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O Demónio existe
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O Demónio existe |
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1. Os demónios. Nas civilizações primitivas acreditava-se que a vida humana era influenciada, para o bem e para o mal, pelos espíritos dos mortos e por outros seres imaginários que, na versão grega da Bíblia, têm em geral o nome de demónios.
Estes, depois, foram aparecendo como os causadores de males aos homens.
No Antigo e no Novo Testamento são chamados também “espíritos maus” ou “impuros”, aos quais são atribuídas doenças, sobretudo do foro neurológico. O forte monoteísmo do povo de Israel atenuou a influência das demonologias das civilizações com que esse povo contactou (as do Médio Oriente e do Egipto). Atribuía-se então a Javé tudo o que de bom e de mau acontecia aos homens.
Depois do aprofundamento religioso promovido pelos profetas do exílio e do pós-exílio, a ideia da santidade e misericórdia de Deus favoreceu o regresso à crença de que os males humanos se devem à acção dos espíritos demoníacos, sendo provável que para isso tenha contribuído a demonologia persa com a qual os judeus estiveram em contacto nos 40 anos do exílio.
No NT, o termo *demónio é usado (63 vezes) no mesmo sentido do AT e do judaísmo do tempo. Os demónios seduzem o homem, apoderam-se dele (possessão), causam-lhe males. Jesus Cristo veio dar-lhes combate, libertando os homens do seu poder. Por vezes os demónios expulsos são muitos. Jesus Cristo chega a ser maldosamente acusado de expulsar os demónios em nome de *Belzebu, o chefe deles (Mt 12,22 e ss). O poder de Jesus Cristo sobre os demónios começa a aparecer como símbolo da salvação. Os Apóstolos recebem poder de continuar esta luta vitoriosa.
2. Satanás e Diabo. São termos que se alternam na Bíblia para designar uma entidade espiritual relacionada com os *demónios, mas distinta deles. Satã ou Satanás (do hebraico através do grego = adversário, acusador, tentador) e Diabo (do grego = caluniador) aparecem no AT quase sempre como nomes comuns ou colmo figuras pouco definidas. Mas no NT os dois termos (Satanás, 36 vezes, e Diabo, 34 vezes) identificam, em geral, um poderoso inimigo de Jesus Cristo, arrastando na sua luta contra Ele os demónios, de que é chefe. Aparece ainda com o nome de *Maligno e os epítetos de “príncipe do mundo” (Jo 12,31), acusador, dragão e serpente (Ap 12).
Nos evangelhos sinópticos, começa, no deserto, por tentar afastar Jesus da sua missão, num paralelismo claro com a tentação em que caíram os nossos primeiros pais no Éden. É também significativo que Jesus Cristo tenha chamado “satanás” a Pedro que o queria demover da sua missão; e que o Evangelho diga que Satanás entrou em Judas quando decidiu trair o Mestre. Na parábola do semeador, o Diabo tira a palavra semeada, para que não produza fruto.
No entanto, só nos escritos do NT, mais tardios, Satanás aparece a opor-se frontalmente a Jesus Cristo, tentando destruir a própria humanidade. É a serpente do paraíso (Ap), um “antideus”, o “deus deste mundo”, o “Anticristo”. Mas, a sua força foi quebrada pelo sacrifício de Jesus Cristo, e a sua completa submissão dar-se-á no fim dos tempos, quando for lançado no lago de fogo (*Inferno). Porém, até lá, continua a tentar os homens, às vezes disfarçado de “anjo de luz” e outras colmo “leão rugidor”. Por isso, Jesus Cristo e depois os Apóstolos insistem na vigilância e nas estratégias espirituais de defesa, entre as quais a oração, como a do Pai-Nosso que termina precisamente com o pedido de que Deus nos livre do *Maligno.
3. Doutrina da Igreja. Na origem da tentação e queda dos nossos primeiros pais, ouve-se a voz sedutora, oposta a Deus, que a Bíblia e a Tradição atribuem a Satanás ou Diabo (cf. Cat. 391ss).
Ele foi criado bom e livre por Deus, mas, no instante da criação, ele e outros anjos, recusaram irremediavelmente submeter-se ao Criador e foram expulsos do Céu.
O Diabo é pecador desde o princípio e pai da mentira. Na sua revolta, tenta os homens e procurou mesmo desviar Jesus Cristo da sua missão redentora (tentações no deserto).
Misteriosamente, depois do pecado original e do regresso de Jesus Cristo ao Pai, o Diabo mantém algum poder de sedução para o mal, a que no entanto podemos sempre, com a graça, resistir meritoriamente, para glória de Deus.
Jesus Cristo deixou à Igreja poderes para combater a influência do Demónio, e ela exerce-os nomeadamente através dos *exorcismos maiores (nos casos de *possessão diabólica) e os menores (incluídos nos ritos catecumenal e baptismal), e ainda em diversos sacramentais. Cf. Ritual Romano, Celebração dos Exorcismos.
4. A linguagem popular dá ao demónio diversos nomes ou inclui-o em expressões mais ou menos jocosas, depreciativas e até ofensivas: dianho, diacho, diabrete, diabinho, diabrura, levado dos diabos, mandar para o diabo, não lembra ao diabo, não vá o diabo tecê-las, o diabo seja cego, surdo e mudo, etc.
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O teólogo do Papa |
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O teólogo do Papa, afirma: «Devemos levar o demónio muito a sério»
- Pela sua acção contra o homem, «devemos tomar o demónio muito a sério», mas sem esquecer a confiança no amor de Deus – um amor «mais forte que tudo» –, cuja misericórdia «vence todo o obstáculo», explica o cardeal Georges Cottier, teólogo do Papa.
- Neste grande mistério do mal, quanto conta a acção do diabo e que parte tem a responsabilidade do homem?
- Cardeal: O diabo é o grande sedutor porque tenta levar o homem ao pecado apresentando o mal como o bem. Mas a nossa falta de responsabilidade conduz à queda porque a consciência tem capacidade de distinguir o que é bom e o que é mal.
- Por que é que o diabo quer induzir o homem ao pecado?
- Por inveja e ciúmes. O diabo quer arrastar consigo o homem porque ele mesmo é um anjo decaído. A queda do primeiro homem esteve precedida pela queda dos anjos.
- É uma heresia afirmar que também o diabo faz parte do projecto de Deus?
Satanás foi criado por Deus como anjo bom porque Deus não cria o mal. Tudo o que sai da mão criadora de Deus é bom. Se o demónio se converteu em mal é por sua culpa. É ele que fazendo mau uso da sua liberdade se fez mal.
- Por que é que o diabo, que é espírito inteligentíssimo, usa desta maneira a liberdade que é em qualquer caso sempre um dom de Deus?
Aqui estamos perante o mistério. O mistério do mal é antes de tudo o mistério do pecado. Somos golpeados justamente pelos males físicos, mas há um mal muito mais radical e mais triste que é o mal do pecado. O diabo estabeleceu-se na sua rejeição. Também o pecado do anjo é sempre mais grave que o do homem. O homem tem tantas debilidades em si que de alguma maneira a sua responsabilidade pode ficar velada; o anjo, sendo espírito puríssimo, não tem desculpas quando elege o mal. O pecado do anjo é uma eleição tremenda.
- Parece impossível que um anjo criado na luz de Deus tenha podido eleger o mal...
Quando falamos de um anjo decaído por causa do pecado, enfrentamos um tema muito grave e, portanto, devemos tratá-lo com grande seriedade. Na tentação do homem temos quase um reflexo do que foi o próprio pecado do anjo. Eis aqui a sedução suprema: pôr-se no lugar de Deus. Inclusive Satanás não reconheceu a sua condição de criatura.
- Por que é que o demónio é chamado príncipe deste mundo?
É uma expressão do Evangelho de João. Significa que o mundo, quando se esquece de Deus, é dominado pelo pecado. A acção do demónio está guiada pelo ódio para com Deus e pode fazer graves danos quando seguimos as suas tentações. O mal principal do demónio é o mal espiritual, o do pecado. Esta acção toca tanto o indivíduo como a sociedade.
- Deus não teria podido impedir tudo isto?
Sim, mas permitiu que tanto o demónio, como o homem, tivessem a liberdade de actuar e, às vezes, de pecar. É um mistério tremendo. São Paulo diz: «Tudo é para o bem dos que amam a Deus». Quando, portanto, estamos com Deus, inclusive o mal contribui para o nosso bem.
- Difícil de aceitar...
Pensemos nos mártires. No extraordinário bem espiritual que, à luz da fé, deriva-se de uma tragédia como um martírio. Santo Agostinho, comentando S. Paulo, diz: «Deus não teria permitido o mal se não quisesse fazer deste mal um bem maior». Há bens que a humanidade não teria conhecido se não tivesse estado na presença do pecado e do mal. É difícil afirmar isto, mas é a verdade.
- Como é que o diabo actua na realidade de todos os dias?
Podemos compreender isto por algumas expressões do Evangelho de João, onde diz que o demónio é homicida desde o princípio. Ou seja, é destruidor e faz morrer, tanto em sentido próprio como espiritualmente. Por isso é chamado o grande tentador.
- Referimo-nos ao diabo quando no «Pai Nosso» dizemos «não nos deixes cair em tentação»?
Sim, pedimos a Deus resistir à tentação. É errado pensar que toda a tentação venha do demónio, mas as mais fortes e mais subtis, as mais espirituais, têm certamente a sua contribuição. E são tanto tentações individuais como colectivas. O demónio actua sobre a história humana. A sua influência é negativa. A morte, o pecado, a mentira são sinais da sua presença no mundo.
- Diz-se que nem todas as tentações vêm do demónio. De que outra coisa nos devemos guardar então?
A tradição cristã diz que as fontes de tentações são três. A mais terrível é a do demónio. Depois está o mundo, a sociedade. E finalmente está a «carne», isto é, nós mesmos. São João da Cruz diz que destas três tentações a mais perigosa é a última, ou seja, nós mesmos. Para cada um de nós o inimigo mais pérfido é cada um de si mesmo. Antes de atribuir as tentações ao demónio e ao mundo, pensemos em nós mesmos. Aqui encontramos também a importância da humildade e do discernimento. O Espírito Santo dá-nos o dom do discernimento e preserva-nos da soberba de confiar demasiado em nós mesmos.
- Qual é a atitude mais correcta que o cristão deve ter frente ao mistério do maligno?
Não se esquecer que a paixão e a morte de Jesus triunfaram para sempre sobre o demónio. Isto é uma certeza, diz São Paulo. A fé é a vitória sobre o pai do pecado e da mentira. Isto quer dizer que o demónio, sendo uma criatura, não tem um poder infinito. Apesar de todos os seus esforços o demónio nunca poderá impedir a edificação do Reino de Deus, que cresce, apesar de todas as perseguições. O cristão, graças à fidelidade na fé, vence o mal.
- Em conclusão...
Devemos levar o demónio muito a sério, mas não devemos pensar que seja omnipotente. Há gente que tem um medo irracional do demónio. A confiança cristã, que se alimenta de oração, humildade e penitência, deve ser, sobretudo, confiança no amor do Pai. E este amor é mais forte do que tudo. Devemos saber que a misericórdia de Deus é tão grande que pode vencer todo o obstáculo.
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Fala um exorcista |
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Fala um exorcista: A estratégia de Satanás é confundir
Satanás existe e a sua estratégia é a confusão, constata nesta entrevista o padre Pedro Mendoza Pantoja, exorcista da arquidiocese do México.
- O que é um exorcista?
- É um bispo ou um sacerdote designado por este, que, por mandato de Jesus e em nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, faz uma oração na qual, de forma imperativa, em caso de possessão diabólica, ordena a Satanás sair e deixar em total liberdade o possesso, ou, de forma depreciativa, quer dizer, de intercessão ou súplica, pede-se que, pelo sangue precioso de Cristo e a intercessão da Virgem Maria, seja libertada uma pessoa, lugar, casa ou coisa de toda a influência demoníaca: infestação, obsessão ou opressão.
- Qualquer pessoa pode ser exorcista?
- Não. De acordo com o Evangelho, Cristo enriqueceu os seus apóstolos com dons carismáticos quando os enviou a evangelizar. Em Mateus 10, 1 diz: «E chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos para os expulsar e para sanar toda a enfermidade e toda a doença». Pode-se ler também em Marcos 16, 17-18. Pelo mesmo, corresponde aos bispos, sucessores dos apóstolos, exercer este ministério e expulsar os demónios; mas eles, de acordo com o cânon 1172 do Código de Direito Canónico, podem designar para exercer este ministério, de uma maneira estável ou para um caso especial, «um presbítero piedoso, douto, prudente e com integridade de vida». Isto falando de possessões diabólicas e, pelo mesmo, de exorcismo propriamente dito, chamado também exorcismo solene.
Mas todo o presbítero pela sua ordenação participa do sacerdócio ministerial de Cristo e tem com Ele a missão de libertar os fiéis de toda a obsessão, opressão ou influência demoníaca, com orações depreciativas de intercessão e súplica, com a evangelização e administração dos sacramentos, principalmente da Penitência e Eucaristia. Pelo mesmo, todo o sacerdote é exorcista quanto à Pastoral de Libertação dentro da sua missão de evangelizar, isto é, por mandato de Cristo; não precisa de ser designado para realizar o chamado exorcismo menor. Os leigos não podem ser exorcistas.
- Há também os «Auxiliares de Libertação». Quem são e o que fazem estas pessoas?
Auxiliares de Libertação são: os sacerdotes que não têm o carácter de exorcista oficial, médicos, psiquiatras, religiosos e leigos que ajudam o sacerdote exorcista no discernimento ou auxiliando-o no exercício do seu ministério, bem com a sua oração de intercessão ou em diversas eventualidades. Os sacerdotes auxiliam com oração de libertação e os leigos com oração de intercessão. O sacerdote não-exorcista oficial pode fazer o exorcismo menor, chamado também oração de libertação, auxiliado por sua vez por todos os leigos que o acompanham no discernimento e com orações de intercessão. Os leigos não podem fazer orações de libertação.
