenas têm cancro? Será que Deus não se preocupa? Aonde estavas Tu, Deus, quando o meu filho necessitava?'
O cirurgião perguntou: Quer algum tempo com o seu filho? Uma das enfermeiras irá trazê-lo dentro de alguns minutos e depois será transportado para a Universidade.'
Sally pediu à enfermeira para ficar com ela enquanto se despedia do seu filho. Passou os dedos pelo cabelo ruivo do seu filho.
'Quer um caracol dele?' Perguntou a enfermeira. Sally abanou a cabeça afirmativamente. A enfermeira cortou o cabelo e colocou-o num saco de plástico, entregando-o a Sally.
'Foi ideia do Jimmy doar o seu corpo à Universidade porque assim talvez pudesse ajudar outra pessoa', disse Sally.
No início eu disse que não, mas o Jimmy respondeu: 'Mãe, eu não vou necessitar do meu corpo depois de morrer. Talvez possa ajudar outro menino a ficar mais um dia com a sua mãe.'
Ela continuou: 'O meu Jimmy tinha um coração de ouro. Estava sempre a pensar nos outros. Sempre disposto a ajudar, se pudesse.'
Depois de aí ter passado a maior parte dos últimos seis meses, Sally saiu do 'Hospital Children?s Mercy' pela última vez.
Colocou o saco com as coisas do seu filho no banco do carro ao lado dela.
A viagem para casa foi muito difícil. Foi ainda mais difícil entrar na casa vazia. Levou o saco com as coisas do Jimmy, incluindo o cabelo, para o quarto do seu filho.
Começou a colocar os carros e as outras coisas no quarto exactamente nos locais onde ele sempre os teve. Deitou-se na cama dele, agarrou a almofada e chorou até que adormeceu.
Era quase meia-noite quando acordou e ao lado dela estava uma carta.
A carta dizia: 'Querida Mãe, sei que vais ter muitas saudades minhas; mas não penses que me vou esquecer de ti, ou que vou deixar de te amar só porque não estou aí perto para dizer 'Amo-te'. Eu vou sempre amar-te cada vez mais, Mãe, por cada dia que passe.
Um dia vamos estar juntos de novo. Mas até chegar esse dia, se quiseres adoptar um menino para não ficares tão sozinha, por mim está bem.
Ele pode ficar com o meu quarto e as minhas coisas para brincar. Mas se preferires uma menina, ela talvez não vá gostar das mesmas coisas que nós, rapazes, gostamos.
Vais ter que comprar bonecas e outras coisas que as meninas gostam, tu sabes.
Não fiques triste a pensar em mim. Este lugar é mesmo fantástico. Os avós vieram ter comigo assim que eu cheguei para mo mostrar, mas vai demorar muito tempo para eu poder ver tudo. Os anjos são mesmo fixes. Adoro vê-los a voar.
E sabes uma coisa? Jesus não parece nada como se vê nas fotos, embora quando O vi O tenha conhecido logo. Ele levou-me a visitar Deus! E sabes uma coisa? Sentei-me no colo d'Ele e falei com Ele, como se eu fosse uma pessoa importante. Foi quando lhe disse que queria escrever-te esta carta, para te dizer adeus e tudo mais. Mas eu já sabia que não era permitido.
Mas sabes uma coisa, Mãe? Deus entregou-me papel e a sua caneta pessoal para eu poder escrever-te esta carta. Acho que Gabriel é o anjo que te vai entregar a carta.
Deus disse para eu responder a uma das perguntas que tu Lhe fizeste, 'Onde estava Ele quando eu mais precisava?' Deus disse que estava no mesmo sítio, tal e qual, quando o filho dele, Jesus, foi crucificado.
Ele estava presente, tal e qual como está com todos os filhos dele.
Mãe, só tu é que consegues ver o que eu escrevi, mais ninguém. As outras pessoas vêem este papel em branco. É mesmo fixe não é? Eu tenho que dar a caneta de volta a Deus para ele poder continuar a escrever no seu Livro da Vida.
Esta noite vou jantar na mesma mesa com Jesus. Tenho a certeza que a comida vai ser boa.
Estava quase a esquecer-me: já não tenho dores, o cancro já se foi embora. Ainda bem porque já não podia mais e Deus também não podia ver-me assim. Foi quando ele enviou o Anjo da Misericórdia para me vir buscar. O anjo disse que eu era uma encomenda especial! O que dizes a isto, Mãe?'
Assinado com Amor de Deus, Jesus e de Mim.
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Superemos o pavor da morte |
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com o pensamento da imortalidade
É necessário ter presente que não é a nossa vontade que devemos fazer mas a de Deus, como o Senhor nos ensinou a rezar todos os dias. Que contrassenso pedirmos que se faça a vontade de Deus, e depois, quando Ele nos chama e nos convida a sair deste mundo, não obedecermos prontamente à sua vontade! Resistimos e lutamos, e somos levados à presença do Senhor como servos rebeldes, com mágoa e tristeza, partindo deste mundo, não de bom grado, mas forçados por uma lei inevitável. E ainda pretendemos que nos honre com prémios celestes Aquele para quem vamos de má vontade! Então porque rogamos e pedimos que venha a nós o reino dos Céus, se continuamos agarrados à prisão da terra? Porque é que pedimos e imploramos tão insistentemente que se apresse o tempo do reino, se o nosso desejo de servir o diabo neste mundo supera o desejo reinar com Cristo?