- Nos últimos 40 anos a figura do exorcista estava a desaparecer. É verdade? Efectivamente é. As causas são várias, mas diríamos que estão englobadas no grande desafio que a segunda metade do século passado apresenta à Igreja na sua tarefa de evangelização.
Na primeira metade, Satanás atacava a humanidade no campo das ideias e do pensamento: racionalismo, materialismo, gnosticismo, maçonaria, rosacrucismo, sectarismo, socialismo, marxismo-leninismo, etc., que afastam o homem de Deus. Por uma parte a negação de um Deus pessoal e a negação também da existência de Satanás como um ser pessoal, mudando o Deus Verdadeiro por um deus impessoal que se identifica com este mundo material e reduzindo Satanás a um mero símbolo. Várias nações se viram imersas em duas grandes guerras. E outras tantas sofreram revoluções e perseguições religiosas, derramando-se o sangue de muitos cristãos que sofreram o martírio como testemunho da sua fé. Contudo, a Igreja Católica mantinha-se como baluarte de evangelização. A família era a primeira escola da fé, fé que estava inculturada nas suas tradições e manifestava-se no actuar das associações católicas e nas celebrações litúrgicas, conseguindo-se assim enraizar o povo na sua fé.
Não faltaram lendas de bruxos, feiticeiros e tudo o que há agora, mas não eram relevantes nem se lhes dava importância; não havia necessidade de exorcismos, estes só se efectuavam no rito do baptismo.
Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, em 1945, começa uma revolução industrial: os grandes consórcios mundiais, que até então tinham o grande negócio da fabricação de implementos de guerra, mudam à fabricação de implementos domésticos. Evoluindo aceleradamente a ciência e a técnica, inventando aparatos e objectos que fazem mais fácil a vida: refrigeradores, estufas, rádios, televisão, etc. Isto leva a sociedade a um afã consumista: “Diz-me quanto tens e como vives e te direi quanto vales”. Os pais, que antes eram capazes de satisfazer as necessidades básicas de famílias inclusive numerosas, já não o são ante a criação de novas necessidades. Têm que trabalhar até 3 turnos e também a mulher tem de trabalhar fora do lar. A família desintegra-se e deixa de ser a primeira escola da fé. Em 1960 a Igreja encontra-se em crise, já não cumpre eficazmente a sua missão evangelizadora.
Vem a manifestação do Espírito Santo com a convocação, pelo Papa João XXIII, do Concílio Vaticano II, que começa em 1962 e termina em 1965 para pôr a Igreja em dia e em consonância com os tempos na sua tarefa evangelizadora. As conclusões do Concílio vão se concretizando nas conferências episcopais, nos sínodos diocesanos, conselhos vicariais, paroquiais, na nova e permanente missão evangelizadora.
Para os anos sessenta já a influência demoníaca fez estragos no povo de Deus: choque de gerações, rebeldia juvenil, uso de drogas, o movimento hippie e a volta às antigas e constantes ideias pregadas nos anos sessenta por Louis Pawels e Jacques Bergier com o seu livro «O Retorno dos Bruxos». Nele se relatava a história da evolução do homem: uma fantástica viagem pela ciência, a alquimia, as sociedades secretas e o conhecimento. Eram já tratados magistralmente os grandes temas que hoje preocupam a «New Age», ou Nova Era, que tomou forma em 1980 com o livro da investigadora Marilyn Ferguson «A conspiração de Aquário», que desenha uma «maneira nova» de pensar velhos problemas, o que se conhece como «novo paradigma».
Pelos anos setenta surge a chamada teologia da morte de Deus e, consequentemente, surge também com o protestante R. Bultmann a teologia da morte de Satanás.
Tal corrente infectou também os nossos teólogos, que ultimamente não falavam já do diabo nem dos anjos. Nos seminários não se dá uma preparação sobre o exorcismo. Mas como contrapartida o homem sentiu a nostalgia de Deus. E dá-se a procura do sobrenatural e mágico como solução à problemática na qual se viu envolvido pelo seu afastamento de Deus e vem a cair nas garras da New Age, que, com as suas enganosas espiritualidades e fictícias soluções mágicas e esotéricas, abriu as portas ao demónio, que se nega a ser ignorado, fazendo estragos nas pessoas que caíram nas práticas esotéricas e mágicas da New Age. A Igreja teve, pelo mesmo, que reavivar algo que já se havia esquecido como coisa do passado, ainda que oficialmente nunca se negou: os exorcistas do Evangelho como algo urgente em nossos tempos, na Missão Permanente da Nova Evangelização: anunciar aos afastados a Páscoa de Cristo, que veio para libertar-nos das armadilhas de Satanás.
- Nalguns países o avanço das seitas satânicas não pôde ser enfrentado pela Igreja de maneira adequada pela falta de exorcistas. É verdade?
- A resposta a esta pergunta está relacionada com a anterior. Com efeito, aos nossos fiéis e aos próprios sacerdotes envolveu-nos um mar de confusões ao que a New Age nos leva com a sua mescla de ideias, de enganos e mentiras, manipulando espiritualidades orientais mescladas de panteísmo, assim como as medicinas tradicionais, que em si mesmas são um dom de Deus e nada tem de diabólico, mas de cuja eficácia se servem os promotores da New Age para se dar crédito e fazer crer que tudo o que dizem é verdade. Assim também a bispos e sacerdotes apanhou-nos de surpresa, sem saber o que fazer nem como actuar ante este mar de confusões. E a alguns encheu de medo a fenomenologia que apresentam os afectados pelo demónio. Ou bem, levou-os a escudar-se num cepticismo, crasso ante estas realidades, atribuindo-as a problemas psicológicos ou a enfermidades difíceis de curar e, pelo mesmo, levou-os a não atendê-los.
- Muitos negam que possa haver pessoas possuídas pelo demónio. Dizem que se trata de problemas psicológicos ou psiquiátricos. Como é que um exorcista distingue os casos de possessão dos casos de perturbações de outro género?
- O Código de Direito Canónico e o próprio Novo Ritual de Exorcismos, assim como o Catecismo da Igreja Universal, estabelecem que antes de fazer o exorcismo maior deve fazer-se um discernimento: se se trata de uma verdadeira possessão ou de uma simples obsessão ou opressão diabólica, servindo-se inclusive de assessoramento prévio de médicos e psiquiatras, a fim de que dêem o seu diagnóstico, sendo sempre o sacerdote que deve decidir; pois, por outra parte, o ritual de exorcismo indica-nos quais são estes sinais que nos podem indicar ou fazer suspeitar de uma verdadeira possessão diabólica: falar ou entender, com se fossem próprias, línguas desconhecidas; revelar coisas ocultas ou distantes; manifestar forças superiores a sua idade ou condição física, separar-se veementemente de Deus, aversão ao Santíssimo nome de Jesus, da Virgem Maria e dos santos, a imagens, lugares e objectos sagrados.
- A estratégia do demónio é a de fazer crer que não existe. É verdade isto?
- Na realidade, segundo a minha apreciação, Satanás utiliza várias estratégias para nos afastar de Deus. O que lhe interessa mais é confundir-nos, seja para que creiamos que não existe e que, se ele não existe, tampouco existem o inferno nem o céu e assim não temamos estar distante de Deus. Por outro lado, ao contrário, manifesta-se com opressões e obsessões para atormentar terrivelmente os que lhe abriram as portas, a fim de que lhe tenham medo e não tratem de lhe fechar as portas e libertar-se dele. A alguns favorece para que creiam no seu poder e confiem nele. Assim podemos explicar o culto satânico para obter poder a seu favor e protecção. Satanás é o pai da mentira e do engano.
- Todo ministério na Igreja é uma graça de Deus e um serviço aos irmãos.
O senhor percebe como uma graça para a sua vida o ministério de exorcista?
Toda a minha vida é uma graça de Deus: o meu baptismo, o dom que me converte em filho de Deus, membro da Igreja e co-herdeiro com Cristo da sua glória; o ministério sacerdotal, o dom que me permite participar da sua páscoa e da sua obra de salvação e serviço aos meus irmãos. O ministério de exorcista é também um dom da sua graça e misericórdia, que na minha pequenez e limitações me permite experimentar, como instrumento seu, o seu poder libertador e salvífico no serviço aos meus irmãos, o qual me alenta e me impulsiona a aderir mais a Ele para ter parte na sua vitória e, com ela, da sua glória.
- Há algum caso que possa contar-nos no qual o seu ministério de exorcista lhe tenha permitido experimentar em plenitude a sua vocação como homem e sacerdote?
- São muitos os casos em que, praticando a oração de libertação (desde há vinte e quatro anos, ainda sem ser exorcista), constatei o poder de que Deus nos faz partícipes aos sacerdotes no serviço aos nossos irmãos que sofrem. A terapia de fé com a oração de cura, de libertação e de perdão, com a qual se consegue muitas vezes o que resulta impossível, fora do seu alcance, à ciência médica e psicológica.
Agora, como exorcista desde há seis anos, atendi vários casos de opressões e obsessões diabólicas em pessoas atormentadas e já desesperadas depois de terem passado por toda a classe de especialistas, curandeiros e bruxos que pioraram a sua situação, ao ponto de os fazer pensar numa possessão diabólica e pedir ansiosamente um exorcismo. Nalguns casos apresentaram-se sinais que me levaram a suspeitar de uma presença ou possessão diabólica e, ainda sem estar seguro, a fazer o chamado exorcismo de diagnóstico, ou seja, oração imperativa, conseguir com isso fazê-los entrar numa paz e tranquilidade ainda sem chegar a fazer plenamente o exorcismo solene, bastando continuar com a oração de libertação. Foi uma grande satisfação conseguir a libertação dos meus irmãos através do serviço do meu humilde ministério, pelo poder da oração de intercessão e ver o aumento da sua fé, graças a uma evangelização e catequese que os leva a converter-se, a renovar a sua fé e aderir mais plenamente ao Senhor e vê-los continuar a sua vida cheios de amor e confiança em Deus.
- Que deve fazer uma pessoa que crê ser vítima da possessão diabólica ou que conhece alguém que poderia encontrar-se nesta situação?
- Recorrer ao seu pároco e fazer uma boa confissão para que, de primeira instância, este sacerdote a atenda. Se o seu pároco descobre que há uma influência demoníaca, mas não sinais de possessão diabólica, que lhe faça oração acompanhado da sua equipa de libertação e a insira nalgum grupo de evangelização ou de crescimento na fé ou nalgum ministério da paróquia. Se o pároco percebe sinais que o façam suspeitar de uma possessão diabólica ou não se sente capaz para enfrentar o problema, então que o encaminhe para o exorcista da sua diocese ou ao exorcista mais próximo. Nunca deve recorrer a bruxos ou curas mágicas.
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Jesus e a derrota de Satanás pela cruz |
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Quando lemos os evangelhos somos chamados a perceber o confronto de Jesus e o Maligno. É o que vemos claramente a partir do início da sua vida pública, quando foi levado pelo Espírito Santo para o deserto, e foi tentado pelo diabo: "Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo diabo, durante quarenta dias" (Lc 4,1-2).
Porém, este facto é o início de um grande combate, que será travado entre Jesus e as forças do mal. É isto que está revelado no final do evangelho das tentações: "Depois de O ter assim tentado de todos os modos, o diabo afastou-se d’Ele até outra ocasião" (Lc 4,13). Esta luta desenvolve-se durante os três anos do ministério de Jesus, onde vemos Jesus a curar e a libertar os possessos:
- O diabo na sinagoga (Mc 1, 21-28; Lc 4, 31-37);
- O mudo que volta a falar (Mt 9, 32-34);
- A libertação da mulher com sete demónios (Lc 8, 1-3);
- A cura da mulher encurvada (Lc 13,10-17);
- Libertação à distância (Mt 15, 21-28; Mc 7, 24-30) etc.
Com estes e tantos outros exemplos apresentados no Novo Testamento, aprendemos:
a) O grande objectivo da missão de Jesus foi dar ao homem a vitória sobre Satanás. Hb 2,14: "...a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demónio". Esta vitória foi alcançada na cruz. CI 2,15: "Espoliou os Principados e Potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz".
b) Jesus deu poder aos seus seguidores para vencerem o inimigo, o que significa que o reino de Satanás acabou. Lc 10,19: "Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o inimigo".
c) Jesus expulsava os demónios sem fazer escândalo ou alarde. Mt 8,16: "Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demónios. Com uma palavra expulsou os espíritos e curou todos os enfermos".
d) O verdadeiro seguidor de Jesus recebe de Deus a certeza de que nunca será tentado além das suas forças. 1Cor 10,13: "Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios para a suportar e sairdes dela".
e) Lendo o Novo Testamento, principalmente o Evangelho de São Marcos, vemos Jesus ser apresentado como aquele que expulsava demónios. Assim, afirmar que o demónio não existe ou é uma mera forma para explicar a existência do mal é faltar à verdade contida nas Escrituras Sagradas.
O diabo, segundo o que ensina a Igreja:
Para entender o ensino da Igreja sobre a questão do diabo, temos de ouvir as palavras seguras do papa Paulo VI:
"... O Mal não é somente uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e pervertedor.
Terrível realidade. Misteriosa e pavorosa. Sai dos ensinamentos bíblicos e eclesiásticos quem se recusa a reconhecer a sua existência... É homicida desde o princípio... e pai da mentira, como é definido por Cristo (Jo 8, 44-45)" ("L 'Osservatore Romano", 16-11-72)
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Exorcista oficial do Vaticano fala sobre a acção do demónio |
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A existência do demónio e a sua acção sobre o mundo é algo que está na doutrina da Igreja.
O Padre Gabriele Amorth – exorcista oficial do Vaticano – fala sobre a acção do demónio e explica o que são os exorcismos.
"Devemos distinguir a acção ordinária da acção extraordinária do demónio. A acção ordinária é a de nos tentar. Por conseguinte, todo o campo das tentações pertence à acção ordinária diabólica à qual todos somos sujeitos e o seremos até à morte. A tal ponto somos sujeitos a estas tentações, que Jesus Cristo, fazendo-se Homem, aceitou ser tentado por Satanás, não apenas nas três tentações do deserto, mas durante toda a sua vida, como também ocorreu com Maria Santíssima. Isto porque a tentação faz parte da condição humana. Esta é a acção ordinária do demónio, como dizia o Catecismo de São Pio X, “por ódio a Deus, [o demónio] tenta o homem ao mal”. Ou seja, por ódio a Deus, o demónio gostaria de nos arrastar todos para o inferno.
A acção extraordinária, por sua vez, é uma acção rara. É aquela na qual o demónio causa distúrbios particulares. Portanto, não se trata de simples tentação. Distúrbios particulares que podem chegar à possessão diabólica.
Uma pessoa pode levar vida normal com sofrimentos, de maneira que aqueles com os quais convive nem se dêem conta de que está possessa. Apenas quando sobrevém os momentos de crise, então ela comporta-se de maneira inteiramente anormal, não podendo cumprir os seus deveres de trabalho, de família, sem grande dificuldade. Nalguns casos, a pessoa pode ser assaltada pelo demónio, digamos, 24 horas ao dia. Em tal caso, a pessoa não pode fazer nada. Mas são casos raríssimos.
A libertação de uma pessoa da acção do demónio constitui sempre uma intervenção extraordinária de Deus.
Um exemplo disso foi um caso muito difícil de possessão diabólica que eu atendi, onde tinha razões suficientes que levavam a prever muitos anos de exorcismos para se libertar aquela alma das garras do demónio. Acontece que tal pessoa foi ao Santuário de Lourdes, tomou banho na piscina, acompanhou a procissão do Santíssimo Sacramento, rezou muito. Resultado: um milagre! Voltou para casa completamente livre da possessão
O exorcismo é constituído por várias orações oficiais feitas em nome da Igreja, e Deus ouve estas orações. Com efeito, existem muitas razões para isso!
O exorcismo depende muito das causas que determinaram a possessão diabólica, uma vez que estas exercem muita influência sobre o possesso. Dou-lhe um exemplo simples. Se uma pessoa se consagrou a Satanás e fez o pacto de sangue com ele, é fácil entender que ela praticou um acto voluntário de doação de si mesma ao Maligno. Então, libertar tal pessoa torna-se muito mais difícil, é necessário muito mais tempo do que o empregado para libertar um inocente, que foi vítima de um malefício causado por outra pessoa.
Pode-se libertar da possessão com o exorcismo, que é uma oração oficial da Igreja, mas reservada aos exorcistas
Outra forma, aberta a todos, são as orações de libertação. As orações mais eficazes são as de louvor, glória a Deus. Assim nós também muitas vezes, nos próprios exorcismos, recitamos o Credo, o Glória, o Magnificat, Salmos, trechos da Bíblia, o Evangelho em que Jesus liberta os endemoninhados. Elas têm grande eficácia.
A falta de fé é a principal causa do aumento do poder satânico no mundo actual. Examinando toda a história do Antigo Testamento, a história de Israel, quando esta abandona Deus, entrega-se à idolatria. É matemático, quando se abandona a Fé, entregamo-nos à superstição. Isto aplica-se, em nossos dias, a todos nós do mundo ocidental.
A página mais lida dos jornais é o horóscopo... e os quotidianos não são comprados pelos analfabetos. São os industriais, os políticos, que não tomam decisões sem antes ouvir um bruxo. Ou seja, sempre que diminui a Fé, aumenta a superstição.
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As fraquezas do diabo |
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As armas contra Satanás: louvor, obediência e humildade
A oração do louvor
O diabo não suporta o louvor e isso por algo muito simples: Lúcifer, ou "portador de luz", transformou-se em Satanás exactamente por não querer louvar a Deus. Isto é óbvio! Portanto, o louvor para ele é muito forte e pesado. Se nós queremos lutar contra o diabo, não temos outra coisa a fazer senão começar a louvar a Deus. Há fiéis leigos que dizem: "Mas, eu tenho medo!"
Se conheces uma pessoa que precisa de ajuda nem sempre é necessário que faças orações de libertação por ela. Se há um grupo de irmãos que rezam juntos, comecem a louvar a Deus ignorando o inimigo, e o louvor o incomodará de tal modo que ele fugirá.
Uma pergunta que é muito feita nos dias de hoje é esta: "Por que é que o diabo se apresenta mais hoje do que nos tempos passados?" Houve um tempo em que o diabo trabalhava escondido, ignorado por todos. Até há pouco tempo atrás havia pouquíssimos ou quase nenhum exorcista, não porque não existissem pessoas que necessitassem, mas porque ninguém sentia esta necessidade. Hoje é diferente. E qual é a razão do diabo parecer mais activo nestes últimos tempos?
Pelo grande louvor que está a ser feito, ele não suporta! Isto poderia ser exemplificado como um rato escondido num buraco; atiras água quente para lá e, não a podendo aguentar, ele é obrigado a sair do buraco. O louvor faz com que o inimigo saia!
Toda esta luta que o diabo trava, hoje, não é porque ele esteja mais forte do que antes, mas, provavelmente, porque está mais fraco. Graças a todo o louvor que é feito – especialmente em grupos de oração –, por meio destes movimentos espirituais, o maligno perde o controle e não sabe o que fazer. Por esta razão, temos de continuar a lutar através do louvor.
A segunda coisa que o diabo teme é a obediência. Por quê? Porque ele é desobediente. Desta forma, tudo o que ele sugere é a desobediência, sugere continuamente a desobediência! Nós, sacerdotes, em particular, devemos estar muito atentos a isto, pois é fácil cair nesta cilada do inimigo.
A terceira coisa também temida pelo diabo é a humildade. Ele sugere o “poder”. No fim de contas, ele é aquilo que é: Satanás, porque queria ter o poder. Certa vez, um exorcista fez-lhe uma pergunta: Por que é que tens pavor de Maria? E ele disse: “Tenho pavor daquela mulher, da sua grande humildade”. A humildade é uma virtude que o inimigo de Deus teme mais do que a nós, propriamente, porque esta virtude vai contra a natureza dele, pois ele é soberbo, orgulhoso, poderoso e faz o que quer. A humildade vai contra tudo isto.
ORAÇÃO A S. MIGUEL ARCANJO
S. Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demónio. Que Deus lhe impere, instantemente o pedimos. E vós, Príncipe da Milícia celeste, pelo poder divino, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos, que vagueiam no mundo para perder as almas!Assim seja!
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Quando o Demónio Investe |
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Como é perverso o demónio, como é subtil, como é discreto nos seus ataques! Sem oração tornamo-nos presas fáceis nas suas garras.
Um dia deparei com um caso muito sério, senti quanto ele investe nos jovens, entendo porque, quando se é jovem não se preocupa muito com a oração; parece-nos coisa para pessoas mais velhas que já viveram a sua juventude e agora, para preencher as horas, começam a rezar, mas nós ainda somos muito jovens para nos preocupar com oração, com a fé, com a preparação para a volta de Jesus, e assim tornamo-nos a caça mais fácil, mais frágil, mais desprotegida, ingerimos um pouco de álcool, alguns até coisa mais forte, e sem percebermos estamo-nos a afastar de Deus, e aproximando-nos do diabo.
Mas um dia deparei com um jovem muito meu amigo, um jovem de 18 anos, belo forte, com saúde, e chorava dizendo que só esperava uma mínima desculpa para se matar, que se tivesse um carro andaria a 200 à hora para forçar um acidente, e eu perguntei: ó meu amigo o que houve, qual o teu problema para estares neste desespero? Ele respondeu, nada me dá certo, queria arranjar um emprego e não consigo, queria arranjar os meus dentes e não tenho dinheiro. Eu perguntei, tu rezas? Não, não rezo, não adianta, eu não gosto de rezar e Deus não me ouve, eu prefiro antes falar com o diabo do que com Deus. Aí eu senti que o diabo estava prestes a levar mais um filho de Deus com ele.
Se o que acontece com este meu amigo é motivo para se matar, tanta gente com problemas tão sérios e vivem felizes lutando, mas o diabo quer é isso mesmo que os jovens não rezem, não acreditem em nada, que só andem em festas, que se prostituam, que usem bebidas, drogas, porque o tempo dele é curto, e quanto mais ele se perverter, melhor. Tudo tem o seu tempo, e a sua hora, a hora em que o mundo foi criado, a hora que Jesus Cristo foi enviado pelo Pai, para viver aqui na terra, depois chegou a hora de morrer e depois ressuscitar e voltar para o Pai, antes disto houve o dilúvio,
E tudo que está escrito na sagrada escritura e ainda não se cumpriu, irá cumprir-se, e existe um tempo para isto acontecer, e felizmente, ou infelizmente, é agora na nossa geração, numa geração pervertida, maldosa, sem coração, sem amor, sem piedade, alguns governantes roubam a sociedade de cara destapada, os ladrões assaltam os postos da policia, etc.
Deus vai assistir a este sofrimento todo, à destruição da terra, os maus sendo vitoriosos sempre, e Ele não virá concertar, esperará mais 100 ou 200 anos?
Eu acredito em Deus, e confio que Ele vem em nosso socorro, e nem me importo que se riam de mim, que me chamem louco. Avisados fomos todos, orientados fomos todos, mas se o dinheiro, a fama, a farra, é mais importante do que a oração, do que a preparação para esperar os dias que vêm pela frente, cada ser humano é livre de escolher o seu caminho.
Eu vou continuando com a minha (loucura) pois Cristo avisou-nos na Sagrada escritura, que nos chamariam loucos, zombariam de nós, nos prenderiam, mas se nos calassem, as pedras falariam.
Com Deus tudo posso, sem Ele nada sou.
Laerte de Vargas.
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Satanás não tem a última palavra |
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- O maior triunfo de Satanás é...?
- Padre Fortea: É fazer-nos crer que não existe: Efectivamente, depois dos anos setenta, muitos teólogos disseram que era um símbolo, e este foi um grande êxito porque desde então todo o ministério do exorcismo desapareceu da Europa praticamente de forma total. Somente em Roma permaneceu de maneira continuada e inclusive diária.
- O que provocou esta atitude?
Fez-nos muito dano. O povo deixou de confiar na Palavra de Deus como autoridade perfeita na qual não cabe o erro. Já dizem: «não sabemos o que é símbolo ou o que é realidade». Mas o tema do demónio, que foi o primeiro a ser varrido pela teologia mais modernista, é um dos que mais se está a recuperar porque a realidade prevalece.
- O tentador... tenta sempre?
O demónio tenta, mas não sempre, somente algumas vezes. Não está sempre ao nosso lado ainda que pode tentar coisas muito más e demoníacas. Por exemplo, na carne. Nela vemos simbolizados muitos pecados que procedem da nossa própria pessoa. Sobretudo, o que mais se ressaltam são os pecados de luxúria, pois são nos que de maneira mais fácil cai o ser humano porque são os que menos malícia têm, são mais de debilidade. Esta classe de pecados abre a porta a pecados piores, e cada vez vamos descendo se não mudamos o caminho.
- Estamos na sociedade da perda da consciência do pecado?
Há males muito de moda, como a homossexualidade e as uniões de facto. Trata-se de fenómenos que, sobretudo, se dão em sociedades urbanas. No campo é mais difícil que ocorram de um modo generalizado, mas só como actos isolados. A sociedade do campo é mais sã, mais apegada à natureza, e tem uma consciência mais clara da lei natural. Mas num meio urbano, completamente artificial, que perdeu o conceito das leis cristãs, ali o homem é dono e senhor da lei moral. Ele faz e desfaz como quer, e isto leva-o a esquecer-se totalmente do Criador. A ser um ser autónomo e a decidir com completa independência. Frente a isto, só pode opor-se a fé, a religião como a consecução dos mais altos valores. Eu creio que isto é a única coisa que podemos opor frente a toda acção moral desviada. A única resistência é a da luz da fé no amor de Deus.
- Separação Igreja-Estado é o mesmo que separação Deus-Sociedade?
A divisão de Igreja e Estado chega a tergiversar. Que o Estado não possa dar favoritismo a uma religião concreta não significa que a sociedade, o Estado, tenha que estar separado de Deus. Por exemplo, os Estados Unidos estão consagrados pela Constituição. É somente a separação entre a Igreja e o Estado, não entre Deus e a sociedade. O Estado não favorecerá uma religião concreta, mas se dá conta de que a fé em Deus é algo bom para a sociedade e pode favorecer toda a religião e a união dos cidadãos com Deus. Há, portanto, uma diferença muito grande entre Estados Unidos e Europa. A Deus, que é Pai, não lhe dá o mesmo que apareça ou que não apareça, não lhe dá o mesmo que os seus filhos o mencionem respeitosamente ou que o esqueçam completamente.
- Só é satânico quem adora Satanás?
Com efeito. Contudo, a descristianização não é sinónimo de satanismo. Pecador não é igual a satânico. Não vejo satanismo em fenómenos morais desviados. O satanismo é algo muito grave. Ainda que se tenha uma família e se leve uma vida extremamente irrepreensível pode-se ser satanista e, ao contrário, por mais que se viva de maneira rejeitável e libertina não se é forçosamente satanista. Mas há meios que o demónio sempre aproveita para influenciar, possuir ou afectar a alma humana; coisas tão simples como os actos esotéricos: espiritismo, ritos da Nova Era... tudo o que seja invocar espíritos desconhecidos.
- Como é que Satanás actua sobre a nossa inteligência?
A resposta pastoral da Igreja frente a este mal com respeito à curiosidade dos jovens é exortá-los a que se afastem totalmente do ocultismo e da magia, que se distanciem de querer romper este véu que nos separa do mais além por meios que não sejam os que a tradição católica ensinou. Satanás infunde na inteligência espécies inteligíveis que nos parecem nossos pensamentos quando na realidade é ele quem influi derramando na nossa mente imagens que a ele interessam.
- No mundo há um espectáculo em meio ao tema do exorcismo...
A pouca informação é o tabu que se criou em torno a isto. O demónio sabe bem: quanto menos se saiba de si mesmo ou do trabalho da Igreja contra ele, muito melhor. É o que lhe interessa. A mim o que interessa é que os seus planos fiquem descobertos. Um exorcista, antes de tudo, deve saber que existe o demónio e que existe a possibilidade do exorcismo.