Se o mundo odeia o cristão, porque amas aquele que te odeia e não segues antes a Cristo que te redimiu e te ama? João, na sua epístola, clama e exorta a não amarmos o mundo, seguindo os desejos da carne: Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não estará nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo — concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida — não vem do Pai mas do mundo. Ora o mundo passa com as suas concupiscências, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente. Ao contrário, com espírito sincero, fé inabalável e ânimo forte, estejamos prontos a cumprir a vontade de Deus em tudo. Superemos o pavor da morte com o pensamento da imortalidade que nos espera. Mostremos na prática esta fé que professamos.
Devemos considerar e meditar frequentemente que renunciámos ao mundo e que, entretanto, andamos na terra como hóspedes e peregrinos. Acolhamos com júbilo o dia em que a cada um de nós se indicará a sua própria morada, o dia em que, libertos das cadeias deste mundo, entraremos no paraíso e no reino eterno. Quem não tem pressa de regressar à pátria, quando anda longe dela? Para nós a pátria é o Paraíso. Lá nos espera um grande número de entes queridos, lá nos aguardam os nossos pais, os nossos irmãos, os nossos filhos, em festiva e alegre companhia, seguros já da própria felicidade e solícitos da nossa salvação. Que alegria, tanto para eles como para nós poder vê-los e abraçá-los a todos! Que felicidade, naquele reino celeste, nunca mais temermos a morte, mas gozarmos da vida para sempre!
Ali está o com glorioso dos Apóstolos, a milícia exultante dos Profetas, a multidão inumerável dos mártires, coroados de glória pelo triunfo do combate e dos tormentos, ali estão as virgens triunfantes, que venceram a concupiscência da carne e do corpo com a virtude da continência; ali são recompensados os misericordiosos, que praticaram obras da justiça, alimentando e socorrendo com os seus bens os pobres, e assim observaram os preceitos do Senhor, transformando os bens terrenos em tesouros celestes. Apressemo-nos, irmãos caríssimos, com todo o entusiasmo, a juntar-nos à companhia destes bem-aventurados. Veja Deus este nosso pensamento, contemple Cristo este propósito da nossa mente e da nossa fé, porque tanto maior será a recompensa do seu amor, quanto mais ardente for o desejo de chegarmos à sua presença.
Tratado de S. Cipriano, bispo e mártir, sobre a morte
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Prece suprema |
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PRECE SUPREMA
Meu Jesus!
Ao fechar-se o horizonte da minha vida, converte essa hora de dor e elevação, de sacrifício e renúncia, num holocausto de tanto amor por Ti que, sendo a morte imposição Tua, eu Ta ofereça como dádiva minha.
A Tua promessa “tudo que pedirdes na Oração com fé haveis de conseguir” dá-me uma confiança tão grande que a própria consciência da minha pequenez e miséria, das minhas ofensas e pecados pode ensombrar-me a alma mas não quebrar a fé que a sustenta e ilumina.
A minha prece suprema que sobreleva e excede todos os meus anelos é sentir-Te, nessa hora decisiva, junto de mim, debruçado sobre a minha agonia fazendo do Teu Coração o altar em que a minha aima reze o seu últímo pensamento para Ti e receba a Tua Bênção de Perdão e Amor.
Não permitas que jamais seja crucificada numa dúvida a certeza que tenho agora de ouvir no limiar da morte o Teu Apelo carinhoso e sentir a chama purificadora do Teu Amor…
Meu Jesus!
Ao findar a vida, uma angústia a tortura: a separação dos entes queridos. Este amor, esta saudade, estão dentro da Tua Doutrina.
E como é nas horas de sofrimento e luto que as almas queridas ainda mais se estreitam, peço-Te que faças irradiar sobre elas a Tua Graça reconfortante, embalando a sua dor na Tua Cruz e juntando-as todas comigo no Teu Coração.
Mais Te peço que àqueles a quem não fiz todo o bem que podia ou até fiz mal que não devia, os cubras com a Tua Bênção e que só Tu sejas a Luz lnterior das suas almas.
E mais, e mais ainda Te peço.
Aqueles que porventura me agravaram ou ofenderam, junta o meu perdão ao Teu e sê tão misericordioso com eles como espero sejas para as minhas próprias faltas.
E apesar de eu ser tão pobrezinho, como o Teu ilimitado Amor não põe limites às preces e aspirações dos Teus filhos, ainda tenho ânimo para Te pedir o que Tu Próprio não tiveste!
Sentiste o abandono e eu peço o carinho da Tua Presença…
Sofreste o desamparo e eu peço o infinito conforto do Teu Coração...
Tiveste sede torturante na Tua Agonia e eu peço para me dessedentares na torrente do Teu Amor...
Há em mim um anseio imenso que não sei exprimir… A minha alma insaciada está dorida por não saber dar-se melhor...
Meu Jesus! Eu desejo, só para Te possuir, receber a morte como Tua Mensageira bem-vinda, pois a morte no teu Amor é fonte da Vida Imortal.
O meu espírito ergue-se agora cada vez mais alto, embalado numa Voz cuja melodia não é deste mundo. O meu coração pulsa já em Ti!
A minha alma divisa já a ponte de Luz e Amor que une o Céu à Terra...
E o meu olhar não interroga mais o meu destino: Sinto-Te em mim!
Meu Jesus!
Apaga os pecados que mancham a minha cruz na Tua Cruz.
Exalta a minha dor na Tua Dor.
Purifica a minha agonia na Tua Agonia.
Santifica a minha morte na Tua Morte.
E acolhe o último suspiro do meu coração no Teu Coração.
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