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Satanismo, expressão da precariedade da sociedade, |
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afirma o Pe. Arboleda, especialista do Observatório Pastoral do CELAM
Nos últimos anos, o fenómeno do satanismo reapareceu em formas convidativas. Um especialista no tema, Pe. Carlos Arboleda, do observatório Pastoral do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), explica como o satanismo se converteu numa expressão da precariedade da sociedade.
Para compreender melhor o satanismo activo, ele classifica-o em três categorias: satanismo de adolescentes, satanismo ácido e satanismo racionalista.
- O satanismo de adolescentes é próprio de pessoas nessa fase de idade, que formam grupos satânicos, ainda que não conheçam nada sobre o satanismo.
Os pré-adolescentes ou adolescentes fazem isto por curiosidade e movidos por uma busca de identidade e de auto-afirmação frente aos adultos. Geralmente estão em busca de afectividade e socialização. Costumam reunir-se às sextas-feiras à noite, tomar bebidas alcoólicas, ouvir rock e, com algum iniciado no satanismo, vão aprofundando no conhecimento da filosofia do grupo. Às vezes, se há algum adulto, é ele quem os inicia em actos imorais; esse adulto geralmente tem dificuldades psicológicas ou éticas.
- O satanismo ácido reúne pessoas que já executam actos mais graves, como consumo de drogas, actos sexuais e orgias e possivelmente delitos. Geralmente são jovens com alguma conduta desviada, que escolhem esse comportamento como uma forma de agregar-se e de expressar poder diante do seu grupo social. Frequentemente não conhecem a teoria do movimento satânico, mas utilizam esse nome para gerar temor ou medo entre as pessoas.
- O satanismo racionalista é próprio de pessoas cultivadas intelectualmente, que geralmente leram obras de Nietzsche e Crowley. O seu satanismo é fruto de uma opção pessoal e de uma filosofia de vida. São pessoas comuns e correntes, não realizam necessariamente rituais e não entram em conflito com o grupo social em que estão; simplesmente não concordam com os convencionalismos culturais, religiosos ou legais da sociedade actual. Este seria o autêntico satanismo com motivações filosóficas.
Diante desta realidade, apresentam-se 2 interpretações. Uma, anti-satânica, que acredita que o satanismo é como uma máfia que organiza um complô contra os bons costumes, contra a Igreja e contra as religiões. Cria-se um rumo-pânico que produz notícias alarmantes. Por outras palavras, seria o flagelo apocalíptico do anticristo feito realidade.
Trata-se de um exagero, levado a cabo dentro de grupos fundamentalistas cristãos, ainda que haja, efectivamente, actos cometidos por grupos satânicos, mas não na proporção que eles calculam.
A outra interpretação leva a uma atitude mais crítica e mais real. O satanismo não é a obra-prima da multinacional do mal, mas a expressão da precariedade da sociedade.
A falta de afecto na família e a destruição da mesma, a marginalidade e a exclusão social e o vazio de uma sociedade competitiva, consumista e individualista são a matéria-prima do satanismo.
«Os adolescentes que crescem sem a presença dos pais, os jovens que não tiveram oportunidades na vida e a falta de uma genuína experiência religiosa em um meio voraz criam bases para o surgimento da ideologia satânica, como meio compensador de carências ou expressão dessa carência», conclui o Observatório Pastoral do CELAM.
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Como é que os demónios nos entretêm |
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A REUNIÃO - Satanás convocou uma Reunião Mundial de demónios. No seu discurso de abertura, disse: "Não podemos impedir os cristãos de irem à igreja".
"Não podemos impedi-los de lerem as suas Bíblias e conhecerem a verdade". Nem mesmo podemos impedi-los de formarem um relacionamento íntimo com o seu Salvador".
"E, uma vez que eles ganham essa conexão com Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado ".
"Então, vamos deixá-los ir às suas igrejas; vamos deixá-los com os almoços e jantares que nelas organizam, MAS, vamos roubar-lhes o tempo que têm, de maneira a que não sobre tempo algum para desenvolver um relacionamento com Jesus Cristo".
"O que quero que vocês façam é o seguinte", disse o diabo:
"Distraiam-nos a ponto de que não consigam aproximar-se do seu Salvador, para manterem esta conexão vital durante o dia todo! "
"Como vamos fazer isto? " gritaram os seus demónios.
"Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes”.
"Tentem-nos a gastarem, gastarem, gastarem, e pedir emprestado, pedir emprestado, pedir emprestado"
"Persuadam as suas esposas a irem trabalhar durante longas horas, e os maridos a trabalharem de 6 a 7 dias por semana, durante 10 a 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios."
" Criem situações que os impeçam de passar algum tempo com os filhos"
"À medida em que as suas famílias se forem fragmentando, muito em breve os seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho".
"Estimulem as suas mentes com tanta intensidade, que eles não possam mais escutar aquela voz suave e tranquila que orienta os seus espíritos".
"Induzam todos a ligarem o rádio ou o gravador, sempre que estiverem a conduzir. Que a TV, o Vídeo, os CDs e os PCs estejam sempre ligados, constantemente, nos seus lares, e providenciem que todas as lojas e todos os restaurantes do mundo toquem constantemente música que não seja bíblica".
"Isto entupirá as suas mentes e quebrar aquela união com Cristo".
"Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas e jornais".
"Bombardeiem as suas mentes com notícias, 24 horas por dia".
"Invadam os momentos em que estão dirigindo, fazendo-os prestar atenção a cartazes atractivos".
"Inundem as caixas de correio deles com papéis totalmente inúteis, catálogos de lojas que oferecem vendas pelo correio, lotarias, bolos de apostas, ofertas de produtos gratuitos, serviços, e falsas esperanças".
"Mantenham lindas e delgadas modelos nas revistas e na TV, para que os seus maridos acreditem que a beleza externa é o que importa, e eles se tornarão mal satisfeitos com as suas próprias esposas".
"Mantenham as esposas demasiadamente cansadas para amarem os seus maridos à noite, e dê-lhes dores de cabeça também".
"Se elas não dão aos seus maridos o amor que eles necessitam, eles então começam a procurá-lo noutro lugar, e isto, sem dúvida, fragmentará as suas famílias rapidamente."
"Dê-lhes o Pai Natal, para os distrair da necessidade de ensinarem aos seus filhos, o significado real do Natal."
"Dê-lhes o Coelho da Páscoa, para que eles não falem sobre a ressurreição de Jesus, e o Seu poder sobre o pecado e a morte."
"Até mesmo quando se estiverem a divertir, que seja tudo feito com excessos, para que ao voltarem dali estejam exaustos!"
"Mantenha-os de tal modo ocupados que nem pensem em ir ou ficar na Natureza, para reflectirem na criação de Deus. Mas mande-os para Parques de Diversão, acontecimentos desportivos, peças de teatro, concertos e ao cinema. Mantenha-os ocupados, ocupados, ocupados! " "E, quando se reunirem para um encontro, ou uma reunião espiritual, envolva-os em mexericos e conversas sem importância, para que, ao saírem, o façam com as consciências pesadas".
"Encham as vidas de todos eles com tantas causas nobres e importantes a serem defendidas que não tenham nenhum tempo para buscarem o poder de Jesus".
"Muito em breve, eles buscarão nas suas próprias forças, as soluções para os seus problemas, e para as causas que defendem, sacrificando a sua saúde e as suas famílias pelo bem da causa."
"Isto vai funcionar! Vai funcionar!" Este era um "senhor" plano!
Os demónios ansiosamente partiram para cumprirem as determinações do chefe, fazendo com que os cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados, e mais apressados, indo daqui para ali, e vice-versa. Tendo muito pouco tempo para Deus e para suas famílias. Não tendo nenhum tempo para contar a outros sobre o poder de Jesus para transformar vidas.
PERGUNTA: teve o diabo sucesso nas suas maquinações? Responde tu!
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Como vencer o Maligno |
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COMO VENCER O MALIGNO
A palavra de Deus instrui como vencer todas as insídias de satanás. Força particular de perdão aos inimigos.
João Paulo II dizia: «chamemos pelo nome o verdadeiro inimigo»
Comecemos por recordar as acções do maligno (é este o termo referido do Novo Testamento, para indicar o demónio) que tem dois aspectos: acção ordinária à qual estamos sujeitos. Também Jesus querendo ser em tudo semelhante a nós, excepto no pecado, aceitou sofrer a acção ordinária do demónio, ou seja, as tentações.
Como vencê-lo?
O próprio Jesus nos indica os dois meios indispensáveis: Vigiar e rezar, para não cair em tentação» (Mt, 26.4).
Existe também uma acção extraordinária do demónio. Além de nos encher de tentações, o maligno tem poderes, por permissão divina, de causar tormentos particulares. São habitualmente elementos em cinco formas: tormentos exteriores, possessões, vexações, obsessões, infestações. Não bastam, muitas vezes, a oração e a vigilância: o Senhor pede-nos mais. Pede-nos o jejum e sobretudo o exercício de virtudes, em particular, a humildade e a caridade.
Estas duas virtudes, tipicamente cristãs, desconcertam satanás, incomodam-no completamente. O maligno é todo orgulho, rebelião a Deus, arrogância. E não há dúvida de que o orgulho é o mais forte dos defeitos, tanto que no Salmo (18) é chamado «o grande pecado». Frente a uma alma humilde, o demónio não pode nada. Note-se que a humildade tem dois aspectos complementares: sentir-se nada, porque reconhece a sua fragilidade e confiança em Deus, que nos ama e daí vem todo o bem. O demónio sabe muito bem estas coisas e ataca-nos com a nossa complacência e com todas as formas de divisão.
A caridade é, pois, a rainha das virtudes, com muitos aspectos:
dar, dar-se, ser clemente e compassivo... e é incompreensível ao demónio porque todo ele é ódio. Mas há um aspecto particular da caridade que é verdadeiramente heróico (é talvez o preceito mais difícil do Evangelho) que tem uma força particularíssima contra os assaltos do demónio e que vão além das vitórias que satanás pode ter obtido sobre nós: é perdoar de coração e amar os inimigos (ou seja, os que habitualmente nos querem mal e até os que continuam a fazê-lo).
Foi-me dado compreender por frequentes exorcismos feitos a pessoas possuídas pelo demónio ou feridas por distúrbios maléficos menores, porque os meus exorcismos não produziam nenhum efeito. Então, procurei individualizar, com a ajuda de pessoas atingidas. Interroguei a fim de saber se na alma daquela pessoa havia ódio, ou até só rancor, se faltava o perdão do coração, que Jesus exige para conceder-nos o Seu perdão. E interroguei sobre o amor: se havia qualquer pessoa que não era sinceramente amada. Juntamente, procurava entre os familiares mais próximos, entre os amigos, os colegas de trabalho, os vivos e também os defuntos. E quase sempre encontrei carências e logo pude dizer claramente que era inútil continuar com o exorcismo sem que aquele obstáculo estivesse removido. Vi casos de perdão dados de coração, reconciliações heróicas, oração e celebrações de Missas a favor de pessoas de quem se continuava a receber o mal. Remorsos, obstáculos, a Graça de Deus descia com abundância.
Fiquei bem esclarecido que não se pode libertar de satanás só com a Palavra de Deus, as orações, os Sacramentos, o perdão, o amor sincero, sem exorcismos. Mas os exorcismos não produzem efeito se faltam estes exercícios.
Quero recordar uma verdade: quem são os mais assaltados, os mais feridos por satanás? São os jovens. Pelo que a sua vitória é duplamente meritória. Recorda-nos S. João quando exclama: «Escrevo a vós jovens, porque sois fortes, porque vencestes o maligno (1Jo 2,14).
Em relação a esta frase, o Santo Padre, João Paulo II, quando estava na ilha de S. Miguel, nos Açores (11.5.91), disse: «Sede fortes para a luta. Não para a luta contra o homem, mas contra o mal, ou melhor, chamando-o pelo nome, contra o primeiro artífice do mal. Sede fortes contra o maligno.
A táctica deste último consiste em não se revelar aparentemente, a fim de que o mal, por ele inserido, receba o seu crescimento pelo próprio homem....
É necessário ir constantemente às raízes do mal e do pecado:
juntar os seus mecanismos escondidos. - S. João: vós sois fortes e vencereis o maligno se a Palavra de Deus permanecer em vós.
O PODER DE SATANÁS
O Senhor não proíbe o maligno de fazer o mal, mas também sabe extrair deste mal o bem.
Há um princípio geral: Deus nunca renega as Suas criaturas. Criou-as livres e deixa-as agir. Depois, por fim, dará a cada um, segundo as suas obras. Mas, contudo, espera, como nos é dito muito bem na parábola do trigo e da cizânia. Por isso permite que satanás actue, os anjos actuem, que os bons e os maus cumpram as suas obras. Porque é que não mandou um acidente a Hitler ou a Staline? Porque é que deixa que os poderosos oprimam os fracos? Porque é que não intervém a defender os inocentes perseguidos Deus espera. Ele quer só o bem, a vida, a felicidade, a saúde, mas permite todo o mal que deriva do pecado, da rebelião a Ele. Mas é também verdade que sabe tirar do mal o bem: deixa mão livre aos persecutores e exalta os mártires.
É por isso que a Sagrada Escritura chama beato «o homem que supera as tentações» (Jo 1,12) e chama beato ao homem que podia transgredir e não transgride, que podia fazer o mal e não faz. No juízo final triunfam a Misericórdia de Deus e a Sua Justiça. Triunfa também a liberdade bem usada e é punida a liberdade mal usada.
Deus não renega, tão-pouco, as Suas criaturas que são demónios e permite que actuem como tal. A sua acção ordinária é a tentação e temos visto como Deus nos traz ao bem. Deus tira o bem até das acções extraordinárias do demónio, que raramente pode ser culpado ou não.
Então vejamos em que acção extraordinária o demónio tem o poder, seja para casos particulares, de cumprir o nosso mal. Reassume-o de modo sistemático, em cinco pontos.
1- Distúrbios externos. O demónio pode causar sofrimentos externos (ou seja, permanecendo fora da pessoa ferida) até muito graves. É o que aconteceu a muitos santos: S. Paulo da Cruz, Santo Cura d’Ars, S. Pio de Pietrelcina (Padre Pio)... Trata-se de agressões físicas, feridas de flagelo, pancadas em todas as partes do corpo. Às vezes deita a vítima por terra ou atira-a contra muros ou fá-la rolar pelas escadas. São factos raros, ocorridos não só com santos.
2 - Possessões diabólicas. É o distúrbio mais grave quando o demónio se estabiliza num corpo humano e o constringe a dizer coisas ou a fazer coisas das quais as pessoas nem têm responsabilidade, nem talvez capacidade. É neste caso que se verificam fenómenos vistosos, como falar línguas totalmente ignoradas pela vítima, demonstrar uma força sobre-humana, conhecer factos longínquos e segredos. O Evangelho apresenta-nos um típico exemplo do endemoninhado de Genezaré. Mas o Evangelho apresenta-nos também muitos outros exemplos. Os casos de possessões podem ser muito variados, às vezes com sintomas vistosos e outras vezes não.
3- Vexação diabólica. Trata-se de distúrbios menores, que não comportam possessão. Por exemplo, Job foi ferido na saúde, nos afectos, nos bens materiais, sem por isso ser possuído. Pessoas feridas na saúde (com males rebeldes sem que os medicamentos receitados por médicos consigam curar), nos afectos, nos bens e no trabalho, com fenómenos estranhos sobre a pessoa e sobre as próprias coisas, sem que por isso seja possessão diabólica.
4- Obsessão diabólica. Também neste caso o mal se apresenta de formas diferentes. Predominam pensamentos obsessivos, invencíveis, de modo a levar ao suicídio. Nestes casos, mais ainda do que nos outros, o exorcista deve estar muito atento e não confundir a acção do demónio com o mal psíquico ou com fenómenos parapsicológicos.
5 - Infestação diabólica. Infestação, é mesmo isto. Há casos em que o demónio, não actua sobre o homem, mas nas suas casas, sobre objectos, sobre animais.
Também desta forma são possíveis as acções diabólicas. São raras, mas requerem muita experiência para serem diagnosticadas, porque é muito fácil o engano, deixar-se vencer por sugestões, criar-se maneiras que dificilmente se vencem. Repetimos sempre que se trata de casos raros.
A maior prevenção é viver habitualmente na Graça de Deus. Mas também nestes casos de manifestações satânicas, Deus sabe tirar o bem, conversão, regresso a uma vida intensa de fé e de intensa de oração, abertura à caridade, perdão das ofensas, reconciliação, humildade e progresso espiritual.
S. João Crisóstomo, considera o maligno um instrumento de santificação, não para frasear um mérito, mas para glorificar a sabedoria de Deus que de tudo se serve para o nosso bem
D. Gabriel Amorth
Evangelho segundo S. Marcos 1,21-28.
Entraram em Cafarnaúm. Chegado o sábado, veio à sinagoga e começou a ensinar. E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei. Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.» Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.
Comentário ao Evangelho do dia feito por São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, Doutor da Igreja
«Cala-te e sai desse homem»
«Jesus ameaçou o demónio dizendo: «Cala-te e sai desse homem.»». A Verdade não necessita do testemunho do Mentiroso. [...] «Não necessito do reconhecimento daquele que condeno. Cala-te! Que a Minha glória resplandeça no teu silêncio. Não quero que seja a tua voz a fazer o Meu elogio, mas o teu tormento; pois a tua condenação é o Meu triunfo. [...] Cala-te e sai desse homem!» Ele parece dizer: «Sai de Mim; que fazes sob o meu tecto? Eu desejo entrar: por isso, cala-te e sai desse homem, do homem, este ser dotado de razão. Abandona este lugar preparado para Mim. O Senhor deseja entrar em Sua casa, sai desse homem». [...]
Vede até que ponto a alma do homem é preciosa. Isto contraria os que pensam que nós, os homens, e os animais somos dotados de uma alma idêntica e animados por um mesmo espírito. Noutro momento, o demónio é expulso de um só homem e enviado para dois mil porcos (Mt 8, 32); o espírito precioso opõe-se ao espírito vil, um é salvo, o outro perde-se. «Sai desse homem, vai para os porcos, vai para onde quiseres, atira-te ao abismo. Abandona o homem, ou seja, aquilo que Me pertence por direito; não permitirei que possuas o homem, porque seria uma injúria para Mim se te estabelecesses nele em Meu lugar. Assumi um corpo humano, habito no homem: esta carne que tu possuis faz parte da Minha carne. Sai do homem.»
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O Demónio Existe |
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S. Lucas termina a narração das tentações de Jesus, dizendo: “O diabo afastou-se de junto d’Ele até um certo tempo”(4, 13).
Qual era este “certo tempo”, é o próprio Cristo que no-lo faz compreender, quando diz: “Agora é que é o julgamento deste mundo; agora é que será expulso o príncipe deste mundo”(Jo 12,31).
Mas esta luta continua depois de Cristo, no seu corpo. O Apocalipse diz que, vencido por Cristo, “furioso contra a Mulher, o Dragão foi fazer guerra ao resto dos seus filhos” (12,17). Por isso o apóstolo Pedro recomenda aos cristãos: “Sede sóbrios e vigiai! O diabo, vosso adversário, anda ao redor de vós, como um leão que ruge, buscando a quem devorar”(Pd 5,8).
Demónio, diabo, satanás, lúcifer, são quatro nomes que designam o anjo caído, lançado no inferno por Deus, em castigo da sua desobediência. E outros espíritos o seguiram. São os anjos maus.
O dogma da existência dos anjos maus ou demónios foi definido pelo IV Concílio de Latrão em 1215. A Bíblia apresenta muitas passagens, especialmente os Evangelhos.
Os anjos bons ajudam-nos a receber e a viver os bens espirituais do Reino de Deus. Os anjos maus, os demónios, podem tentar-nos no sentido de nos apartar do Reino de Deus e nos fazer cair no pecado.
Mas, graças à morte e à ressurreição de Jesus Cristo, nem a morte, nem o pecado, nem o demónio têm já poder sobre nós. A Palavra de Cristo, os Sacramentos, a nossa fé, a oração e a penitência livram-nos da malícia e da influência do demónio.
O exorcismo definitivo contra a presença em nós do demónio, foi o nosso Baptismo (“Sai desta alma, espírito Imundo, e dá lugar ao Espírito Santo”) e será sempre a graça de Deus, com a protecção dos anjos bons, da Virgem Maria e dos Santos.
A Igreja admite a possibilidade de que o demónio tenha influência sobre algumas pessoas. Nestas questões, contudo, há que ser prudente. Tal influência combate-se com a oração dirigida a Deus e com a invocação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nunca com práticas materiais, supersticiosas, violentas ou imorais.
Dizem que a maior astúcia do demónio é fazer crer que não existe.
Paulo VI: “O mal não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e pervertedor. Realidade terrível! Misteriosa e espantosa”.
Parece que ultimamente se fala pouco do demónio, mesmo a própria Igreja. Mas não é isso que o Catecismo da Igreja Católica demonstra.
E qual é o resultado deste silêncio? Algo muito estranho. Expulso pela porta, satanás entrou pela janela; expulso da fé, entrou através da superstição.
O mundo moderno, tecnológico e industrializado pulula de magos, espíritas recitadores de horóscopos, e diversas seitas satânicas.
A maior prova da existência de satanás não se tem nos pecadores ou nos endemoninhados, mas nos santos. É verdade que o demónio está presente e opera em certas formas extremas e “desumanas” de mal, quer individual quer colectivo, mas aqui ele sente-se em casa e pode esconder-se atrás de mil sósias e contrafiguras.
Ao contrário, na vida dos santos ele é obrigado a desmascarar-se, a “vir ao descoberto”; a sua acção sobressai claramente. No próprio Evangelho, a prova mais convincente da existência dos demónios não está nas histórias de libertação dos endemoninhados, mas no episódio das tentações de Jesus.
Uns mais outros menos, todos os santos e os grandes crentes dão testemunho da sua luta contra esta obscura realidade. S. Francisco de Assis um dia confiou a um seu companheiro íntimo: “Se os frades soubessem quantas e quão grave tribulações e aflições me dão os demónios, não existiria nenhum deles que não agisse com compaixão e piedade de mim”.
O confessor de Santa Catarina de Sena diz que ela era “martirizada” pelos demónios. O P. Pio de noite enfrenta lutas furibundas com os demónios. S. João Bosco, igualmente.
E se lembrarmos Job (cf 1,6 ss), vemos que Deus “confia” nas mãos de satanás os seus amigos mais queridos a fim de lhes dar a ocasião de demonstrar que não O servem só pelos seus benefícios. Dá-lhe poder não só no seu corpo, mas por vezes, misteriosamente, também na sua alma, ou pelo menos numa parte dela.
Há quem diga que o demónio não existe porque nunca o viu. É como um astronauta soviético que dizia que Deus não existe porque ele tinha viajado pelos céus e não O encontrara.
Não se deve ter excessivo medo dele. Depois da vinda de Cristo, “o demónio está ligado, como um cão à corrente; não pode morder ninguém, a não ser quem, desafiando o perigo, se aproxima dele... Pode ladrar, pode solicitar, mas não pode morder, a não ser quem o quiser. Não lhe dêmos demasiada importância. Ver o demónio em toda a parte não é menos desviador que não o ver em parte alguma. “Quando é acusado, o demónio fica contente. Quer até que tu o acuses, aceita de boa vontade qualquer reprovação, se isto serve para que não faças a tua confissão”.
Invocar a Mãe de Deus, é poderosíssima arma contra o demónio. A Imaculada esmagou-lhe a cabeça e continua a esmagá-la. Auxiliadora dos Cristãos, Ela defende-os velando por eles, cumprindo a missão recebida de seu Filho no Calvário. Escreveu Tomás Kempis: ”Os demónios temem a tal ponto a Rainha do Céu que, ao proferir se o seu grande nome, fogem de quem o profere como de fogo que abrasa”.
O DEMÓNIO E O INFERNO
Como falar às crianças?
De muitos lados me dirigem esta pergunta que interessa aos pais, catequistas e educadores.
O Senhor revelou-se no Antigo Testamento por meio dos Profetas e, por fim, manifestou-Se no Ministério público de Cristo: ensinou sempre toda a verdade a todos, grandes e pequenos. Certamente que as crianças compreendiam conforme a sua capacidade. Também o ensinamento privado deve ter em conta a idade e o método a usar com as crianças, conforme a sua capacidade, mas é erro grave esconder a verdade às crianças, temendo amedrontá-las.
Lembro-me, a este respeito, as observações da Irmã Lúcia de Fátima, quando, já idosa, pensava naquele famoso dia 13 de Julho de 1917, em que Nossa Senhora fez ver o Inferno aos pequenos videntes e lhes revelou os famosos segredos. Pois bem, Lúcia fez notar: «Quando alguma vez se teme falar do Inferno às crianças, por medo de amedrontá-las, Nossa Senhora, pelo contrário, quase sem ter em conta a nossa idade (7, 9 e l0 anos), não só falou do inferno, mas fez-nos vê-lo e ficámos aterrorizados a tal ponto que cairíamos de medo se Ela não nos tivesse segurado, pouco antes, não nos levava ao Paraíso». Esta visão e a visão das almas que em massa se precipitavam no inferno, ocasionou a estas três crianças um salto enorme de reparação, num zelo constante a oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores.
Quando Jesus aludia ao inferno, falava a todos, até às crianças, de cuja presença nos fala o Evangelho muitas vezes. O efeito produzido pela vista do inferno por parte das crianças de Fátima, diz-nos que muitas vezes as crianças compreendem perfeitamente à letra, sem minimizar, como fazem muitos adultos e teólogos, e depois comportam-se com coerência até heróica.
Além disso, creio que alguns conceitos fundamentais se podem e devem insistir com as crianças. Conceitos básicos, para não amedrontar ninguém que devem estar bem presentes até nos adultos.
1- Um primeiro conceito é que Deus é bom e criou boas, todas as coisas e todos os seres, especialmente os seres inteligentes e imortais: anjos e homens. Deus não criou os criou diabos maus, Ele criou só anjos bons, mas deu aos anjos (como depois aos homens) o dom da liberdade.
Alguns anjos usaram mal este dom, sentiram-se grandes no seu orgulho e desobedeceram a Deus, em vez de seguirem o bem, seguiram o mal. E em vez de permanecerem anjos luminosos e felizes, tornaram-se demónios tenebrosos e desgraçados. Condenaram-se a si mesmos ao eterno suplício do inferno.
Também nós, homens, fomos criados por Deus, bons e para o bem. O fim para o qual estamos destinados é o Paraíso. Mas Deus deu-nos o dom da liberdade que dá méritos pelo bem que fazemos. Mas se copiamos o mal, temos culpa e condenamo-nos, a nós mesmos ao castigo. Efectivamente, quem faz o bem, recebe o bem, quem faz o mal, recebe o mal.
2 - Tendo-se tornado o demónio inimigo de Deus, procura fazer tudo para que também o homem se afaste de Deus e Lhe desobedeça. Eis por que nos tenta. Deus deu-nos um anjo que nos protege, cada um de nós tem o seu anjo custódio. Mas depende de nós obedecer á tentação do demónio ou à voz do anjo. Por isso, não devemos ter medo, mas sermos fiéis a Deus: quem é fiel a Deus vai para o Paraíso, como os anjos e os santos, quem se revolta contra Deus vai para o inferno, como os demónios.
3 - O demónio tem os seus aliados dos quais devemos estar à defesa. Os primeiros aliados são as nossas paixões desordenadas, que vão tomando conta de si, dos sacrifícios voluntários, com as acções vistosas, a oração, os sacramentos. Depois há outros aliados do demónio, que são as ocasiões do mal que o mundo pode apresentar, más companhias, leituras e espectáculos maus. Hoje é particularmente perigosa a televisão, que, a ser usada, seja com parcimónia e bem atentos á escolha dos programas. Por fim, desde pequenos é necessário saber distinguir o que é bom e o que é mal, o que é agradável a Deus e o que é contra os Seus ensinamentos. Obedecendo ao Senhor, se nos comportamos como os anjos, ou desobedecendo a Deus, comportando-nos como os demónios.
Como se vê, é sempre bom falar do diabo também às crianças, ensinando-as a não terem medo, porque o diabo não pode fazer-nos mal algum, se não formos nós a querê-lo. Pode tomar-se o exemplo dos anjos e dos demónios, para distinguir o bem do mal, a obediência a Deus e a desobediência a Ele e, por consequência, o prémio e o castigo que dependem do nosso comportamento.
D. Gabriele Amorth
São Paulo e os demónios
São Paulo aconselha-nos a ser prudentes e a distinguir o bem do mal. A razão principal que dá é dupla: o nosso ‘eu’ e os Anjos infiéis. Os Anjos caídos no pecado são especialmente perigosos porque aproveitam as tendências desordenadas do nosso egoísmo e desviam as nossas boas intenções, disfarçando-se em “anjos da luz”. Estaremos, então, expostos à sua influência sem qualquer amparo? Já considerámos vários critérios, tais como a caridade, a obediência e a pureza. São Paulo, porém, ensina-nos mais sobre o mundo espiritual em que vivemos. “Não é contra seres humanos que temos de lutar, mas contra os espíritos do mal” (Ef 6,12). Porque ele nos dá este ensinamento, devemos escutá-lo com atenção.
1. Confrontação de Paulo com os demónios
São Paulo não quis conhecer nada senão CRISTO, e CRISTO crucificado. “Eu sou JESUS, a Quem tu persegues” (Act 9,5). Esta sua confrontação pessoal com JESUS perseguido diante das portas de Damasco marcou profundamente a sua vida. De modo semelhante, aquilo que São Paulo narra acerca dos espíritos caídos, aprendeu-o principalmente por uma confrontação pessoal ou pela experiência. Algumas destas fortes confrontações com os espíritos do mal são recordadas directamente na Sagrada Escritura, outras conhecemo-las de maneira mais indirecta.
a) Um espinho na carne, um anjo de Satanás
Na segunda carta aos Coríntios, capítulos 11-12, São Paulo fala largamente do seu apostolado. Ele tinha “receio que, assim como a serpente seduziu Eva com a sua astúcia, assim sejam corrompidos os vossos pensamentos, e se afastem da sinceridade para com CRISTO” (2 Cor 11,3), “por falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçados de apóstolos de CRISTO” (2 Cor 11,13). Para lhes revelar a imagem de um verdadeiro apóstolo, ele faz uma descrição do seu proceder pastoral (cf. 11,1=2), dos seus sofrimentos (cf. 11,23-29) e dos seus trabalhos abnegados em favor deles (cf. 11,7-9). A estes pertencem também as graças que DEUS lhe concedeu e as fraquezas que teve que suportar com humildade. Ele ‘foi arrebatado até ao terceiro céu” (12,2), mas foi-lhe também “dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me ferir” (12,7b), “para que não me enchesse de orgulho por causa da abundância das revelações” (12,7a). Não é muito importante saber que género de “espinho” foi mas, sim, que DEUS quis permiti-lo, e que na Sua providência os ataques de Satanás foram os meios escolhidos pelos quais DEUS quis modelar e transformar o Seu grande instrumento, levando-o à perfeição. Paulo formula assim o seu comentário: A esse respeito, “por três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim, mas ELE respondeu-me: “Basta-te a Minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza” (2 Cor 12,8-10).
b) Confrontação de Paulo com os espíritos malignos
Nos Actos dos Apóstolos, São Lucas narra longamente as actividades do Apóstolo dos gentios. Foi especialmente em Éfeso que São Paulo foi confrontado com os espíritos malignos. “DEUS fazia milagres extraordinários por intermédio de Paulo, a tal ponto que bastava aplicar aos doentes os lenços e as roupas que tinham estado em contacto com o seu corpo, para que as doenças e os espíritos malignos os deixassem” (Act 19,11-12). A sua actividade missionária foi, portanto, acompanhada da expulsão de demónios. Isto levou “alguns dos exorcistas judeus, ambulantes “, a recorrer ao seu nome: “Conjuro-vos por JESUS, a Quem Paulo anuncia... Mas o espírito maligno replicou-lhe: “eu conheço JESUS e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?” E atirando-se a eles o homem que estava possuído do espírito maligno, apoderou-se de uns e de outros e tratou-os tão violentamente, que tiveram de fugir daquela casa nus e cobertos de contusões” (Act 19,13-16). Também “muitos dos que se tinham dedicado à magia trouxeram os seus livros e queimaram-nos diante de todos. O valor dos livros foi calculado em cinquenta mil moedas de prata” (19,19). Mas apareceu “um certo Demétrio, que construía santuários de Ártemis, de prata e proporcionava aos artífices um negócio lucrativo “. Receando perder os seus negócios, estes causaram uma grande confusão e oposição ao trabalho missionário de Paulo (cf. Act 19, 24ss). Consciente disso, São Paulo disse aos “anciãos da Igreja” de Éfeso: “Sei que, depois de eu partir, se hão-de introduzir, entre vós, lobos temíveis que não pouparão o rebanho e que, mesmo no meio de vós, se hão-de erguer homens de palavras perversas para arrastarem os discípulos atrás de si. Estai, pois, vigilantes...” (Act 20, 17. 29-31).
Estas e certamente muitas outras experiências formam o pano de fundo das mais conhecidas afirmações de São Paulo acerca da luta espiritual contra os espíritos malignos, escritas precisamente aos Efésios (cf. 6, 10-12).
Estas referências aos espíritos malignos na vida de São Paulo dizem-nos antes de tudo que a sua existência é um facto. Então, a presença de DEUS entre os homens e o anúncio do Evangelho excita o inimigo: a luz da verdade divina desmascarará os filhos das trevas. Ao mesmo tempo, porém, é verdade que os inimigos de DEUS também servem os Seus planos para a santificação dos homens. Esta é uma das razões por que São Paulo transmite em todas as suas cartas uma opinião muito positiva da vida e exorta todos à alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo digo: Alegrai-vos!” (Fl 4,4; cf. 2 Cor 13,11 etc.), porque “Quem poderá separa-nos do amor de CRISTO? Estou convencido que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro nem a altura nem o abismo nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS que está em CRISTO JESUS, Senhor nosso” (Rm 8,35, 3 8-39).
2. Diferenças entre os espíritos malignos
São Paulo não hesita em falar sobre os inimigos e até o faz muitas vezes.
a) Diferenças individuais e genéricas
Ele menciona dez vezes “Satanás “, um termo que em geral é reconhecido como um nome pessoal (cf. Rm 16,20; 1 Cor 5,5. 7,5; 2 Cor 2,11. 11,14; 12,7; 1 Ts 2,18; 2 Ts 2,9; 1 Tm 1,20. 5,15). Refere seis vezes, de um modo geral, o chefe dos maus espíritos sob o nome de “diabo”, que é praticamente um título próprio (cf. Ef 4,27. 6,11; 1 Tm 3,6s.; 2 Tm 2,26 e Heb 2,14). Em duas ocasiões fala dos “demónios” (1 Cor 10,20-21 e 1 Tm 4,1). Ainda podemos acrescentar a referência aos “exércitos “; já ouvimos São Paulo dizer que a nossa luta é “contra o exército dos espíritos do mal que estão nos céus” (Ef 6,12).
b) Espíritos malignos de certos coros
São Paulo refere-se também aos maus espíritos em relação aos nomes de coros angélicos: Em Ef 6 ouvimo-lo falar da nossa luta “contra os principados, potestades, contra os dominadores (virtudes) deste mundo de trevas (Ef 6,12). Aos Colossenses ele falou da vitória de CRISTO sobre os “poderes e as autoridades, os quais expôs publicamente em espectáculo e sobre os quais celebrou o seu triunfo “. (Cl 2,15).
Implicitamente, afirma-se aqui que os Anjos são pessoas individuais. Ao mesmo tempo estão em relação uns com os outros. Por isso, foi possível que anjos individuais dos diferentes coros caíssem e continuassem a ter as características dos coros em que foram criados (cf. Cl 1,16).
c) Referências descritivas
O termo “espírito” refere simplesmente à natureza das primeiras criaturas de DEUS. Paulo refere-se expressamente a um espírito caído em Ef 2,2: “Vivestes outrora de acordo com o curso deste mundo, com o príncipe que domina os ares, o espírito que agora actua nos rebeldes “. Assim, a palavra “exércitos” e os nomes dos diferentes coros relacionam-se antes com o género das suas actividades, não com a sua escolha diante de DEUS. E por isso que São Paulo acrescenta algumas características particulares para especificar se está a falar de bons ou de maus espíritos. Tais características referem-se à qualidade moral das suas actividades, ao fruto que pretendem conseguir com as suas acções. Na carta aos Hebreus, São Paulo fala de JESUS que pela Sua morte destruiu “aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo” (Heb 2,14). E aos Coríntios, Paulo fala do “deus deste mundo” (2 Cor 4,4) e ainda aos Efésios “do príncipe que domina os ares; o espírito que agora actua nos rebeldes” (Ef 2,2), “os dominadores deste mundo de trevas” e “o exército de espíritos do mal que estão nos céus” (Ef 6,12).
3. Estarão eles presentes em toda a parte?
As descrições precedentes podem levantar certas questões: Não é necessário perguntar como é que São Paulo sabia todas estas coisas; basta-nos acreditar que a palavra que dele recebemos ‘é verdadeiramente palavra de DEUS” (1 Ts 2,13).
Há uma questão muito séria: Será que Paulo vê actuar os demónios por toda a parte, no ar, nas trevas, entre os rebeldes e onde encontramos a morte? Será que as suas cartas provocam medo aos leitores, o que poderia ser um perigo contra qual a Igreja recentemente nos avisou: “A devoção popular aos santos Anjos, que é legítima e boa, poderá, porém, fazer surgir a possibilidade de desvios se... os fiéis tiverem a ideia que o mundo está sujeito a lutas demiúrgicas... nas quais o homem fica à mercê de forças superiores.., ou se os acontecimentos diários da vida.., forem interpretados esquemática ou simplisticamente, portanto de modo infantil, o que leva a atribuir todos os revezes ao diabo e todos os sucessos ao Anjo da Guarda” (Liturgia e devoção popular, 217). O próprio Paulo alerta para tal opinião deturpada do mundo: “Não vos deixeis inferiorizar por quem quer que seja que se deleite com práticas de humildade ou culto dos anjos. E gente que, dando atenção às suas visões, em vão se gloria com a sua inteligência carnal e não se apoia naquele que é a Cabeça; é a partir dele que todo o Corpo abastecido e mantido pelas junturas e articulações recebe o seu crescimento de DEUS” (Cl 2,18-19). Todavia, para São Paulo tudo é recapitulado e está sujeito a CRISTO que é a Cabeça (cf. Ef 1,22-23). São Paulo ensina com toda a clareza — e muito mais frequentemente do que se refere ao mal — que JESUS “despojou os poderes e as autoridades” (Cl 2,15; cf. Rm 16,20) e que o PAI “nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o Reino do seu amado FILHO” (Cl 1,13). Mas é certo que não corresponderia à plena verdade se São Paulo se tivesse silenciado sobre a existência dos espíritos condenados e tivesse deixado de descrever as suas actividades, porque temos de os combater com a graça de CRISTO para ganhar a coroa.
Juntemo-nos a São Paulo na nossa vocação maravilhosa para proclamar aos homens: “Não estais nas trevas, irmãos,.., todos vós sois filhos da luz e do dia” (lTs 5,4-5). No entanto, faz parte da realidade da nossa peregrinação saber que há perigos à nossa volta, que há inimigos que não desejam a nossa felicidade. Por isso, temos de aceitar a instrução que São Paulo nos dá sobre os espíritos malignos e não deixar de transmitir a palavra do Senhor “Vigiai e rezai”, para que ninguém, por negligência nossa, deixe de chegar à grande e indescritível meta que DEUS preparou para todos nós.
Quatro formas de ver o diabo
O diabo nunca pode amar o homem
Há quatro tipos de pessoas, que vêem de forma diferente o diabo.
1 - As que vêem o diabo em todo o lugar. Mesmo nas coisas mínimas: “Aí está o diabo!” Encontramos este modo de pensar em muitas pessoas, pois, se algo não dá certo, pensam logo em feitiços, dizem que o diabo está ao redor delas, que necessitam de exorcismo, etc. São evidentemente exageros.
2 - As pessoas para quais o diabo simplesmente não existe. O diabo é um produto cultural e nada mais, uma personificação do mal.
3 - As que crêem na existência do diabo, mas somente em teoria. De facto elas ignoram-no totalmente, nunca falam dele, não lhe atribuem nenhuma iniciativa. Isto é muito cómodo para o diabo porque, quando ele é ignorado, ele pode agir muito mais facilmente e sem ser incomodado.
4 - As que acreditam na existência do diabo, que lutam contra ele, mas consideram Cristo como o centro da teologia ou da vida.
Apesar do diabo ter sido vencido, ele faz tudo para destruir o Reino de Cristo. A sua batalha não é, principalmente, contra nós, mas contra Cristo. É contra nós enquanto somos filhos do Reino; atacando os filhos do Reino o diabo ataca o Reino de Cristo para o enfraquecer. Isto é o que motiva o inimigo.
Para uma pessoa que está na caminhada da fé, o diabo não deve meter medo. Ao contrário, é ele quem precisa de ter medo de nós e isto por uma razão muito simples: porque ele vê que tudo que Jesus reservava para ele, no início da criação, Jesus agora pôs nas nossas mãos. Toda a graça, a glória que era para Lúcifer, o anjo da luz, agora ele vê-a em nós. E o diabo vê em nós pessoas fracas, por um lado, mas fortes por outro, por causa da armadura que nos protege e pelas armas que temos em mãos.
Desta forma o diabo tem medo dos filhos de Deus e tem medo de forma especial dos sacerdotes, pelas armas que tem nas mãos, especialmente o Sacramento da Reconciliação. Na celebração do Sacramento da Reconciliação, a pessoa passa de um lado para outro: renuncia à escolha que fez a favor do diabo e aceita novamente Cristo na sua vida. Este é o momento mais forte da derrota do diabo.
O diabo nunca pode amar o homem, nem os participantes de seitas satânicas, os seus adeptos; não pode amá-los! Os diabos entre si odeiam-se, há um grande ódio entre os diabos. Um pouco de amor no inferno, apagaria tudo o que é o inferno, mas lá somente existe ódio, mesmo entre os demónios. Portanto, quando o diabo oferece ao homem alguma coisa que parece boa, por exemplo, uma cura, ela acaba num desastre.
Devemos prestar atenção, desta forma, à fonte, e não ao resultado aparente. Se a fonte é o inimigo, o inimigo é ódio, portanto, não nos pode oferecer nada por simpatia por nós.
do livro Cura do Mal e libertação do maligno – de Frei Elias Vella
Frei Elias Vella
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Patologia psiquiátrica e satanismo cultural |
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Patologia psiquiátrica e satanismo cultural
Entrevista com o presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos
Nos dias de hoje, entre as diversas formas de desvio juvenil, assistimos à expansão do fenómeno do satanismo cultural, cada vez mais preocupante, com a cumplicidade da fácil disponibilidade de conteúdos esotéricos na internet e a falta de valores fortes na família. Quem está convencido disto é o Dr. Tonino Cantelmi, psiquiatra e presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos, coautor, com a psicoterapeuta Cristina Cacace, de «O livro negro do satanismo» que fala de uma verdadeira invasão dos convites à cultura satânica através de livros, revistas, mas sobretudo blogs e cinema. Cantelmi alerta em concreto sobre os novos dramáticos cenários que esperam o homem na próxima década, e que não serão já paraísos opiláceos, mas temáticos: Second Life, salas de convívio, internet, facebook etc. projectam uma perspectiva de humanidade deprimida, mais compulsiva.
Nesta entrevista Cantelmi explora o limiar entre possessões demoníacas e psicopatologias.
– A nossa sociedade hipertecnológica está de verdade tão fascinada pelo satanismo?
– Cantelmi: A verdadeira questão é: nós encontramo-nos diante de cruéis aduladores de Satanás ou frágeis filhos dos tempos actuais? Nós estamos a assistir a um satanismo cultural e ao desenvolvimento de um satanismo ateu, no qual Satanás é a ocasião para um ulterior encobrimento, é uma evolução. Se até pouco tempo atrás o satanismo se escondia por trás das sombras das cidades ou nos povoados, hoje, em rede, o satanismo adquiriu pleno direito de cidadania: converteu-se num produto de consumo. Os nossos jovens são atraídos por uma série de crenças, seitas, religiões diferentes. Na amostragem examinada, 76% dos casos se interessam por magia, cartomancia, ritualismo, iniciação, esoterismo, enquanto o contacto com material satânico é facílimo em 78% dos casos, sobretudo através da música, cinema, livros e internet. Respondendo a perguntas mais específicas, mais de metade dos jovens confessa que tem curiosidade pelo satanismo; 1 de cada 3 jovens declara sentir-se atraído; 10% diz que se Satanás lhe assegurasse a felicidade, não teria dificuldade em segui-lo, sinal este de infelicidade e do sofrimento que há no mundo actual. Uma frase muito difundida na rede, em todas as páginas introdutórias de sites satânicos, é de John Milton, extraída de «Paraíso Perdido»: «É melhor ser soberanos no inferno do que servos no paraíso».
– Pode-se falar por um lado de fenómenos sobrenaturais e por outro de patologias psiquiátricas? Há uma área nebulosa na qual estes elementos se confundem?
– Cantelmi: Num estudo levado a cabo entre 10 pessoas, entre as quais – segundo exorcistas – havia certamente fenómenos sobrenaturais, emergiram também problemas psiquiátricos. A tarefa complica-se muitíssimo se o problema é distinguir entre pessoas que sofrem doenças psiquiátricas e as que vivem experiências sobrenaturais. Lamentavelmente, a fragilidade psíquica é um forma de entrada extraordinária de sofrimento de todo tipo. Isto indica que psiquiatras e exorcistas devem colaborar uns com os outros. Muitos psiquiatras são indiferentes, relegam o mundo do exorcismo ao da superstição; a psiquiatria e a psicologia são ciências relativamente jovens que tiveram de lutar para definir os seus próprios estatutos epistemológicos e que têm muitas áreas fronteiriças. Só estabelecer o que é normal e o que é patológico já exige contribuições da antropologia e da filosofia. Freud, que para nós é como pré-histórico, categoriza o fenómeno religioso dentro dos problemas neuróticos: tende a não ver consistência neles, realidade; tende a ver o seu aspecto de vivência neurótica. Precisamente neste momento estou denunciando a discriminação que os pacientes crentes sofrem nas psicoterapias, porque os seus valores são com frequência ridicularizados por muitos terapeutas ou, na maioria das vezes, ignorados.Uma coisa que é preciso combater são os sincretismos, ou seja, os «psicossantos», os psiquiatras, os psicólogos que abençoam, que rezam com os seus pacientes. O psiquiatra deve ser psiquiatra!Penso também que nós, os psiquiatras, não podemos explicar toda a realidade humana. Descobri que os exorcistas são pessoas muito avançadas. Conseguem detectar o sofrimento psíquico e encaminhar com confiança os seus pacientes ao tratamento do psiquiatra. Os exorcistas estão absolutamente abertos à contribuição dos psiquiatras.
– Que tipo de problemas psíquicos a possessão demoníaca pode simular?
– Cantelmi: Entrando no específico da psiquiatria, abrem-se diante de nós dois grandes âmbitos: o delírio e as alucinações. Chamamos delírio ao transtorno do pensamento, enquanto as alucinações são um transtorno das percepções: são dois elementos patológicos do ponto de vista psíquico; o pensamento é um processo mental que comporta a manipulação de símbolos; e isto dá-se através da formação de conceitos, de mecanismos de abstracção, de generalização, do raciocínio, processos elaborados que usam regras para chegar a resultados concretos.Os psiquiatras distinguem duas grandes áreas de sintomas no que se refere aos transtornos do pensamento: os de conteúdo, que se referem às ideias e empenham toda a área do delírio, e os formais, que se referem ao modo no qual estas ideias se unem. Como se identifica o delírio? Antes de tudo, deve-se dizer que o delírio não muda, não se pode sobrepor à crítica, caracteriza-se por um conteúdo não coerente com a realidade. Há delírios facilmente detectáveis e outros, ao contrário, muito mais consistentes e dificilmente detectáveis. O delírio pode ser excêntrico, privado de lógica, ou sistemático e, portanto, com uma lógica interna. O delírio pode ser de vários tipos: de influência, de referência, de perseguição, de grandeza, de ciúmes – o cônjuge é um traidor –, erotomaníaco – uma pessoa importante está apaixonada por mim –, hipocondríaco, somático – sinto que o meu fígado é de cristal –, místico, de culpa, de ruína, niilismo – o paciente está convencido de que está morto. O delírio é um sintoma de várias patologias, por exemplo, a excitação maníaca, e aqui as coisas complicam-se, porque o paciente neste estado é um paciente inteligente, activo, que talvez tenha um delírio de grandeza e que talvez tenha inclusive alucinações, vê coisas, ouve vozes, constrói uma realidade, articula-a e explica-a bem. Pode ser convincente e pode ser muito difícil captar estes aspectos. Num delírio de influência, o sujeito sente que na sua cabeça entram pensamentos, está convencido de ser tele-dirigido. Grande parte dos delírios são de perseguição: o sujeito interpreta que alguns factos estão contra ele. Outra característica é que este conteúdo é sempre interpretado como autorre-ferencial: passa um carro e toca a buzina: para mim, se estou a delirar, é um sinal, confirma o que estou a pensar, ou seja, refiro a mim mesmo uma série de experiências casuais. Alguns delírios escondem-se; há pessoas que deliram e guardam para si. Hoje, a sociedade competitiva desenvolve mais delírios de perseguição, de ameaça, de agressão, mas o ponto importante é que o delírio não está sozinho, e sim acompanhado de transtornos das percepções, que em geral confirmam o delírio. Por exemplo, no delírio de envenenamento (há alguém que me está a envenenar), quando provo certo alimento, noto o sabor do veneno, tenho uma alucinação gustativa, percebo o seu odor. Tive um paciente que derrubou uma parede porque tinha uma alucinação olfactiva, cheirava a enxofre e estava convencido de que naquela parede estava o demónio. As alucinações visíveis podem ser de dois tipos: vejo que Nossa Senhora me aparece, ou não a vejo, mas o meu cérebro constrói uma imagem, tem alucinações olfactivas, gustativas, visuais, tácteis...Os mais frequentes são os delírios auditivos, ou seja, quando ouço vozes que comentam a minha actuação, que me ofendem, que me agridem, que não me deixam em paz, que me mandam fazer algo, vozes teológicas que me dão o sentido do que estou a fazer, vozes que interpretam os demais, vozes que indicam um comportamento. Então, posso sentir-me perseguido por uma pessoa, sinto que o seu olhar me está a dizer muitas coisas, ouço que é uma voz de homem, é a voz de Deus. Entre as perturbações do pensamento está também a mistura de palavras, o falar associando ideias e conceitos por assonância, sem nem sequer conhecer o seu sentido. Na esquizofrenia, o sujeito inventa palavras, neologismos, fala com ritmo e parece que verdadeiramente fala outra língua, ainda não tendo nenhuma conexão com outra língua. Os transtornos formais do pensamento também podem ser positivos: o sujeito fala muito, de maneira detalhada; dá-se também o fenómeno da fuga das ideias, ou seja, a pessoa bloqueia porque as palavras não conseguem já seguir o seu pensamento, que é muito veloz. Ou a incapacidade de fazer associações mentais (o sujeito parte de um ponto e não chega nunca a dizer o que tem que dizer). Há também a glossolalia, ou seja, a expressão de mensagens reveladoras, com palavras incompreensíveis, típico dos esquizofrénicos, quando o sujeito está convencido de ter um anúncio para a humanidade. Ou a ecolalia, ou seja, a impossibilidade de falar se não for repetindo o que outros dizem. Dá-se também um eco dos gestos, quando as pessoas não fazem outra coisa senão repetir os gestos que vêem outros fazerem.Há também os transtornos negativos, como o bloqueio das ideias: o sujeito responde sempre do mesmo modo, tem pobreza de expressão. O ponto álgido dos transtornos formais do pensamento é o transtorno obsessivo, que se caracteriza por pensamentos, impulsos, imagens que sinto como estranhas e tento afastar, mas sem conseguir, e para fazê-lo tenho de recorrer a ritos, compulsões. Tenho um paciente obsessivo que enquanto recita as Laudes pela manhã, começa a pensar numa pessoa. O pensamento obsessivo, que é um pensamento inclusive mágico, se lhe insinua e lhe diz: «Aquela pessoa hoje morrerá», «sou responsável pela morte dessa pessoa», «se isso me acontece neste salmo, eu o repetirei nove vezes», pensa o meu paciente. Muitas pessoas obsessivas sentem com frequência o impulso de rir num funeral e blasfemar numa igreja. Na realidade, o paciente obsessivo nunca o faz, não cede, mas sofre por isso e combate-o. Porque a sua vida está feita de impulsos que são a cara comportamental das obsessões. A vida de um obsessivo transformar-se-á com o tempo numa vida terrível e dolorosa de compulsões. Desde sempre, este tipo de psique que Freud já definia como «parasita» penetrou na humanidade e desde sempre a obsessão foi considerada uma loucura lúcida, mas de grande sofrimento.
– Falávamos das origens do delírio, mas há outro fenómeno que geralmente se mistura com o delírio, o transtorno da percepção...
– Cantelmi: Sim, e as percepções podem ser de diversos tipos: temos ilusões, alucinações, as pareidolias e as pseudoalucinações. As ilusões, que são erros compatíveis com o estado emocional do sujeito, pertencem à humanidade do nosso ser, não dão lugar a patologias. São as alucinações que dão lugar a patologias. Quando se trata de pareidolias, vejo uma mancha na parede e parece-me um animal, são pseudoalucinações. Muitos não falam de ouvir vozes, mas nós compreendemos porque, enquanto eu falo, parece que estão a escutar outra coisa. Talvez a voz lhe está a dizer: «Podes confiar» ou «não confies». Aqui encontramo-nos diante de uma falsa percepção sensorial não associada a estímulos externos. Pode inclusive dar-se uma interpretação delirante da experiência alucinatória. Algumas alucinações que acompanham o sono chamam-se hipnagógicas e dão-se também em contextos normais. Podemos ter formas de alucinação quando dormimos ou despertamos, mas não são patológicas. As alucinações podem também ser de ordens: as mais frequentes são as auditivas; as visuais dão-se sobretudo nos estados de excitação maníaca, na qual o sujeito vê e interage com divindades; as olfactivas, as mais frequentes, estão ligadas a alucinações relativas ao odor de enxofre, e as tácteis são muito interessantes e muito extensas: tem-se a sensação de que alguém ou algo, algum insecto, alguma realidade ou entidade tem a ver comigo. Especialmente se há uma estrutura de personalidade histérica, o mais frequente é a percepção de relações sexuais. A esquizofrenia é uma patologia imensa. É o grande enigma da psiquiatria. Sobre a esquizofrenia temos muitíssimo conhecimento, mas não temos nem conhecimentos definitivos nem intervenções farmacológicas ou terapêuticas resolutivas. Há um grande número de pacientes esquizofrénicos com as formas mais estranhas, mais extravagantes, mais clamorosas, mais escondidas. A velha histeria descompôs-se, pela actual nosografia, em vários grupos sintomáticos: Os transtornos somatoformes, o transtorno histriónico de personalidade, e a fuga psicógena. Actualmente, assistimos a uma transformação dos transtornos da ansiedade para transtornos somatoformes, ou seja, sintomas físicos de todo o tipo que não se incluem em patologias médicas de origem psicológica. Um exemplo é a cegueira histérica, quando alguém que não vê (e recupera a vista na noite de Páscoa). A outro tipo de histeria chamamos transtorno de personalidade histriónica, em pessoas especialmente sugestivas, necessitadas de atenções e muito dependentes. Outros transtornos histéricos converteram-se na fuga psicógena: o sujeito de repente foge de casa e já não se lembra de nada, tem amnésia sobre o que fizeram; ou o sujeito esquece tudo o que lhe aconteceu sem um evento traumático. Depois estão os transtornos de personalidade. Grande parte deles contaminam muitas das pessoas que vêm pedir ajuda. Todas as formas dissociativas, os transtornos de controle dos impulsos. A nossa sociedade, que é extremamente eficiente, hipercontrolada, vê o aumento do transtorno do controle dos impulsos. O sujeito perde o próprio controle de repente, em contextos impróprios. Torna-se agressivo, desarruma tudo, não consegue suportar a tensão e grita. Em geral, tem a ver com a área de agressividade, as formas de transdissociação. São sujeitos que enfrentam formas de suspensão da consciência segundo um fundamento dissociativo. Dá-se, por exemplo, em quem usa muito o computador. Um quadro sobre o qual frequentemente os pais pedem iluminação é o da criança incontida, que nunca está quieta, que não escuta, que não controla os impulsos, é o transtorno de deficit de atenção e hiperactividade, um quadro de uma criança vivaz que pareceria ser presa de um espírito que a leva a fazer mil coisas. Os progenitores não conseguem contê-la. A criança na verdade tem um deficit de atenção, é tão veloz que não consegue manter a atenção um segundo no que lhe dizem. Se entra num supermercado, vira tudo de pernas para o ar porque se sente atraído por tudo com uma velocidade extraordinária. Alguns que têm hiperactividade – que não se associa ao retardo mental – converteram-se em verdadeiros génios, como o caso de Mozart. A sociedade actual assiste a um aumento do número de crianças hiperactivas, incontroláveis, como se tivessem uma mola que salta de repente. Também, enquanto antes nos impressionava o abuso de um adulto sobre uma criança, hoje estamos impressionados pelos abusos das crianças para com as crianças, um fenómeno muito significativo.
– Em que se baseia a fragilidade do homem actual?
– Cantelmi: Há raízes que um psiquiatra nota e que estão na base desta nova fragilidade do nosso tempo, ligada sobretudo à crise das relações interpessoais. O terceiro milénio caracteriza-se por uma relação «tecno-mediatizada». Hoje não há nada mais difícil, mais complexo, mais incompreensível do que uma relação interpessoal estável e duradoura. Teoriza-se, por exemplo, sobre a «polifidelidade», ou seja, a impossibilidade de ser fiéis a uma só pessoa.«Be happy», um site de psiquiatria cosmética, dirige-se às mulheres e afirma que a ideia romântica de um homem durante a vida toda é uma ideia hoje impossível; se são românticas, podem ser então «polifiéis», fiéis a vários homens. Portanto, fiel ao seu marido enquanto mãe, fiel ao seu chefe enquanto mulher de carreira, fiel ao seu amante mais jovem do que tu, enquanto mulher transgressora. Não só é impossível que tu, na plenitude de ti mesmo, possas dar-te a outra pessoa, mas também é impossível que possas dar-te a outra pessoa por longo tempo. Teoriza-se assim a monogamia intermitente: fiel sim, mas por pouco tempo. A «polifidelidade» e a monogamia intermitente são só dois exemplos de como hoje se considera a dimensão afectiva frágil. As raízes desta crise podem ser encontradas na busca exasperada de emoções: estou bem contigo porque experimento emoções intensas; não sinto nada por ti e por isso busco novas emoções. A relação interpessoal converte-se, portanto, em algo imediato, não tem passado nem futuro. Isto explica a busca de comportamentos compulsivos, de dependências comportamentais, o uso da cocaína, etc. Há na internet um vídeo que reúne tudo isto: a busca exasperada de emoções mediante a cocaína, através da transgressão, da impossibilidade de entrar em relação com outro, a solidão, a ambiguidade e o narcisismo. Este vídeo não comercial diz exactamente, ainda que em modo extremo, para onde vamos. Quem o pôs na rede foi Marylin Manson com uma série de pequenos sinais satânicos, transgressores ao seu modo. Vê-se um homem sozinho, desesperado, que busca contactos, este homem cortou o coração (o «cutting» é um sinal satânico), é um homem ambíguo, nem homem nem mulher, andrógeno; profanou a Bíblia, colocando cocaína sobre ela. Graças a este pouco de cocaína, entra numa relação sexual de tipo impessoal, na qual não há já pessoas, mas só pedaços de carne. O que aparece é um mundo feito de tudo, onde o outro é uma ocasião para masturbar-se; é o homem que se fecha ainda mais em si mesmo e acaba por morrer numa espécie de suicídio.A outra raiz da fragilidade é a ambiguidade, a renúncia ao próprio papel. O tema da ambiguidade faz saltar pelos ares a responsabilidade, o papel do casal. Hoje tudo é fluido, não há masculino e feminino. Por último, a outra grande raiz é o desenvolvimento do narcisismo. O homem de hoje sofre, está em crise pela sua incapacidade de relação com o outro e dirige-se a um mundo feito de tristezas, depressão, compulsões e transtornos da personalidade. A tecnologia promete a salvação fazendo compreender que todos estes problemas podem ser resolvidos, renunciando à relação face a face, e propondo-lhe um mundo virtual, cheio de emoções, narcisismo, ambiguidade e máscaras.
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O mal e o exorcismo |
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O mistério do mal e o exorcismo
Podemos falar ainda sobre o Demónio nos dias de hoje?
Ouço comentários do tipo: «Padre, essa história de novo? Não me diga que acredita nisso…»
«Depois do século 21, com todas as descobertas da ciência não podemos acreditar mais nesses mitos e símbolos…»
Muitos cristãos já não acreditam na existência de Satanás e do inferno, que é a privação completa de Deus e fazemos uma verdadeira conspiração de silêncio com relação a este assunto, mesmo dentro da Igreja Católica.
Um grande poeta do século 19, na França já dizia que a maior mentira do demónio é nos persuadir que ele não existe. Assim, ele pode agir com toda liberdade para fazer o mal, semeando a confusão nos espíritos, atiçando o ressentimento, aumentando as disputas e o ódio, empurrando-nos para cairmos em suas armadilhas, chegando ao desespero e as vezes até ao suicídio.
Ele atrai o homem ao pecado e procura o desviar de Deus, de Jesus Cristo que é o único Salvador. Procura nos desviar da obediência de sua Lei de amor. Satanás quer fazer do homem seu aliado em sua própria revolta.
Isso que eu vos digo não é somente o resultado de meus estudos teológicos teóricos, desde que comecei no ministério do exorcismo, há 3 anos, já atendi mais de 500 pessoas. Com isso, quero dizer que muitas pessoas são hoje vítimas de armadilhas do Demónio.
Não posso lhes dizer que já o vi face a face, pois ele é uma criatura espiritual, mas já o escutei muitas vezes e descobri assim um mundo espiritual bem real, um mundo de trevas, de violência, de ódio, de opressão dos homens.
Meu ministério não tem muito a ver com o que é mostrado no cinema sensacionalista, mas é um trabalho maravilhoso de escuta, de acolhida para consolar e discernir, para conduzir à cura e libertação. E veja bem, tudo isso num clima não de medo, mas na confiança e esperança.
O Cristo é o vencedor, o Cordeiro de Deus, imolado por nossos pecados, ressuscitado para nos dar a vida eterna e para que vivamos na liberdade dos filhos de Deus.
«Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou: “Que tens tu connosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus intimou-o, dizendo: “Cala-te, sai deste homem!” O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu.»
Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: “Que é isto? Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!» Marcos 1,23-27
Ouvimos dizer às vezes que o demónio não é nada além de uma forma de falar do mistério do mal, são apenas figuras míticas, simbólicas, válidas só para aquele tempo, ou apenas um jeito de falar de doenças que não eram explicadas na época.
Mas os demónios são os anjos decaídos. Os padres do Concílio de Latrão 215, definiram de maneira dogmática a existência dos demónios como criaturas espirituais, que foram criadas boas por Deus - já que Ele não pode criar nada de mau - mas eles se tornaram maus por causa da própria revolta.
Eles rejeitaram por orgulho a bem-aventurança dada por Deus, se se estabeleceram para sempre nesta revolta contra Deus e tudo o que Ele fez. Rejeitando se submeter a vontade de Deus.
«É por inveja do Demónio que a morte entrou no mundo». Sabedoria 2,24
«O poder divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade, fazendo-nos conhecer aquele que nos chamou por sua glória e sua virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo.» II Pedro 2,4
Em Mateus 10,8 Jesus faz distinção entre os problemas de origem cura de doenças e possessão do demónio: «Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios»
Fomos prevenidos assim que o demónio parte em guerra em particular contra aqueles que querem viver na obediência a deus e que dão testemunho de Jesus Cristo. (Efésios 6)
Papa Paulo VI, em 1972, afirmou que a Igreja precisa anunciar o Evangelho e também se defender do Demónio. Certamente ela precisa anunciar o Evangelho, mas da mesma forma também precisa se defender daquele que se opõe a este anúncio.
Padre Jean Régis Froppo
Padre exorcista da Diocese de Fréjus-Toulon
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11 perguntas ao diabo |
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11 PERGUNTAS FEITAS AO DIABO:
QUEM TE CRIOU?
Lúcifer: Fui criado pelo próprio Deus, muito antes da existência do homem. [Ezequiel 28:15]
COMO ERAS QUANDO FOSTE CRIADO?
Lúcifer: Vim à existência já na forma adulta e, como Adão, não tive infância. Eu era um símbolo de perfeição, cheio de sabedoria e formosura e as minhas vestes foram preparadas com pedras preciosas. [Ezequiel 28:12,13]
ONDE MORAVAS?
Lúcifer: No Jardim do Éden e caminhava no brilho das pedras preciosas do monte Santo de Deus. [Ezequiel 28:13]
QUAL ERA A TUA FUNÇÃO NO REINO DE DEUS?
Lúcifer: Como querubim da guarda, ungido e estabelecido por Deus, a minha função era guardar a Glória de Deus e conduzir os louvores dos anjos. Um terço deles estava sob o meu comando. [Ezequiel 28:14; Apocalipse 12:4]
ALGUMA FALTAVA-TE ALGUMA COISA?
Lúcifer: (pensativo, diminuiu o tom de voz) Não, nada. [Ezequiel 28:13]
O QUE ACONTECEU QUE TE AFASTOU DA FUNÇÃO DE MAIOR HONRA QUE UM SER VIVO PODE TER?
Lúcifer: Isto não aconteceu de repente. Um dia vi-me nas pedras (como espelho) e percebi que sobrepujava os outros anjos (talvez não a Miguel ou Gabriel) em beleza, força e inteligência. Comecei então a pensar como seria ser adorado como deus e passei a desejar isto no meu coração. Do desejo passei a fazer planos, estudando como firmar o meu trono acima das estrelas de Deus e ser semelhante a Ele. Num determinado dia tentei realizar o meu desejo, mas acabei expulso do Santo Monte de Deus. [Isaías 14:13,14; Ezequiel 28: 15-17]
O QUE DETONOU FINALMENTE A TUA REBELIÃO?
Lúcifer: Quando percebi que Deus estava para criar alguém semelhante a Ele e, por consequência, superior a mim, não consegui aceitar. Manifestei então os verdadeiros propósitos do meu coração. [Isaías 14:12-14]
O QUE ACONTECEU COM OS ANJOS QUE ESTAVAM SOB O TEU COMANDO?
Lúcifer: Eles seguiram-me e também foram expulsos. Formámos, juntos, o império das trevas. [Apocalipse 12:3,4]
COMO ENCARAS O HOMEM?
Lúcifer: (com raiva) Tenho ódio da raça humana e faço tudo para destruí-la, pois eu a invejo. Eu é que deveria ser semelhante a Deus. [1Pedro 5:8]
QUAIS SÃO AS TUAS ESTRATÉGIAS PARA DESTRUIR O HOMEM?
Lúcifer: O meu objectivo maior é afastá-lo de Deus. Eu estimulo a praticar o mal e confundo as suas ideias com um mar de filosofias, pensamentos e religiões cheias de mentiras, misturadas com algumas verdades. Envio os meus mensageiros travestidos, para confundir os que querem buscar a Deus. Torno a mentira parecida com a verdade, induzindo o homem ao engano e a ficar longe de Deus, achando que está perto. E tem mais. Faço com que a mensagem de Jesus pareça uma tolice anacrónica, tento estimular o orgulho, a soberba, o egoísmo, a inimizade e o ódio dos homens. Trabalho arduamente com o meu séquito para enfraquecer as igrejas, lançando divisões, desânimo, críticas aos líderes, adultério, mágoas, friezas espirituais, avareza e falta de compromisso (ri à descarada). Tento destruir a vida dos pastores, principalmente com o sexo, ingratidão, falta de tempo para Deus e orgulho. [1Pedro 5:8; Tiago 4:7; Gálatas 5:19-21; 1 Coríntios 3:3; 2 Pedro 2:1; 2 Timóteo 3:1-8; Apocalipse 12:9]
E SOBRE O FUTURO?
Lúcifer: (com o semblante de ódio) Eu sei que não posso vencer Deus e resta-me pouco tempo para ir ao lago de fogo, minha prisão eterna. Eu e os meus anjos trabalharemos com afinco para levarmos o maior número possível de pessoas connosco. [Ezequiel 28:19; Judas 6; Apocalipse 20:10,15]
MEDITEMOS NESTA MENSAGEM. ELA FOI ELABORADA COM BASE EM VERSÍCULOS BÍBLICOS.
HOJE, SE OUVIRDES A SUA VOZ DO SENHOR, NÃO ENDUREÇAIS OS VOSSOS CORAÇÕES. HEBREUS 3:7,8
"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a Sua vida em favor dos Seus amigos." João 15:13
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